Hispanistas - Artigos científicos
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Item Vozes da fronteira: memória e identidade em Árbol de família, de María Losa Rojo(UNILA, 2016-08) Maioli, Juliana BevilacquaVinculado aos estudos desenvolvidos no Grupo de Pesquisa Literatura, Educação e Cultura: caminhos da alteridade, o presente trabalho propõe a análise dos mecanismos de construção identitária plasmados no romance Árbol de familia (2010), da escritora argentina María Rosa Lojo. De fundo autobiográfico, o relato apresenta um enredo aparentemente simples em que Rosa, a narradora, conta aos leitores a história de sua família, buscando, mediante a releitura do passado (familiar e histórico), instituirse como sujeito em meio ao discurso narrativo. A obra apresentase dividida em duas partes, uma dedicada ao resgate das origens paternas, e a outra, à evocação das origens maternas. Cruzando os elementos de ambos os eixos ficcionais, a narradora, descendente de espanhóis, tece, a partir de fragmentos suturados pela memória, os aspectos que definem a sua identidade como filha “nascida num país chamado exílio”. Da dicotomia estrutural do romance deflagrase a concepção de fronteira a qual é metaforicamente explorada na diegese. Observar o modo pelo qual o espaço fronteiriço é representado ficcionalmente e de que maneira ele pode atribuir sentidos a imagem identitária construída pela narradora é o objetivo desse trabalho. Como fundamentação teórica, o estudo orientase pelos conceitos de “fronteira” de Mónica Quijada (2002), “identidade” de Homi Bhabha (1998) e Stuart Hall (2001), pela noção de “sujeito migrante” de Cornejo Polar (2011), bem como pelo conceito de “entrelugar” de Silviano Santiago (2000)Item Representação da mulher indígena em Aves sin Nido(Unila, 2016-08) Arao, LinaClorinda Matto de Turner, figura notável da literatura peruana, colaborou intensamente para o desenvolvimento dos debates e questionamentos acerca da situação políticosocial de indígenas e de mulheres na América Hispânica, sobretudo no Peru e, no caso dos primeiros, na região andina. Sua contribuição empreendeuse a partir de periódicos e revistas, como El Recreo del Cusco, El Perú ilustrado, Búcaro Americano, e romances, como Aves sin nido (1889), obra de grande êxito editorial na qual a autora cusquenha problematizou questões até então pouquíssimo discutidas: a exploração das comunidades indígenas e a dupla opressão (a étnica e a de gênero) sofrida pelas índias, enfatizando uma profunda crítica aos representantes da Igreja Católica, do governo e da classe de comerciantes de lã. O objetivo deste trabalho é propor uma análise das personagens femininas indígenas do romance de modo a examinar o papel que Matto de Turner atribuiu a elas na construção de um ideal de nação peruana, bem como as suas relações com as mulheres não- indígenas presentes na trama, buscando também refletir sobre as funções sociais femininas de maneira geral, concebidas pela autora como de importância fundamental na estruturação de uma sociedade peruana mais igualitáriaItem Ere con Ere con Ere: para além de regionalismos linguísticos, o “encontro” Rulfo, Rosa e Rivera(UNILA, 2016-08) Silva, Luciano Prado daNo presente trabalho, proponhome tratar do encontro estilístico e quiçá de visão de mundo entre três escritores latinoamericanos. A saber: o mexicano Juan Rulfo, o brasileiro João Guimarães Rosa e o chicano Tomás Rivera. Tomando a elipse e o lacônico como expressão narrativa, estes três autores coincidem em seu estilo e, ademais, em algo de uma temática que se pauta na secura de seu modus narrandi para jogar com as debilidades possíveis entre razão e loucura, o literário e a oratura, entre infância e maturidade. Assim, desde o anterior entendo que, mais do que continuadores ou herdeiros de um precedente Regionalismo ou, inclusive, do Realismo Mágico Latinoamericano (categoria à qual costuma vinculálos a crítica ao redor dos três, especialmente a Rulfo e Rivera), os eres aqui escolhidos transferem a suas narrativas algo de sua leitura de mundo. Para chegar a tal apontamento, levo a cabo as primeiras considerações deste estudo ainda incipiente a partir de uma abordagem crítica do método de rapprochement, em que, segundo A. Owen Aldridge (1969), trabalhase com “analogias