Sedimentando a nova ordem mundial: a Belt And Road Initiative e o papel da América Latina na ascensão hegemônica da China
| dc.contributor.author | Miguel Caselato, Joab | |
| dc.date.accessioned | 2026-07-09T12:32:14Z | |
| dc.date.available | 2026-07-09T12:32:14Z | |
| dc.date.issued | 2026-07-09 | |
| dc.description | Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Economia, Sociedade e Política da Universidade Federal da Integração Latino- Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais e Integração. | |
| dc.description.abstract | O presente trabalho analisa o processo de reconfiguração do sistema internacional contemporâneo a partir da ascensão econômica da República Popular da China e de sua projeção geoeconômica sobre a América Latina e o Caribe. O contexto global hodierno indica um processo de transição hegemônica estrutural, na qual a Iniciativa do Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative) emerge como o principal instrumento institucional de Beijing para converter suas capacidades produtivas e financeiras em liderança sistêmica. Diante desse cenário de disputa global, a pesquisa tem como objetivo geral investigar de que modo a Iniciativa do Cinturão e Rota e os demais mecanismos de inserção chinesa na região latino-americana contribuem para a sedimentação de um novo bloco histórico contra-hegemônico. Para atingir esse propósito, o estudo examina as dimensões materiais e superestruturais desse fenômeno, articulando os ciclos sistêmicos de acumulação de Giovanni Arrighi com a teoria das forças sociais e dos blocos históricos postulada por Robert Cox e fundamentada no pensamento gramsciano. A metodologia empregada adota uma abordagem qualitativa e histórico-estrutural, alicerçada em pesquisa bibliográfica e documental que utiliza dados atualizados de organismos internacionais e plataformas de monitoramento financeiro para mapear os fluxos de comércio e investimento. Adicionalmente, o trabalho aplica o método de estudo comparado para compreender as especificidades das relações bilaterais e a atuação decisiva das forças sociais internas nos vinte e três países signatários do memorando da iniciativa no subcontinente. Os resultados alcançados demonstram que a China constrói ativamente as bases de um bloco histórico regional por meio de uma estratégia multidimensional e pragmática na qual, na dimensão material e infraestrutural, a atuação asiática consolida-se via financiamento de megaprojetos logísticos, portuários e energéticos, pela assinatura estratégica de Tratados de Livre Comércio e pela institucionalização do multilateralismo sinocêntrico através do Fórum China-CELAC, enquanto, na dimensão superestrutural, Beijing garante o consentimento mediante o emprego de ferramentas de aquiescência ideológica, da diplomacia cultural, de parcerias acadêmicas e da capilaridade da paradiplomacia urbana. Contudo, os achados revelam que essa inserção reproduz e aprofunda as assimetrias históricas inerentes à relação centro-periferia, visto que a região mantém o seu papel histórico de fornecedora primário-exportadora de recursos naturais e importadora de manufaturas de alto valor agregado. Observa-se, por fim, que o bloco histórico sinocêntrico na América Latina ainda se encontra em estágio incompleto de formação e apresenta heterogeneidades internas, enfrentando resistências de setores industriais ameaçados, tensões com populações locais afetadas por práticas neoextrativistas e a pressão geopolítica dos Estados Unidos. Conclui-se, portanto, que a transição hegemônica em curso não promove uma ruptura sistêmica imediata com a ordem global preestabelecida, mas opera uma reconfiguração gradual das hierarquias do sistema-mundo contemporâneo. Resumen El presente trabajo analiza el proceso de reconfiguración del sistema internacional contemporáneo a partir del ascenso económico de la República Popular China y de su proyección geoeconómica sobre América Latina y el Caribe. El contexto global actual evidencia los principios de un proceso de transición hegemónica estructural, en la cual la Iniciativa de la Franja y la Ruta (Belt and Road Initiative) emerge como el principal instrumento institucional de Beijing para convertir sus capacidades productivas y financieras en liderazgo sistémico. Ante este escenario de disputa global, la investigación tiene como objetivo general investigar de qué modo la Iniciativa de la Franja y la Ruta y los demás mecanismos de inserción china en la región latinoamericana contribuyen a la sedimentación de un nuevo bloque histórico contrahegemónico. Para alcanzar este propósito, el estudio examina las dimensiones materiales y superestructurales de este fenómeno, articulando los ciclos sistémicos de acumulación de Giovanni Arrighi con la teoría de las fuerzas sociales y de los bloques históricos postulada por Robert Cox y fundamentada en el pensamiento gramsciano. La metodología empleada adopta un enfoque cualitativo e histórico-estructural, sustentada en investigación bibliográfica y documental que utiliza datos actualizados de organismos internacionales y plataformas de monitoreo financiero para mapear los flujos de comercio e inversión. Adicionalmente, el trabajo aplica el método de estudio comparado para comprender las especificidades de las relaciones bilaterales y la actuación decisiva de las fuerzas sociales internas