Entre honra, castigo e reconstrução: vivências das mulheres paraguaias na Guerra Guasú e no pós-conflito

Resumo

O presente artigo analisa as experiências femininas durante e após a Guerra Guasú (1864–1870), compreendendo como os papéis de cuidado, maternidade, luto e resistência foram profundamente moldados pela violência estatal e pelas estruturas coloniais que atravessaram o conflito. A partir da distinção entre residentas e destinadas, discute-se como o Estado paraguaio produziu categorias de controle moral e político sobre os corpos das mulheres, exaltando umas como símbolos de patriotismo e relegando outras à condição de inimigas internas sujeitas a punição, exílio e apagamento social. Com base em documentos da época, testemunhos e revisão historiográfica, investigam-se as diversas formas de atuação feminina. Argumenta-se que, diante da ampla devastação demográfica e territorial, a maternidade adquiriu caráter político central, articulando práticas de luto, preservação da memória e resistência frente à violência patriarcal e estatal. Resumen El presente artículo analiza las experiencias femeninas durante y después de la Guerra del Paraguay (1864-1870), comprendiendo cómo los roles de cuidado, maternidad, duelo y resistencia fueron profundamente moldeados por la violencia estatal y las estructuras coloniales que atravesaron el conflicto. A partir de la distinción entre residentes y destinadas, se discute cómo el Estado paraguayo produjo categorías de control moral y político sobre los cuerpos de las mujeres, exaltando a unas como símbolos de patriotismo y relegando a otras a la condición de enemigas internas sujetas a castigo, exilio y borrado social. A partir de documentos de la época, testimonios y revisión historiográfica, se investigan las diversas formas de actuación femenina. Se argumenta que, ante la amplia devastación demográfica y territorial, la maternidad adquirió un carácter político central, articulando prácticas de duelo, preservación de la memoria y resistencia frente a la violencia patriarcal y estatal.

Abstract

This article analyzes women's experiences during and after the Guasu War (1864–1870), understanding how the roles of caregiving, motherhood, mourning, and resistance were profoundly shaped by state violence and the colonial structures that permeated the conflict. Based on the distinction between residents and those destined elsewhere, it discusses how the Paraguayan state produced categories of moral and political control over women's bodies, exalting some as symbols of patriotism and relegating others to the status of internal enemies subject to punishment, exile, and social erasure. Based on documents from the period, testimonies, and historiographical review, the various forms of female action are investigated. It is argued that, in the face of widespread demographic and territorial devastation, motherhood acquired a central political character, articulating practices of mourning, preservation of memory, and resistance in the face of patriarchal and state violence.

Descrição

Monografia apresentada como requisito parcial para a obtenção do grau de Especialista em Integração Paraguai-Brasil: Relações Bilaterais, Desenvolvimento e Fronteiras.

Palavras-chave

maternidade, mulheres , violência, Paraguai, Guerra do, 1865-1870 - mulheres

Citação