sem contato”. Podese dizer que, no caso ora levantado, essas analogias são, de certa maneira, “quase sem contato”. Por fim, a leitura sugerida é aquela que lance atenção aos contos de: El llano en llamas (1953), de Rulfo; aos de Primeiras estórias (1962), de Rosa; e aos que dão forma ao romance ...y no se lo tragó la tierra (1971), de RiveraItem O ensino de línguas na fronteira – o diálogo entre pesquisa e ensino e as contribuições para a formação do professor de espanhol como língua estrangeira(UNILA, 2016-08) Barreira, Vilma Lucia de OliveiraApresentase um trabalho de pesquisa e ensino realizado entre docentes e acadêmicos do Curso de Letras Português e Espanhol, considerando a posição geográfica do município de Foz do Iguaçu, fronteiriça com o Paraguai e Argentina. Por ser destino turístico de milhares de pessoas vindas de países diversos, ressaltase a importância do conhecimento de línguas estrangeiras pela população local. Ainda, pelo cenário de fronteira com países hispano falantes, é evidente relevância do conhecimento da língua espanhola, ainda que em nível básico. O turismo gera empregos em hotéis, lojas, locais de visitação, em táxis, ônibus, etc. Há necessidade de esses trabalhadores se desenvolverem em um idioma estrangeiro para que a comunicação seja possível. Outro fato que requer o ensino de LE é o fato de o campus receber estudantes de graduação e dos programas de pósgraduação advindos de diversos países. Sendo assim, foi desenvolvido no campus da Unioeste/Foz um projeto de ensino de línguas – a partir de pesquisas realizadas por acadêmicos e orientadas por docentes do curso – que tem como objetivo levar à comunidade acadêmica e externa o contato com a língua espanhola. Entendese que há necessidade de oferecer um curso que possibilite suprir as necessidades sociais existentes entre os habitantes brasileiros e os estrangeiros que circulam pela fronteira. Estão envolvidos professores, corpo técnico, e acadêmicos, oferecendo condições para que utilizem os conhecimentos de língua e cultura adquiridos em uma localidade multiculturalItem O romance policial latinoamericano no século XXI: três romances de Leonardo Padura, Eduardo Mariani e Claudia Piñeiro(2016-08) Rubio, Eduardo FavaPensar um gênero a partir de uma tradição literária supõe pensálo enquanto manifestação histórica não só de um tempo específico, mas também de um contexto social que envolve a cultura, a política, a economia, a língua, etc., como expõe Bakhtin em “Tipologia histórica do romance” (2010, p. 205). É neste sentido, então, que Aimar Sánchez (2000), Gandolfo (2007) e Berg (2008) apontam a importância de que o gênero policial encontre uma forma de realização local – no caso, no contexto latinoamericano – e pessoal para chegar a suas melhores realizações. Na era que poderíamos chamar de “pósditatorial” na Argentina, por exemplo, o policial tem representantes como Plata quemada (1997), de Piglia;, La pesquisa (1997), de Saer; y Manual de perdedores (1985), de Sasturain; em que ecoam ainda o terror dos anos recentes, a dificuldade de narrar e a “irredutibilidade da derrota” (como aponta Avelar (2008)), características presentes na literatura como um todo do período. Como se configuraria, então, se é que ela, de fato, existe, a etapa posterior, a da hegemonia neoliberal e suas consequências, na narrativa policial latinoamericana? Mais do que isto: é possível pensar em um contexto latinoamericano a partir do caso argentino, extrapolando as fronteiras em direção, por exemplo, ao próximo Uruguai e à distante (em muitos aspectos) Cuba? A partir da leitura de Las viudas de los jueves (2005), da argentina Claudia Piñeiro; Fratelli, do uruguaio Eduardo Martini; e La neblina del ayer, do cubano Leonardo Padura; estas são as questões sobre as quais este trabalho buscará refletirItem A "máquina antropológica em ação": o aniquilamento do não humano em "Pueblerina", de Juan José Arreola(2016-08) Francini, Ana Carolina MecenaEm seu livro Homo sacer (2002), o filósofo italiano Giorgio Agamben analisa o fracasso da civilização, pondo em xeque o que se convencionou como ‘estado de direito’, ao afirmar que na modernidade a lei não se opõe à violência, mas se instaura nela e se sustenta por meio dela. O homo sacer, figura contraditória no direito