A consciência relacional e o sonho como tecido compartilhado de um mundo vivo
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Data
2026-04-13
Autores
Rocha, Raiza Vinhal
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Resumo
A dissertação a seguir investiga a noção de consciência relacional, propondo o sonho como uma das principais vias de acesso a uma dimensão ampliada da experiência que não se limita ao sujeito humano nem ao funcionamento cerebral individual. Partindo da crítica à “bifurcação da natureza”, formulada por Whitehead, o trabalho questiona a separação moderna entre mente e mundo, sujeito e objeto, matéria e experiência, apontando seus desdobramentos epistemológicos, políticos e ecológicos. A pesquisa articula contribuições da filosofia do processo, da ecopsicologia de Roszak, da teoria de Gaia de Lovelock, da cosmopolítica de Stengers e das cosmologias ameríndias para sustentar a hipótese de que a consciência emerge das relações e não de entidades isoladas. O pensamento de Wilfred Bion é mobilizado para compreender o sonhar como função contínua de transformação da experiência emocional, operante tanto na vigília quanto no sono, e extensível aos grupos e coletivos. A noção de “sonhar a experiência” é apresentada como condição para o pensamento, para a aprendizagem e para a saúde psíquica individual e coletiva. A partir do diálogo com Davi Kopenawa, Karen Shiratori e Hanna Limulja, o trabalho desloca o sonho do campo da interioridade psicológica para o de uma prática ontológica e epistemológica em que o sonhar constitui um acontecimento real, capaz de articular humanos, espíritos, animais e territórios. O conceito yanomami de mari tëhë (tempo do sonho) é explorado como um espaço-tempo relacional, não linear, no qual passado, presente e futuro se entrelaçam, permitindo a atualização contínua dos mitos e a manutenção da vida. Sustenta-se, finalmente, que sonhar pode ser compreendido como uma prática cosmopolítica fundamental, capaz de recompor os fios rompidos da experiência moderna e de reinscrever a existência humana no tecido vivo e sensível do planeta.
Resumen
La presente disertación investiga la noción de conciencia relacional, proponiendo el sueño como una de las principales vías de acceso a una dimensión ampliada de la experiencia que no se limita al sujeto humano ni al funcionamiento cerebral individual. A partir de la crítica a la “bifurcación de la naturaleza”, formulada por Whitehead, el trabajo cuestiona la separación moderna entre mente y mundo, sujeto y objeto, materia y experiencia, señalando sus desdoblamientos epistemológicos, políticos y ecológicos. La investigación articula aportes de la filosofía del proceso, de la ecopsicología de Roszak, de la teoría de Gaia de Lovelock, de la cosmopolítica de Stengers y de las cosmologías amerindias para sostener la hipótesis de que la conciencia emerge de las relaciones y no de entidades aisladas. El pensamiento de Wilfred Bion se moviliza para comprender el soñar como una función continua de transformación de la experiencia emocional, operante tanto en la vigilia como en el sueño, y extensible a los grupos y colectivos. La noción de “soñar la experiencia” se presenta como condición para el pensamiento, el aprendizaje y la salud psíquica individual y colectiva. A partir del diálogo con Davi Kopenawa, Karen Shiratori y Hanna Limulja, el trabajo desplaza el sueño del campo de la interioridad psicológica al de una práctica ontológica y epistemológica, en la que soñar constituye un acontecimiento real capaz de articular humanos, espíritus, animales y territorios. El concepto yanomami de mari tëhë (tiempo del sueño) se explora como un espacio-tiempo relacional, no lineal, en el que pasado, presente y futuro se entrelazan, permitiendo la actualización continua de los mitos y el mantenimiento de la vida. Finalmente, se sostiene que soñar puede comprenderse como una práctica cosmopolítica fundamental, capaz de recomponer los hilos rotos de la experiencia moderna y de reinscribir la existencia humana en el tejido vivo y sensible del planeta.
Abstract
This dissertation investigates the notion of relational consciousness, proposing dreaming as one of the main pathways of access to an expanded dimension of experience that is not limited to the human subject nor to individual cerebral functioning. Drawing on the critique of the “bifurcation of nature” formulated by Whitehead, the study questions the modern separation between mind and world, subject and object, matter and experience, highlighting its epistemological, political, and ecological consequences. The research brings together contributions from process philosophy, Roszak’s ecopsychology, Lovelock’s Gaia theory, Stengers’ cosmopolitics, and Amerindian cosmologies to support the hypothesis that consciousness emerges from relations rather than from isolated entities. Wilfred Bion’s thought is mobilized to understand dreaming as a continuous function of transforming emotional experience, operative both in waking life and in sleep, and extendable to groups and collectives. The notion of “dreaming the experience” is presented as a condition for thinking, learning, and individual and collective psychic health. Through dialogue with Davi Kopenawa, Karen Shiratori and Hanna Limulja, the study shifts dreaming from the domain of psychological interiority to that of an ontological and epistemological practice, in which dreaming constitutes a real event capable of articulating humans, spirits, animals, and territories. The Yanomami concept of mari tëhë (time of the dream) is explored as a relational, non-linear space-time in which past, present, and future intertwine, allowing for the continuous renewal of myths and the maintenance of life. Finally, the dissertation argues that dreaming can be understood as a fundamental cosmopolitical practice, capable of recomposing the broken threads of modern experience and reinscribing human existence within the living and sensitive fabric of the planet.
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcialà obtenção do título de Mestra em Estudos Latino-Americanos.
Palavras-chave
consciência, sonhos, inconsciente , perspectivismo