en los veintitrés países signatarios del memorando de la iniciativa en el subcontinente. Los resultados alcanzados demuestran que China construye activamente las bases de un bloque histórico regional por medio de una estrategia multidimensional y pragmática en la cual, en la dimensión material e infraestructural, la actuación asiática se consolida vía financiamiento de megaproyectos logísticos, portuarios y energéticos, por la firma estratégica de Tratados de Libre Comercio y por la institucionalización del multilateralismo sinocéntrico a través del Foro China-CELAC, mientras que, en la dimensión superestructural, Beijing garantiza el consentimiento mediante el ejercicio de estrategias de asentimiento ideológico, de la diplomacia cultural, de alianzas académicas y de la capilaridad de la paradiplomacia urbana. Sin embargo, los hallazgos revelan que esta inserción reproduce y profundiza las asimetrías históricas inherentes a la relación centro-periferia, dado que la región mantiene su papel histórico de proveedora primario-exportadora de recursos naturales e importadora de manufacturas de alto valor agregado. Se observa, por último, que el bloque histórico sinocéntrico en América Latina aún se encuentra en una etapa incompleta de formación y presenta heterogeneidades internas, enfrentando resistencias de sectores industriales amenazados, tensiones con poblaciones locales afectadas por prácticas neoextractivistas y la presión geopolítica de los Estados Unidos. Se concluye, por lo tanto, que la transición hegemónica en curso no promueve una ruptura sistémica inmediata con el orden global preestablecido, sino que opera una reconfiguración gradual de las jerarquías del sistema-mundo contemporáneo. | |
| dc.identifier.uri | https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9859 | |
| dc.rights | openAccess | |
| dc.subject | transição hegemônica | |
| dc.subject | relações sino-latino-americanas | |
| dc.subject | economia política internacional | |
| dc.subject | China | |
| dc.title | Sedimentando a nova ordem mundial: a Belt And Road Initiative e o papel da América Latina na ascensão hegemônica da China | |
| dcterms.abstract | This study analyzes the reconfiguration process of the contemporary international system arising from the economic rise of the People's Republic of China and its geoeconomic projection over Latin America and the Caribbean. The current global context sheds light on the principles of a structural hegemonic transition process, in which the Belt and Road Initiative emerges as Beijing's main institutional instrument to translate its productive and financial capacities into systemic leadership. In light of this scenario of global dispute, the general objective of this research is to investigate how the Belt and Road Initiative and other mechanisms of Chinese insertion in the Latin American region contribute to the gradual consolidation of a new counter-hegemonic historical bloc. To achieve this purpose, the study examines the material and superstructural dimensions of this phenomenon, articulating Giovanni Arrighi's systemic cycles of accumulation with the theory of social forces and historical blocs postulated by Robert Cox and grounded in Gramscian thought. The methodology employed adopts a qualitative and historical-structural approach, based on bibliographical and documentary research that utilizes updated data from international organizations and financial monitoring platforms to map trade and investment flows. Additionally, the work applies the comparative study method to understand the specificities of bilateral relations and the decisive role of internal social forces in the twenty-three signatory countries of the initiative's memorandum in the subcontinent. The results obtained demonstrate that China actively builds the foundations of a regional historical bloc through a multidimensional and pragmatic strategy in which, within the material and infrastructural dimension, Asian engagement is consolidated through the financing of logistical, port, and energy megaprojects, the strategic signing of Free Trade Agreements, and the institutionalization of Sinocentric multilateralism via the China-CELAC Forum; while, in the superstructural dimension, Beijing ensures consent through the exercise of strategies of ideological acquiescence, cultural diplomacy, academic partnerships, and the capillarity of urban paradiplomacy. However, the findings reveal that this insertion reproduces and deepens the historical asymmetries inherent to the center-periphery relationship, given that the region maintains its historical role as a primary-exporting supplier of natural resources and an importer of high value-added manufactures. Finally, it is observed that the Sinocentric historical bloc in Latin America is still in an incomplete stage of formation and presents internal heterogeneities, facing resistance from threatened industrial sectors, tensions with local populations affected by neo-extractivist practices, and geopolitical pressure from the United States. Therefore, it is concluded that the ongoing hegemonic transition does not promote an immediate systemic rupture with the pre-established global order, but operates a gradual reconfiguration of the hierarchies of the contemporary world-system. |
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