romano arcaico, é o ser vivente que caracteriza esse estado contraditório, o qual por ser sacro estava excluído das leis da esfera mundana, mas que, por isso mesmo, poderia ser morto por qualquer um, sem configurar um homicídio: o que o autor denomina de mera ‘vida nua’, não politizada, abandonada pelo direito, incluída na sociedade pela exclusão. Para o filósofo italiano, o que era exceção no direito romano parece se tornar regra na sociedade atual, na qual (mesmo com a declaração dos direitos humanos) a destruidora "máquina- antropológica" – apresentada por Agamben em seu livro Lo abierto (2005) –, reconfigurando a concepção de humano como lhe convém, exclui e recaptura os seres viventes, transformandoos em vida nua, vida não humana, em estado de natureza anterior ao surgimento da pólis. Tendo essas ideias como base, este artigo apresenta uma breve leitura do conto “Pueblerina”, do livro Confabulario (1952), do autor mexicano Juan José Arreola, cujo objetivo não foi somente analisar a dimensão da vida nua do protagonista o qual está nos limites do humano, mas o impreciso e problemático limiar entre cultura e natureza ou entre civilização e barbárieItem Uma interpretação historiográfica sobre a publicação da "Grammática da língua espanhola para uso dos brasileiros" (1920), de Antenor Nascentes(UNILA, 2016-08) Danna, Stela Maris Detregiacchi GabrielA primeira descrição do espanhol, publicada no Brasil, data de 1920. Estamos nos referindo à obra Grammatica da língua espanhola para uso dos brasileiros, escrita por Antenor Veras Nascentes (1886 – 1972). A publicação desta obra constitui um fato pontual, pois foi a partir da década de 1940 que apareceram outras sistematizações deste tipo, tais como Becker (1944); Jucá Filho (1944); Lagosmarino (1944); Solana e Morais (1944); entre outros. Vemos que há um hiato temporal entre a publicação da primeira gramática do espanhol no Brasil – a de Nascentes – e as subsequentes. Além disso, consideramos tardio o aparecimento destes manuais gramaticais, já que o espanhol, como sabemos, está presente nos países que fazem fronteira com o Brasil e apresenta grandes similitudes com o português. Motivadas por compreender melhor o processo de emergência de uma gramaticografia da língua espanhola no Brasil, o presente trabalho tem por objetivo analisar qual(is) aspecto(s) propiciaram o aparecimento da primeira gramática sobre o espanhol e se este motivo tem algum papel explicativo na configuração da obra. Este trabalho, que integra uma pesquisa maior de doutorado, possui um viés historiográfico, cuja metodologia busca mobilizar tanto dados provindos de uma análise ‘interna’ ao material selecionado (a Grammática de Nascentes), quanto de uma análise ‘externa’ à obra (Swiggers, 2005[2004]). O cruzamento dos dados internos e externos nos possibilitou, assim, elaborar uma possível interpretação historiografia que oferece respostas aos nossos questionamentosItem A leitura dos prólogos de Dom Quixote da edição de Ernani Ssó sobre o aspecto da tradução(2016-08) Venturini, AlineOs prólogos são uma maneira de informar e convencer o leitor de ler uma obra literária, pois os críticos que os escrevem visam, através de seu posicionamento, apresentála e, dessa forma, continuar a cadeia de recepções leitoras que já existem sobre uma determinada literatura. Para Jauss (1994) esse conjunto de leituras é o que pode construir a história de uma obra literária ao longo do tempo, e não somente considerando o contexto histórico e a Estética. Dessa forma, a proposta apresentada nesse resumo é estudar os prólogos da tradução de Dom Quixote de la Mancha realizada por Ernani Ssó, em 2015, a fim de ver como os críticos a apresentam para os leitores. Os textos falam do ofício da tradução, tema que está presente na obra e são escritos pelos seguintes críticos: o primeiro texto é realizado pelo próprio tradutor dessa edição, o segundo, por John Rutherford, e os dois últimos, os quais são posfácios, são de Jorge Luís Borges e Ricardo Piglia. Entendemos a tradução também como uma leitura interpretativa do texto a ser traduzido, na escolha das palavras, em Português, para chegar ao sentido próximo ao original, em Espanhol. No enredo de Dom Quixote, o personagem tradutor é solicitado a traduzir da forma mais “fiel