História e literatura: a ressignificação da bruxaria no romance Akelarre (2019), de Mario Mendoza

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2026-06-29

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Resumo

Este trabalho examina a representação da bruxaria no romance Akelarre (2019), de Mario Mendoza, analisando-a como uma ressignificação de práticas historicamente estigmatizadas. Parte-se da premissa de que a construção da bruxaria como heresia demoníaca pelos tribunais da Inquisição serviu como mecanismo de controle sobre os corpos femininos, refletindo dinâmicas de poder que persistem na modernidade. No enredo, ambientado no caos urbano de Bogotá, a bruxaria emerge não como elemento fantástico, mas como forma de resistência e transgressão. Através das trajetórias de Frank Molina, do padre Lázaro e, sobretudo, de Letícia , que se descobre bruxa em meio a uma série de assassinatos de prostitutas, e também da bruxa Mama Larisa. A partir de referenciais teórico-metodológicos na relação entre História e Literatura, a análise demonstra que obra revela o uso político de saberes ancestrais, destacando práticas como a parteria, o aborto e o uso medicinal de plantas como ferramentas de autonomia contra a violência patriarcal e a herança colonial. Assim, a narrativa de Mendoza é utilizada para refletir sobre a marginalização social e a potência desses saberes dissidentes na Colômbia contemporânea. Resumen Este trabajo examina la representación de la brujería en la novela Akelarre (2019) de Mario Mendoza, analizándola como una resignificación de prácticas históricamente estigmatizadas. Parte de la premisa de que la construcción de la brujería como herejía demoníaca por parte de los tribunales de la Inquisición sirvió como mecanismo de control sobre los cuerpos femeninos, reflejando dinámicas de poder que persisten en la modernidad. En la trama, ambientada en el caos urbano de Bogotá, la brujería emerge no como un elemento fantástico, sino como una forma de resistencia y transgresión. A través de las trayectorias de Frank Molina, del padre Lázaro y, sobre todo, de Leticia, quien descubre que es bruja en medio de una serie de asesinatos de prostitutas, y también de la bruja Mama Larisa. A partir de referentes teórico-metodológicos en la relación entre Historia y Literatura, el análisis demuestra que la obra revela el uso político de saberes ancestrales, destacando prácticas como la partería, el aborto y el uso medicinal de plantas como herramientas de autonomía frente a la violencia patriarcal y la herencia colonial. Así, la narrativa de Mendoza se utiliza para reflexionar sobre la marginalización social y la potencia de estos saberes disidentes en la Colombia contemporánea.

Abstract

This work examines the representation of witchcraft in Mario Mendoza's novel Akelarre (2019), analyzing it as a re-signification of historically stigmatized practices. It starts from the premise that the construction of witchcraft as demonic heresy by the Inquisition courts served as a mechanism of control over female bodies, reflecting power dynamics that persist in modernity. In the plot, set in the urban chaos of Bogotá, witchcraft emerges not as a fantastic element, but as a form of resistance and transgression. This is shown through the trajectories of Frank Molina, Father Lázaro, and especially Leticia, who discovers herself as a witch amidst a series of murders of prostitutes, as well as the witch Mama Larisa. Drawing on theoretical and methodological frameworks connecting History and Literature, the analysis demonstrates that the work reveals the political use of ancestral knowledge, highlighting practices such as midwifery, abortion, and the medicinal use of plants as tools of autonomy against patriarchal violence and colonial legacy. Thus, Mendoza’s narrative is used to reflect on social marginalization and the power of these dissident knowledges in contemporary Colombia.

Descrição

Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em História.

Palavras-chave

bruxaria, Mendoza Zambrano, Mario, 1964-, História, literatura

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