Geopolítica dos bancos de dados: do valor da informação ao colonialismo digital

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Data

2026-02-10

Autores

Maia, Brenda Rutchay da Silva

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Resumo

O presente trabalho investiga a geopolítica dos bancos de dados no capitalismo contemporâneo, analisando a transição do valor da informação para as dinâmicas do colonialismo digital, com foco na América Latina. Partindo de uma abordagem qualitativa, que combina análise bibliográfica, documental e interpretativa, o estudo articula conceitos da geografia crítica, da economia política da informação e dos estudos sobre tecnologia. Objetiva-se compreender como o poder informacional se territorializa, examinando a atuação das corporações globais conhecidas como Big Four (Deloitte, PwC, EY e KPMG) e, posteriormente, das Big Techs (como Google, Amazon, Meta). A pesquisa demonstra uma mudança estrutural: de um modelo em que as Big Four atuavam como intermediárias técnico-financeiras, gerenciando e interpretando dados estratégicos para Estados e empresas, para um novo paradigma em que as Big Techs assumem o controle direto da infraestrutura material e lógica dos fluxos informacionais (datacenters, cabos submarinos, plataformas). A análise empírica, incluindo a observação da localização estratégica dos escritórios das Big Four em São Paulo e Buenos Aires e a construção de um índice de acesso a bancos de dados públicos em 20 países latino-americanos, evidencia como esse poder se manifesta espacialmente em centralidades corporativas e revela profundas assimetrias regionais na soberania digital. Conclui-se que o controle sobre dados e infraestrutura digital consolida novas formas de dependência e subordinação na região, caracterizadas como colonialismo digital, onde o valor gerado localmente é sistematicamente apropriado por agentes externos, aprofundando desigualdades e limitando a autonomia tecnológica e informacional dos Estados latino-americanos. Resumen El presente trabajo investiga la geopolítica de las bases de datos en el capitalismo contemporáneo, analizando la transición del valor de la información hacia las dinámicas del colonialismo digital, con foco en América Latina. Partiendo de un abordaje cualitativo, que combina análisis bibliográfico, documental e interpretativo, el estudio articula conceptos de la geografía crítica, de la economía política de la información y de los estudios sobre tecnología. Se tiene como objetivo comprender cómo el poder informacional se territorializa, examinando la actuación de las corporaciones globales conocidas como Big Four (Deloitte, PwC, EY y KPMG) y, posteriormente, de las Big Techs (como Google, Amazon, Meta). La investigación demuestra un cambio estructural: de un modelo en el que las Big Four actuaban como intermediarias técnico-financieras, gestionando e interpretando datos estratégicos para Estados y empresas, hacia un nuevo paradigma en el que las Big Techs asumen el control directo de la infraestructura material y lógica de los flujos informacionales (datacenters, cables submarinos, plataformas). El análisis empírico, que incluye la observación de la localización estratégica de las oficinas de las Big Four en São Paulo y Buenos Aires y la construcción de un índice de acceso a bases de datos públicas en 20 países latinoamericanos, evidencia cómo este poder se manifiesta espacialmente en centralidades corporativas y revela profundas asimetrías regionales en la soberanía digital. Se concluye que el control sobre los datos y la infraestructura digital consolida nuevas formas de dependencia y subordinación en la región, caracterizadas como colonialismo digital, donde el valor generado localmente es sistemáticamente apropiado por agentes externos, profundizando desigualdades y limitando la autonomía tecnológica e informacional de los Estados latinoamericanos.

Abstract

This paper investigates the geopolitics of databases in contemporary capitalism, analyzing the transition from the value of information to the dynamics of digital colonialism, with a focus on Latin America. Based on a qualitative approach that combines bibliographic, documentary, and interpretative analysis, the study articulates concepts from critical geography, the political economy of information, and technology studies. The aim is to understand how informational power becomes territorialized by examining the role of global corporations known as the Big Four (Deloitte, PwC, EY, and KPMG) and, subsequently, Big Techs (such as Google, Amazon, Meta). The research demonstrates a structural shift: from a model in which the Big Four acted as technical-financial intermediaries, managing and interpreting strategic data for states and corporations, to a new paradigm in which Big Techs assume direct control over the material infrastructure and logic of informational flows (data centers, submarine cables, platforms). Empirical analysis, including the observation of the strategic location of Big Four offices in São Paulo and Buenos Aires and the construction of an index measuring access to public databases in 20 Latin American countries, demonstrates how this power is spatially manifested in corporate centralities and reveals deep regional asymmetries in digital sovereignty. The conclusion is that control over data and digital infrastructure consolidates new forms of dependence and subordination in the region, characterized as digital colonialism, where locally generated value is systematically appropriated by external actors, deepening inequalities and limiting the technological and informational autonomy of Latin American states.

Descrição

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Tecnologia, Infraestrutura e Território da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de licenciado em Geografia - Licenciatura.

Palavras-chave

geopolítica, bancos de dados, colonialismo , soberania

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