possível” a primeira versão do texto. Dessa maneira, os prólogos citados trabalham a tradução como leitura e para analisálos, nos ancoramos na Estética da Recepção e na Hermenêutica de Gadamer (1997), sobre o limite histórico da interpretação, pois o crítico se baseia nas interpretações anteriores da obra, nesse caso, sobre a tradução, para elaborar o prólogoItem Autoficção, memória e paternidade na trilogia Alvaro Mendiola(2016-08) Silva, Carmelita Tavares“Memória, autoficção e paternidade na trilogia Álvaro Mendiola” de Juan Goytisolo propõe uma reflexão sobre as representações da figura paterna a partir das instâncias enunciativas memória e autoficção nas obras – Señas de Identidad (1966), Reivindicación del conde don Julián (1970) e Juan sin Tierra (1975). A narrativa desse autor entrelaça realidade e ficção, fatos históricos e memória, a problemática autor, narrador e personagem, a crítica e a teoria tangenciando questões como as relações entre Ocidente e Oriente e de forma recorrente o tema da Espanha e dos espanhóis. As obras que compõem a trilogia Álvaro Mendiola gravitam em torno de uma órbita comum – o problema da Espanha – e tomam distintas direções, abarcando questões como a busca e negação da identidade e a destruição e reconstrução da linguagem. Por meio de um relato que rompe, transgride e corrompe a linguagem, pelo uso da metáfora e da ironia Juan Goytisolo apresenta ao leitor um universo que ele procura, pela crítica, desconstruir. O efeito inovador e original é resultado da combinação de recursos temáticos, linguísticos e estilísticos, tais como a ruptura da temporalidade linear, a paródia, a ficcionalização de personagens e fatos históricos, a crítica religiosa e política, a utilização dos signos de pontuação de forma anticonvencional, conhecidas marcas da escrita do autor. A pesquisa tem ancoragem teórica nas obras de Jacques Le Goff, Leonor Arfuch, Manuel Alberca, Michel Foucault, Philippe Lejeune, além de outros que se dedicam aos estudos da escritura do eu e da autoficçãoItem A transgressão de fronteiras em “Dá gusto andar desnudo por estas selvas – Sonetos Salvajes”, de Douglas Diegues(2016-08) Catonio, Angela Cristina Dias do RegoA poética de Douglas Diegues se insere na contemporaneidade entre as mais inovadoras e inusitadas formas de se construir poesia. A partir do livro “Dá gusto andar desnudo por estas selvas – sonetos salvajes” (2002), este artigo se propõe a investigar a construção lírica sui generis do poeta Douglas Diegues ao mesclar as línguas portuguesa, espanhola e guarani: o portunhol selvagem. A linguagem inusitada da obra emerge em sua forma híbrida e mestiça como uma língua anárquica, irônica e engajada, situandose acima dos espaços geográficos e culturais, e circula além das fronteiras entre Brasil e Paraguai. Além disso, o trabalho do poeta demonstra na materialidade do texto contornos sociais, culturais e ideológicos relacionados à ambiência plurinacional na qual se insere. A produção de Diegues traduz uma desobediência à língua padrão e, sobretudo, uma experimentação de amalgamar o português, o espanhol e o guarani em uma única língua. Assim, com este estudo procurase desvendar as características dessa linguagem transfronteiriça no livro analisado e discutir seus aspectos simbólicos e culturais, uma vez que a obra de Diegues propõe uma forma diferente de encarar o local e o global e de estabelecer contornos bem próprios a uma tendência literária pós- moderna de caráter híbrido. O portunhol selvagem extrapola a oralidade dos habitantes da fronteira para chegar à escrita poética, rompendo os padrões convencionais da linguagem e apresentando um universo particular em que, segundo o poeta, não há regras gramaticais a serem seguidas.Item O novo romance histórico contemporâneo e a representação imagética do americano na obra de Arturo Uslar Pietri(2016-08) Silva, Gisele Reinaldo daEste trabalho, como parte de uma pesquisa doutoral, discute a formação das identidades hispano- americanas – mestiças, heterogêneas, porém, com características políticas e históricoculturais afins – tendo como base o romance histórico contemporâneo El Camino de El Dorado, do escritor venezuelano Arturo Uslar Pietri, publicado em 1947. Este estudo pautase na hipótese de que, ao construir poeticamente