MORADAS DA MEMÓRIA - O CASO DA HORTA DO SEU ZÉ E DA DONA LAÍDE EM FOZ DO IGUAÇU/PR
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Data
2026-07-31
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Resumo
Este trabalho analisa a relação entre memória, território e direito à moradia a partir da trajetória da Horta do Seu Zé e da Dona Laíde,
localizada em Foz do Iguaçu, Paraná, atualmente reconhecida como Comunidade Quilombola Horta do Seu Zé e da Dona Laíde. A pesquisa
parte da compreensão de que o território para comunidades tradicionais ultrapassa sua dimensão física, constituindo-se como espaço de
construção das memórias, da identidade, dos vínculos familiares, das práticas culturais, da produção de alimentos e da reprodução da vida.
O objetivo consiste em demonstrar como os processos de remoção forçada representam violações de direitos humanos e comprometem a
permanência desses modos de vida, evidenciando a importância da preservação das territorialidades quilombolas. Como metodologia, foram
adotadas revisão bibliográfica, pesquisa documental, trabalho de campo, entrevistas com a Família Santos e levantamento histórico sobre a
formação da comunidade e os conflitos fundiários vivenciados ao longo de sua trajetória. A pesquisa reconstrói a história da família desde
sua chegada no Quilombo Apepu até a constituição da horta urbana, destacando sua contribuição para a produção agroecológica, a
recuperação ambiental, a educação popular e a segurança alimentar na cidade de Foz do Iguaçu, bem como as mobilizações sociais,
acadêmicas e institucionais em defesa da permanência da comunidade diante das ameaças de despejo.
Este trabalho reafirma a importância de arquitetos e arquitetas urbanistas aprenderem a ler as memórias inscritas nas paisagens populares,
compreendendo-as como territórios vivos, tecidos pelas mãos, pelos corpos e pelas histórias de quem as habita. Como exercício sensível,
aproxima-se da construção da paisagem quilombola e dos processos de aquilombamento da Comunidade Horta do Zé e da Laíde, localizada
na região norte de Foz do Iguaçu. Por meio da história oral e de trabalhos de campo de caráter etnográfico, desvela uma paisagem
autoconstruída a partir de práticas tradicionais, onde cada caminho aberto, cada horta cultivada e cada morada erguida guardam vestígios
de memórias, afetos e resistências.
Como resultado, evidencia-se que a memória coletiva constitui elemento fundamental para o reconhecimento e a proteção dos direitos
territoriais das comunidades tradicionais, reafirmando o papel da arquitetura e do urbanismo como instrumentos de promoção da justiça
social, valorização do patrimônio cultural e fortalecimento das lutas pelo direito ao território.
Sem pretender esgotar essa experiência, o trabalho convida o leitor a desacelerar o olhar e a reconhecer a complexidade que habita o
cotidiano aparentemente simples. Revela uma paisagem que não é apenas cenário, mas um organismo vivo, continuamente moldado pelas
relações entre pessoas, terra e memória. É na persistência desses gestos cotidianos que se constrói a morada e se afirma a resistência de
uma comunidade que faz da paisagem um modo de existir.
Abstract
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Tecnologia, Infraestrutura e Território da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.
Palavras-chave
memória coletiva, comunidades quilombolas, território, paisagem popular