Memórias femininas da Vila C: resistência, pertencimento e identidade na construção de Itaipu (1975–2000)

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Data

2026-01-09

Autores

Nunes, Laura Maria Casuin

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O presente artigo tem como objetivo as memórias das mulheres que viveram na Vila C durante a após a construção da usina Hidrelétrica de Itaipu (1975–2000) se vinculam com a narrativa histórica oficial, expondo tensões, resistências e a construção de uma identidade de pertencimento feminino. A Vila C foi um conjunto habitacional destinado aos operários e trabalhadores com menor nível educacional, diferentemente das vilas A e B, destinadas ao alto escalão. A pesquisa utilizou a metodologia da História Oral, essencial para resgatar a perspectiva das mulheres, um grupo historicamente marginalizado nas narrativas hegemônicas da obra. O referencial teórico foi fundamentado nos conceitos de Memória Coletiva e Quadros Sociais de Maurice Halbwachs, na noção de Memória Subterrânea e Resistência Social de Michael Pollak, e na abordagem de Elizabeth Jelin sobre a Memória como Categoria Social e Disputa por Sentido. Por meio das entrevistas de história de vida, observou-se que a Vila C se configurou como um palco de tensões sociais, refletidas no estigma de "pé sujo" imposto aos seus moradores pelos habitantes das Vilas A e B. Contudo, os depoimentos revelaram uma poderosa Memória Subterrânea, marcada pelo rigor das regras da Itaipu e, simultaneamente, pela solidariedade e partilha de alimentos, um hábito ligado à cultura rural trazida pelos migrantes. A coesão grupal, que Pollak chama de "Comunidade Afetiva", solidificou uma identidade positiva (Maria: "a minha cidade, Vila C, meu país"). Essa identidade foi crucial para enfrentar a crise e a ruptura de 1991/1992, quando a transição da administração da Vila C e as demissões em massa desestabilizaram os quadros sociais e forçaram uma reinterpretação da memória. Em conclusão, as memórias femininas não apenas complementam, mas ativamente tensionam a narrativa hegemônica de progresso, evidenciando a hierarquia, a discriminação e, sobretudo, a resiliência e a coesão de uma comunidade de pertencimento. Resumen El presente artículo tiene como objetivo analizar cómo las memorias de las mujeres que vivieron en Vila C durante y después de la construcción de la Central Hidroeléctrica de Itaipu (1975–2000) se articulan con la narrativa histórica oficial, exponiendo tensiones, resistencias y la construcción de una identidad de pertenencia femenina. Vila C fue el conjunto habitacional destinado a los operarios y trabajadores con menor nivel educativo, a diferencia de las Vilas A y B, destinadas al personal de alta dirección. La investigación utilizó la metodología de la Historia Oral, crucial para rescatar la perspectiva de las mujeres, un grupo históricamente marginado en las narrativas hegemónicas de la obra. El marco teórico se fundamentó en los conceptos de Memoria Colectiva y Marcos Sociales de Maurice Halbwachs , en la noción de Memoria Subterránea y Resistencia Social de Michael Pollak , y en el enfoque de Elizabeth Jelin sobre la Memoria como Categoría Social y Disputa por Sentido. A través de las entrevistas de historia de vida, se observó que Vila C se configuró como un escenario de tensiones sociales, reflejadas en el estigma de "pie sucio" impuesto a sus habitantes por los residentes de las Vilas A y B. No obstante, los testimonios revelaron una poderosa Memoria Subterránea, marcada tanto por el rigor de las reglas de Itaipu como, simultáneamente, por la solidaridad y el compartir de alimentos, un hábito vinculado a la cultura rural traída por los migrantes. La cohesión grupal, que Pollak denomina "Comunidad Afectiva" , consolidó una identidad positiva (María: "a minha cidade, Vila C, meu país" - "mi ciudad, Vila C, mi país"). Esta identidad fue crucial para enfrentar la crisis y la ruptura de 1991/1992, cuando la transición de la administración de Vila C y los despidos masivos desestabilizaron los Marcos Sociales y forzaron una reinterpretación de la memoria. En conclusión, las memorias femeninas no solo complementan, sino que activamente tensionan la narrativa hegemónica de progreso, al evidenciar la jerarquía, la discriminación y, sobre todo, la resiliencia y la cohesión de una comunidad de pertinência.

Abstract

Descrição

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial para a obtenção de título de licenciado em História - Licenciatura.

Palavras-chave

mulheres, Vila C (Foz do Iguaçu), Itaipu, Reservatorio de (Brasil e Paraguai), memória coletiva

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