romances históricos, o autor visita o passado, em busca das origens de seu povo, como modo de questionamento do presente e projeção imagética do futuro, contribuindo, assim, para a construção da identidade cultural da Venezuela, remetendo, também, a outros países da América Latina. Em outras palavras, ao empreender um relato de viagem histórico e geográfico pelo rio Amazonas, projetandose ao período da Conquista espanhola da América, Uslar Pietri funda, na verdade, uma viagem simbólica sobre a história da civilização do mundo ocidental. A representação narrativa dos acontecimentos de mais alta tensão do passado são imprescindíveis para o processo de formação dos nacionalismos americanos do século XX. Como apoio teóricocrítico, para esta pesquisa, tomouse por base, principalmente, as contribuições reflexivas de Arturo Uslar Pietri expostas em sua vasta ensaística Breve historia de la novela hispanoamericana (1955), En busca del nuevo mundo (1969), La creación del nuevo mundo (1991), Ensayos sobre el nuevo mundo: antología de textos políticos (2002) – no tocante ao papel do novo romance histórico contemporâneo.Item As orações concessivocondicionais no espanhol falado: questionamentos e reflexões à luz do funcionalismo(UNILA, 2016-08) Garcia, Talita StortiEste trabalho visa a discutir as orações denominadas ‘condicionaisconcessivo’ (KÖNIG, 1985, 1986; HASPELMATH; KÖNIG, 1998; NEVES 2000; ROSIQUE, 2012;) ou ‘concessivo- condicionais’ (FLAMENCO GARCÍA, 1999; NGLE, 2009) no espanhol peninsular falado com base na teoria da Gramática DiscursivoFuncional de Hengeveld e Mackenzie (2008). De acordo com Flamenco García (1999) e Haspelmath e König (1998), tais estruturas podem ser de três diferentes tipos: (i) Concessivocondicionais escalares: Incluso si hay temporal, Antonio sale a pescar (FLAMENCO GARCÍA, 1999, p. 3843); (ii) Concessivocondicionais polares ou alternativas: Tanto si jugó como si no jugó, ha perdido todo lo que tenía (FLAMENCO GARCÍA, 1999, p. 3846); (iii) Concessivocondicionais universais: Sea quien sea, no estoy para nadie (FLAMENCO GARCÍA, 1999, p. 38478). Na literatura, essas construções são concebidas como híbridas por apresentarem características tanto das concessivas quanto das condicionais. Tal hibridismo é questionado neste estudo sob a hipótese de que cada tipo de concessivocondicional apresenta uma especificidade que o define como construção concessiva ou condicional, atuando em determinada camada e em determinado Nível proposto pela teoria da Gramática Discursivo- Funcional. O universo de investigação utilizado consiste no projeto PRESEEA Proyecto para el Estudio Sociolinguístico del Español de España y de AméricaItem Implicações da variação linguística no ensino e aprendizagem do português Língua Estrangeira(UNILA, 2016-08) Mendes, Regina Maria GonçalvesA variação linguística é um grande desafio no ensino e aprendizagem do português língua estrangeira (PLE), tanto na língua falada quanto na escrita. As dificuldades de expressão se revelam ao falar ou escrever quando o estudante compreende o que se fala, mas não consegue escrever ou escreve e não entende a fala. Ocorre frequentemente o aluno procurar no dicionário uma palavra que ouviu e encontrar outra que não corresponde àquela que ouviu, ou mesmo, não a encontrar. Portanto, há duas dimensões que precisam ser observadas a escrita e a fala. O objetivo da pesquisa é sugerir o ensino de palavras ou expressões da oralidade que provocam problemas de interpretação e por falta de entendimento de como são escritas, dificultando consultar o dicionário. A realização desse trabalho é relevante porque no diaadia da sala de aula, os estudantes trazem dúvidas que são causadas pelo uso de variações na língua falada. A metodologia utilizada é a pesquisa bibliográfica e análise de exemplos coletados de dúvidas apresentadas pelos estudantes em aquisição do PLE. Os principais autores que fundamentam a pesquisa são: Leffa (1999), Scherre (2005), Almeida Filho (2007), Moura (2007), Labov (2008), Martínez (2009), entre outrosItem O contato linguístico na fronteira entre Brasil e Paraguai(UNILA, 2016-08) Carlos, Valeska GraciosoEste trabalho é um recorte de uma tese de doutoramento que teve como propósito descrever a língua portuguesa falada na região da fronteira