ENTRE MUNDOS E FRONTEIRAS: UMA AUTOETNOGRAFIA A PARTIR DE O SILÊNCIO DO ALBATROZ

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Data

2026-08-23

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Resumo

Esta dissertação apresenta uma análise autoetnográfica da experiência de um homem trans árabe que vivenciou deslocamentos físicos, simbólicos e identitários entre o Brasil e o Líbano, particularmente entre a cidade de Foz do Iguaçu (PR), na tríplice fronteira sul-americana, e diferentes territórios libaneses, como Aayteet (sul do Líbano), Beirute e Sur (Tiro). Parte-se do entendimento de que tais deslocamentos não se limitam ao plano geográfico, sendo atravessados por fronteiras culturais, religiosas, linguísticas, racializadas e de gênero que incidem na constituição da subjetividade, do corpo e das formas de pertencimento. O objetivo da pesquisa é analisar como essas múltiplas fronteiras influenciam processos de negociação identitária, resistência, perda e reinvenção ao longo da trajetória do autor, incluindo as rupturas territoriais e comunitárias associadas à transição de gênero. O principal corpus empírico consiste no diário pessoal O Silêncio do Albatroz, produzido desde a infância como prática de elaboração emocional e posteriormente como estratégia de sobrevivência psíquica e narrativa. O diário reúne memórias, fragmentos escritos, imagens e registros autobiográficos mobilizados nesta pesquisa como fonte documental e como dispositivo metodológico. A investigação fundamenta-se na autoetnografia crítica, inspirada nos trabalhos de Carolyn Ellis e Arthur P. Bochner, articulada a debates sobre fronteira e mestiçagem cultural em Gloria Anzaldúa, orientalismo em Edward Said, colonialidade de gênero em Maria Lugones e estudos sobre transgeneridade desenvolvidos por Berenice Bento. Os resultados evidenciam que processos de racialização de corpos árabes na América Latina produzem experiências de alteridade, suspeição e islamofobia, ao mesmo tempo em que revelam tensões entre religião e transgeneridade em contextos árabe-islâmicos. Contudo, tais experiências também evidenciam possibilidades de resistência, reinterpretação religiosa e reconstrução identitária. Conclui-se que a experiência de corpos trans árabes constitui uma forma situada de produção de conhecimento sobre fronteira, exílio, fé e pertencimento. Ao inscrever a experiência autobiográfica no campo acadêmico, a pesquisa contribui para ampliar o debate sobre transgeneridade em contextos árabe-islâmicos na América Latina e para tensionar narrativas hegemônicas sobre identidade, religião e diáspora. Palavras-chave: Autoetnografia; Transgeneridade; Arabidade; Racialização; Exílio.

Abstract

Descrição

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Estudos Latino-Americanos.

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