AS CONSEQUÊNCIAS DO ABUSO SEXUAL NA SAÚDE DE VÍTIMAS EM REGIÕES DE FRONTEIRA: REVISÃO SISTEMÁTICA DA LITERATURA (2014 – 2024)

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Data

2026-07-03

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Resumo

Introdução: A violência sexual representa um grave problema de saúde pública, com repercussões multissistêmicas, exacerbadas em regiões de fronteira, devido a vulnerabilidades estruturais e fluxos migratórios. Objetivo: Sintetizar as evidências científicas sobre as consequências físicas e psíquicas do abuso sexual em vítimas em contextos fronteiriços, e analisar os desafios enfrentados pelos sistemas de saúde para ofertar atendimento integral. Metodologia: Foi realizada uma revisão sistemática da literatura entre 2014 e 2024 baseada na estratégia PICO e recomendações PRISMA. As buscas ocorreram nas bases PubMed, BVS, SciELO, Scopus e Web of Science, abrangendo estudos em português, espanhol e inglês. Foram selecionados 19 documentos, incluindo estudos quantitativos e qualitativos, revisões, diretrizes clínicas e relatórios institucionais, submetidos à avaliação de qualidade metodológica por ferramentas JBI e MMAT. Resultados: Evidenciou-se riscos elevados de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), hepatites virais e gestação indesejada. No âmbito psicológico, prevaleceram transtorno de estresse pós-traumático, depressão, ansiedade e ideação suicida. Observou-se baixa adesão à profilaxia pós exposição (PEP) ao HIV e subutilização de métodos de contracepção de emergência (CE), especialmente o DIU de cobre. Barreiras geográficas, linguísticas e jurídicas em zonas de fronteira retardam o cuidado, frequentemente extrapolando a janela terapêutica crítica de 72 horas. Discussão: Existe um hiato entre os protocolos clínicos e sua aplicabilidade prática em serviços de fronteira, evidenciando falhas na cadeia de custódia, ausência de integração entre sistemas de saúde assim como justiça pela invisibilidade dos estrangeiros nos sistemas de informação, ampliando a vulnerabilidade das vítimas. Considerações finais: O enfrentamento da violência sexual em áreas transfronteiriças exige modelos de cuidado binacionais, fortalecimento da saúde mental e integração entre os sistemas de saúde e justiça. Recomenda-se priorizar pesquisas prospectivas em regiões fronteiriças, avaliação de protocolos para implementação rápida e maior integração entre saúde e justiça. Limitações incluem a heterogeneidade metodológica e a subnotificação crônica dos casos.

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Palavras-chave

Violência Sexual., Áreas de fronteira, Saúde pública, Ginecologia e Obstetrícia.

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