do Brasil com o Paraguai, mais especificamente em duas localidades do Estado do Paraná: Terra Roxa e Missal, e duas do Departamento de Alto Paraná: San Alberto e Santa Rosa del Monday, buscando apurar, não só a questão do contato entre grupos sociais da fronteira (brasileiros, paraguaios e indígenas), mas também a interinfluência da variedade linguística de migrantes do Sul do Brasil (variante sulista) contrastando com os que vieram das outras regiões como a Sudeste e a Nordeste (variante nortista). O estudo segue os pressupostos teóricos da Dialetologia Pluridimensional e Relacional (RADTKE &THUN, 1996; THUN, 1998, 2000, 2005, 2009, 2010), que busca aliar a variação diatópica (horizontal) à variação diastrática (vertical), convertendo o estudo tradicional da superfície bidimensional em estudo do espaço tridimensional da variação linguística. Os resultados apontam que não há grandes interinfluências das línguas espanhola e guarani na fala dos brasileiros, contudo, a língua portuguesa se manifesta pelo contato e pela mídia na fala dos paraguaios. A manutenção dos traços linguísticos sulistas está diretamente ligada à geração topodinâmica e mais velha, enquanto os jovens apresentam uma preferência ao uso de variantes nortistasItem Pelos fios da memória e da história, a poesia social de Xosé Lois García(UNILA, 2016-08) Fontoura, Sirlei da SilvaA partir dos contextos histórico, político, literário e social em que se inscreve o autor Xosé Lois García, poeta social galego pouco conhecido no Brasil, entretanto de grande representatividade na cultura e literatura galegas, o presente trabalho objetiva explicitar as dimensões memorialística e histórica traduzida esteticamente em suas obras. A análise incide sobre um discurso social que permeia os seus versos, tornandoos diretos, combativos e realistas, uma vez que suas poesias têm nítida inclinação às questões políticas e sociais, capazes de representar uma tomada de posição do seu autor diante dos problemas concretos da sociedade. A partir desse ponto de vista, instaurase a ideia de uma arte engajada, arte voltada para aquele escritor que aceita uma causa e assume compromissos com o coletivo. Afinal de contas, qual seria o sentido de um poema, por exemplo, voltado apenas para a própria palavra enquanto vivemos em uma sociedade opressora, na qual a liberdade inexiste? Com o seu labor poético ainda em curso, faz da sua literatura um valioso instrumento de denúncia social, voltando a sua mirada às classes menos favorecidas, aos camponeses oprimidos, ao proletariado explorado, à sua Galiza esmagada pelos falangistas e franquistas durante a Guerra Civil Espanhola e pela ditadura que logo após culminou. Cabe salientar que nos anos 60 e 70, o labor literário com traços de compromisso social foi denominado de poesia de combate, poesia social ou socialrealismo. Além disso, suas poesias refletem uma marcante preocupação com a memória e com o vivido, razão pela qual se nota que na reconstituição de histórias de perdas, derrotas, sofrimento e opressão, García reconstitui experiências pessoais e sociais com um espírito de pertença, identificandose com os seus irmãos galegos. Para Halbwachs (2004), só é possível transformar as situações vividas em memória se o sujeito que traz consigo as lembranças sentese afetivamente ligado ao grupo ao qual pertence. É como se estivesse engendrado em uma cadeia de pertencimento afetivo que mantém acesa a chama da memória e isso se torna nítido em García. Os fatos passados estão imbricados entre a memória e a história e encontra na linguagem artística amparo legítimo que reduz, unifica e aproxima no mesmo espaço histórico e cultural a imagem lembrada (BOSI, 1995), ou seja, o ato de rememorar não só aflora as lembranças, mas também o sentimento do momento presente, no qual se complementam no instante do processo de criação de forma subjetiva e produtora de sentidos que compõem o universo estético do autor. No caso de Xosé Lois García, a repressão pela qual passou Galícia durante a Guerra Civil Espanhola ainda se manifesta atual, uma vez que a violência desatada na comunidade galega foi extrema. A forma com que a história é significada pelo sujeito autor, determina a forma com que este entende o momento presente e dá sentido ao seu entendimento de