SEDIMENTANDO A NOVA ORDEM MUNDIAL: A BELT AND ROAD INITIATIVE E O PAPEL DA AMÉRICA LATINA NA ASCENSÃO HEGEMÔNICA DA CHINA
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Data
2026-07-09
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Resumo
O presente trabalho analisa o processo de reconfiguração do sistema internacional contemporâneo a partir da ascensão econômica da República Popular da China e de sua projeção geoeconômica sobre a América Latina e o Caribe. O contexto global hodierno indica um processo de transição hegemônica estrutural, na qual a Iniciativa do Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative) emerge como o principal instrumento institucional de Beijing para converter suas capacidades produtivas e financeiras em liderança sistêmica. Diante desse cenário de disputa global, a pesquisa tem como objetivo geral investigar de que modo a Iniciativa do Cinturão e Rota e os demais mecanismos de inserção chinesa na região latino-americana contribuem para a sedimentação de um novo bloco histórico contra-hegemônico. Para atingir esse propósito, o estudo examina as dimensões materiais e superestruturais desse fenômeno, articulando os ciclos sistêmicos de acumulação de Giovanni Arrighi com a teoria das forças sociais e dos blocos históricos postulada por Robert Cox e fundamentada no pensamento gramsciano. A metodologia empregada adota uma abordagem qualitativa e histórico-estrutural, alicerçada em pesquisa bibliográfica e documental que utiliza dados atualizados de organismos internacionais e plataformas de monitoramento financeiro para mapear os fluxos de comércio e investimento. Adicionalmente, o trabalho aplica o método de estudo comparado para compreender as especificidades das relações bilaterais e a atuação decisiva das forças sociais internas nos vinte e três países signatários do memorando da iniciativa no subcontinente. Os resultados alcançados demonstram que a China constrói ativamente as bases de um bloco histórico regional por meio de uma estratégia multidimensional e pragmática na qual, na dimensão material e infraestrutural, a atuação asiática consolida-se via financiamento de megaprojetos logísticos, portuários e energéticos, pela assinatura estratégica de Tratados de Livre Comércio e pela institucionalização do multilateralismo sinocêntrico através do Fórum China-CELAC, enquanto, na dimensão superestrutural, Beijing garante o consentimento mediante o emprego de ferramentas de aquiescência ideológica, da diplomacia cultural, de parcerias acadêmicas e da capilaridade da paradiplomacia urbana. Contudo, os achados revelam que essa inserção reproduz e aprofunda as assimetrias históricas inerentes à relação centro-periferia, visto que a região mantém o seu papel histórico de fornecedora primário-exportadora de recursos naturais e importadora de manufaturas de alto valor agregado. Observa-se, por fim, que o bloco histórico sinocêntrico na América Latina ainda se encontra em estágio incompleto de formação e apresenta heterogeneidades internas, enfrentando resistências de setores industriais ameaçados, tensões com populações locais afetadas por práticas neoextrativistas e a pressão geopolítica dos Estados Unidos. Conclui-se, portanto, que a transição hegemônica em curso não promove uma ruptura sistêmica imediata com a ordem global preestabelecida, mas opera uma reconfiguração gradual das hierarquias do sistema-mundo contemporâneo.
Abstract
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Economia, Sociedade e Política da Universidade Federal da Integração Latino- Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais e Integração.
Palavras-chave
Belt and Road Initiative, América Latina, transição hegemônica, relações sino-latino-americanas, economia política internacional.