“A Ameaça da Guatemala”: as representações do golpe contra Jacobo Árbenz em 1954 e o anticomunismo nas páginas d’O Globo
| dc.contributor.author | Corrente, Bruno de Miranda | |
| dc.date.accessioned | 2026-06-26T00:01:38Z | |
| dc.date.available | 2026-06-26T00:01:38Z | |
| dc.date.issued | 2026-06-26 | |
| dc.description | Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em História. | |
| dc.description.abstract | Este trabalho tem como objetivo analisar as representações do jornal O Globo sobre o golpe de Estado contra Jacobo Árbenz, ocorrido na Guatemala em 1954. Busca-se compreender como o evento foi apresentado e repercutido pela imprensa brasileira. Inserido no contexto da Guerra Fria, o episódio guatemalteco constituiu um marco na história da América Latina ao representar o primeiro êxito da CIA no continente, com o triunfo da operação secreta PBSUCCESS. O estudo propõe investigar de que maneira O Globo analisou e se posicionou em relação ao golpe, bem como compreender como a Guatemala e o presidente Árbenz foram retratados ao longo de 1954. Considera-se que tais representações foram construídas a partir de uma perspectiva anticomunista característica da grande imprensa no período inicial da Guerra Fria. Como referencial teórico nos apropriamos dos conceitos de “esquemas intelectuais incorporados” e de “lutas de representações” de Roger Chartier. No campo metodológico, recorremos às contribuições de Tania Regina de Luca e José D’Assunção Barros, que orientam o uso da imprensa como fonte e objeto de pesquisa histórica. Dessa forma, reforça-se a importância da imprensa em uma perspectiva transnacional, ao evidenciar como um golpe ocorrido na América Central foi interpretado por um jornal brasileiro. Conclui-se, portanto, que O Globo legitimou o golpe contra Árbenz, uma vez que, como representante de setores liberais e anticomunistas brasileiros, difundiu representações que vinculavam o comunismo a uma ameaça à democracia liberal. Nesse sentido, o jornal instrumentalizou uma retórica que associava conquistas sociais, como a ampliação dos direitos trabalhistas e a reforma agrária, ao avanço do chamado “perigo vermelho”, apresentando a deposição do governo guatemalteco como uma resposta necessária à suposta ameaça comunista no continente americano. Resumen Este trabajo tiene como objetivo analizar las representaciones del periódico O Globo sobre el golpe de Estado contra Jacobo Árbenz, ocurrido en Guatemala en 1954. Se busca comprender cómo este acontecimiento fue presentado y difundido en la prensa brasileña. Enmarcado en el contexto de la Guerra Fría, el episodio guatemalteco constituyó un hito en la historia de América Latina, al representar el primer éxito de la CIA en el continente, con el triunfo de la operación encubierta PBSUCCESS. El estudio propone examinar de qué manera O Globo interpretó y se posicionó frente al golpe, así como comprender cómo fueron representados Guatemala y el presidente Árbenz a lo largo de 1954. Se considera que dichas representaciones fueron construidas desde una perspectiva anticomunista, característica de la gran prensa en el período inicial de la Guerra Fría. El marco teórico se basa en los conceptos de “esquemas intelectuales incorporados” y “luchas de representaciones” de Roger Chartier. En el plano metodológico, se recurre a las contribuciones de Tania Regina de Luca y José D’Assunção Barros, quienes orientan el uso de la prensa como fuente y objeto de investigación histórica. En este sentido, se refuerza la importancia de la prensa desde una perspectiva transnacional, al evidenciar cómo un golpe ocurrido en América Central fue interpretado por un periódico brasileño. Se concluye que O Globo legitimó el golpe contra Árbenz, en la medida en que, como representante de sectores liberales y anticomunistas de la sociedad brasileña, difundió representaciones que vinculaban el comunismo con una amenaza a la democracia liberal. En este sentido, el periódico instrumentalizó un discurso que asociaba las conquistas sociales, como la ampliación de los derechos laborales y la reforma agraria, con el avance del llamado “peligro rojo”, presentando la deposición del gobierno guatemalteco como una respuesta necesaria ante la supuesta amenaza comunista en el continente americano. | |
| dc.identifier.uri | https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9836 | |
| dc.language.iso | vi | |
| dc.rights | openAccess | |
| dc.subject | O Globo (Jornal) | |
| dc.subject | Arbenz Guzman, Jacob, 1913-1971 | |
| dc.subject | Guatemala | |
| dc.subject | imprensa e política | |
| dc.title | “A Ameaça da Guatemala”: as representações do golpe contra Jacobo Árbenz em 1954 e o anticomunismo nas páginas d’O Globo | |
| dcterms.abstract | This study aims to analyze the representations of the newspaper O Globo regarding the coup d’état against Jacobo Árbenz, which took place in Guatemala in 1954. It seeks to understand how this event was presented and discussed within the Brazilian press. Situated in the context of the Cold War, the Guatemalan episode represented a landmark in Latin American history as it marked the first successful CIA operation on the continent, culminating in the triumph of the covert operation PBSUCCESS. The study proposes to examine how O Globo interpreted and positioned itself in relation to the coup, as well as how Guatemala and President Árbenz were portrayed throughout 1954. These representations are understood as being constructed from an anticommunist perspective characteristic of the mainstream press in the early Cold War period. The theoretical framework draws on Roger Chartier’s concepts of “embodied intellectual schemes” and “struggles of representation.” Methodologically, the research engages with the contributions of Tania Regina de Luca and José D’Assunção Barros, who provide guidance for using the press both as a historical source and as an object of historical inquiry. In this sense, the study reinforces the importance of the press in a transnational perspective, highlighting how a coup that took place in Central America was interpreted by a Brazilian newspaper. It concludes that O Globo legitimized the coup against Árbenz, insofar as, as a representative of liberal and anti-communist sectors of Brazilian society, it disseminated representations that framed communism as a threat to liberal democracy. In this regard, the newspaper mobilized a discourse that associated social achievements, such as the expansion of labor rights and agrarian reform, with the advance of the so-called “red scare,” presenting the overthrow of the Guatemalan government as a necessary response to the alleged communist threat in the American continent. |
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