mundo. Nessa perspectiva, o ato poético se insere no mundo por meio da história. O poema não teria sentido nem existência sem a história (PAZ, 1982). Em suma, o presente trabalho tratase de uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, visando a análise e interpretação de material bibliográfico embasado em referencial teórico de crítica e análise literária, engajamento e literaturaItem Os encaixes de dois mundos: modernidade, diversidade e cultura em Josefina Plá(2016-08) Benatti, Andre RezendeNossa proposta de comunicação visa uma exploração de aspectos da modernidade, diversidade e cultura no ensaio Ñanduti: encrucijada de dos mundos, de Josefina Plá. Por modernidade, para Octavio Paz ao longo de sua obra, entendese a convergência dos tempos, passado, presente e futuro, pois o que impulsiona a mudança, a novidade, é a crítica, concebendo assim um presente único em cada época e lugar, de tal modo a modernidade se caracterizaria por ser múltipla, heterogênea. A partir destas acepções buscamos compreender como Josefina Plá, ao longo de sua obra, e aqui especificamente o ensaio sobre o ñanduti, traz elementos da cultura popular primitiva do Paraguai unidos aos elementos estranhos a este, como a própria origem do ñanduti, que é, segundo Josefina Plá, primitivamente uma tela vinda das Ilhas Canárias, mas que, todavia, uniuse ao primitivo do Paraguai criando algo único. Para tal nos valeremos de ensaio da própria autora, a saber Josefina Plá, de conceitos de modernidade de Octavio Paz, Baudelaire e Marshall Berman, para além dos estudos de cultura de Néstor García Canclini e Ticio Escobar.Item Una nueva vida para las postales: Postales negras de Jacqueline Goldberg(2016-08) Kanzepolsky, AdrianaLa lectura, las lecturas, mejor dicho, de una selección de postales compradas por el sujeto lírico durante un viaje a París dan lugar a los poemas que conforman las nueve secciones de Postales negras (2011) de la poeta venezolana Jacqueline Goldberg. Articulados sobre el testimonio de lo que el sujeto lírico ve, “Eso veo” dice uno de los versos de uno de los dos poemas que lleva por título Diane au Bain, y que reproduce el título del cuadro de Watteau, o sobre las preguntas “qué ves”, “qué no ves”, como leemos en otros versos, los poemas se interrogan sobre el mirar y sobre la palabra del otro, palabra fracasada pero a la que se le pide ayuda para poder decir, pero también para escuchar y tal vez mirar mejor. ¿Cómo hacer hablar a la imagen? ¿Cómo conferirle a la imagen “una nueva vida para la memoria”? ¿Cómo operar con ellas a través de la imaginación y desviarlas del silencio de un archivo muerto? parecen ser algunas de las preguntas que articulan el poemario de Goldberg, que se desplaza entre su propia voz, las voces de familiares y amigos, a los que les concede la palabra para que digan aquello que ven y una escena de lectura en la que el sujeto lírico retoma la dicción y los gestos de aquellos que se prestaron al juego de leer las postales. Es sobre esta concepción del poema como un texto plural, como un texto que se escribe a partir de las voces y del silencio de los otros, pero también como un texto que cruza lenguajes, ya que las postales sirven de piedra de toque para la palabra poética, que nuestro trabajo se interroga.Item Prosódia e o Contato Linguístico do espanhol com o Português na Tríplice Fronteira(UNILA, 2016-08) Figueiredo, Natalia dos SantosA proposta desse trabalho é realizar uma descrição prosódica entonacional de enunciados declarativos, interrogativos e imperativos das variedades linguísticas do espanhol paraguaio, nas cidades de Assunção e Ciudad del Este, e argentino, nas cidades de Buenos Aires e Puerto Iguazú em contraste com variedades do português paranaense, das cidades de Curitiba e Foz do Iguaçu. Para o espanhol foram gerados dados a partir de estímulos contextualmente controlados de enunciados em 5 contextos de interação. Quanto aos dados das capitais – Assunção e Buenos Aires – tomamos como referências os enunciados analisados em Prieto & Roseano (2010) e na Nueva Gramática de la Lengua Española (RAE, 2011), porém sobre a região fronteiriça não há referências. Quanto aos dados do português, seguimos a metodologia de coleta de dados de Frota & Cruz (2012- 2015) y selecionamos para