O REI DA VELA “ILUMINANDO” A MEMÓRIA POLÍTICA BRASILEIRA ATRAVÉS DO TEATRO OFICINA.
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Data
2026-05-28
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Resumo
O presente trabalho busca investigar a peça O Rei da Vela (1933), de Oswald de
Andrade, como instrumento de crítica social e como meio de reconstrução da memória
política nacional. A pesquisa se concentra nas encenações realizadas pelo Teatro
Oficina, sob direção de José Celso Martinez Corrêa, em 1967 e 2017. A presente
pesquisa parte do pressuposto de que o teatro como prática social, pode
desempenhar um papel central como elemento de resistência cultural e na produção
de novas formas de consciência histórica, sobretudo, em contextos de repressão e
silenciamento institucional. Adotando uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, a
pesquisa se fundamenta nos campos da Literatura Comparada, História Cultural e
Estética Teatral. Para isso, articula teoria e crítica com base em autores como Roberto
Schwarz (2000), Sábato Magaldi (1997), Décio de Almeida Prado (1977), Kátia
Paranhos (2012), entre outros(as). Ao analisar o texto dramatúrgico oswaldiano,
percebemos sua radicalidade formal e sua abordagem corrosiva das estruturas de
poder que sustentam o capitalismo no Brasil. A peça desconstrói os valores da elite
nacional por meio de uma linguagem grotesca, irônica e fragmentária, articulada pelos
princípios da Antropofagia. A encenação de 1967, em plena Ditadura Militar,
transformou o palco em arena de confronto político e simbólico, ao passo que sua
remontagem, em 2017, reafirmou a atualidade da crítica oswaldiana em contexto de
incertezas democráticas e de recrudescimento conservador. A metáfora da “jaula”,
construída cenicamente pelo grupo de Teatro Oficina, representava não apenas os
limites impostos pela censura, mas também a opressão histórica e sistêmica imposta
sobre o povo brasileiro. O trabalho especula que O Rei da Vela, tanto em sua escrita
original, quanto nas encenações dirigidas por Corrêa, constitui-se como obra de
denúncia e de insubordinação simbólica, capaz de iluminar as permanências
estruturais da desigualdade e da submissão cultural no Brasil. Ao mesmo tempo,
evidencia a potência do teatro como território de enfrentamento e produção de
memória crítica. Em um cenário marcado por apagamentos da memória e disputas de
narrativa sobre o passado, revisitar essa peça torna-se um ato necessário de
afirmação da arte como espaço de liberdade, justiça e reconstrução da consciência
histórica.
Abstract
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Literatura Comparada.
Palavras-chave
Palavras-chave: Teatro político, Oswald de Andrade, José Celso Martinez Corrêa, Ditadura militar, Antropofagia.