as análises enunciados correspondentes aos mesmos contextos selecionados para o espanhol. Desta forma nos propomos a estudar a situação de contatos e de fronteiras nacionais a partir de fenômenos de variação prosódica, do ponto de vista acústico e perceptual. Para estudar a variação e o contato, partimos das teorias sociolinguísticas conhecidas como ecolinguística (MUFWENE, 2001 e 2005). Os resultados iniciais revelam padrões entonativos contrastivos para os três tipos de enunciados, e entre as capitais. Nas cidades fronteiriças encontramos tanto traços convergentes com suas respectivas capitais como divergentes com as capitais mas convergentes entre siItem Macchu Picchu, a cidade “revelada”(2016-08) Abreu, Erica Thereza FariasA cidade perdida dos Incas é o itinerário desse estudo breve sobre as ruínas do império andino. Neste espaço, buscamos refletir sobre o papel destas edificações para o imaginário local, bem como o que sinalizaria o desejo da evocação deste espaço. Segundo a pesquisadora peruana, Mariana Mould de Pease (2001), além do explorador norteamericano pela cidade escondida passaram outros personagens, que serão tema de estudo neste trabalho. O trabalho propõe uma aproximação à obra de Hiram Bingham intitulada “Lost City of the Incas”, na qual o autor trata os construtores da cidade e de sua “descoberta”, bem como das explorações feitas em seus arredores. Além deste trataremos de outro, Agustín Lizarrága, um arrendatário local, que pode haver conhecido a cidade, dentre outros personagens que estariam envolvidos na história da cidade mística. As ruínas — retratadas por imagem e letra no texto do “desbravador” — funcionam como “chave de leitura” sobre o passado. O tópico sobre a ruína leva a outro: o de tempo; os topoi interpelamse dentro do imaginário sobre as ruínas andinas, como exemplo desse encontro, o eulírico de Pablo Neruda promove em Nas alturas de Machu Picchu a voz das ruínas. No poema, analisaremos como ocorre a evocação do tempo e das ruinas como símbolo da passagem: entrelugar literário que promove o encontro dos tempora por meio de um spatium. O passado religase ao presente no desejo do homem pelo controle do tempo, como efeito disso, atribuemselhe nuances e cores que irão marcar a sua passagem pela história. Criaramse as estações, a semana, os meses, o ano. Daí a arte projetarse e marcar o tempo ou a sua passagem. Construindo em pedra, pintando em tela ou papel, modelando barro ou vidro e por último clicando o homem procurar transmitir o espírito de um tempo dando “forma” a um momento por meio de uma imagem.Item O feminino em O Amor nos Tempos do Cólera do Cólera: Uma análise das personagens de Gabriel García Márquez(UNILA, 2016-08) Xavier, Larissa PinheiroA produção literária do autor colombiano Gabriel García Márquez é caracterizada por representar a vida cotidiana, a cultura, questões de gênero e a tradição mescladas à mitologia popular, ao realismo mágico e às histórias contadas por seus familiares, na América Latina. Ele representa nas suas obras a cultura e a tradição e expressa de maneira satírica sua preocupação com a humanidade e o amor à pátria. O romance El amor en los tempos del cólera (2008) traz esse caráter de sua escrita, através da construção dos protagonistas e do contexto sóciohistórico que envolve toda a trama. Apresenta uma gama de valores e questões a serem debatidos, originados de conflitos que constituem a relação entre o individuo e a sociedade, entre o espaço privado e o público e a construção dos gêneros masculinos e femininos, por meio dessas relações. Além disso, merece destaque a construção das personagens femininas na narrativa, já que, através delas, o autor aprofunda questões sociais, de classe e do próprio gênero latinoamericano. As questões de gênero enfatizam a conexão existente entre os elementos afetivos inerentes à suas personagens e à cultura latinoamericana, entrelaçando a realidade e a fantasia, além de pontuar aspectos psicológicos individuais e coletivos, especialmente no que se refere à construção dos papéis sociais ao longo da história. A representação do contexto sóciohistórico do século XIX/XX é encontrada permeando a história de amor dos protagonistas, Florentino e Fermina, e é um fator que influencia direta ou indiretamente suas vidas