Sabores e Práticas Alimentares na Migração: Entre Memórias, Territórios e Identidades.

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Data

2025-09

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Resumo

Esta dissertação investiga as práticas alimentares de migrantes latino-americanas e caribenhas em Foz do Iguaçu, explorando como a alimentação atua como espaço de memória, resistência cultural e processos de identidade. A pesquisa surge a partir da intersecção entre minha experiência migratória e as trajetórias de pessoas provenientes de diferentes regiões da América Latina e do Caribe, reconhecendo a comida como elo entre passado e presente, territórios de origem e territórios habitados, e entre o eu e o outro. O estudo foi realizado por meio de entrevistas semiestruturadas com cinco participantes – oriundas da região norte do brasil, do Paraguai, da Bolívia e do Haití, conduzidas em ambientes simbólicos de convivência, como cozinhas e mesas de refeições, que favoreceram a expressão livre de memórias afetivas e sensoriais. A abordagem metodológica combina perspectiva qualitativa e o método indiciário de Carlo Ginzburg, atentando para pequenos sinais, materialidades discretas e tramas afetivas presentes nas experiências alimentares migrantes. A Teoria das Comarcas de Ángel Rama orienta a análise dos territórios simbólicos e das dimensões culturais que moldam as práticas alimentares e os sentidos atribuídos a elas. Os objetivos específicos da pesquisa foram: descrever o percurso metodológico e a escolha das participantes; investigar como alimentação, memórias, cheiros e sabores se reorganizam na migração e expressam identidade, pertencimento e vínculos com o território; e apresentar os alimentos transportados nas migrações, suas trajetórias, memórias e vínculos afetivos e culturais. Os resultados revelam que pratos tradicionais – como a sopa de maní, o Legim, o Vori-vori, a Maniçoba e o Açaí – funcionam como pontos de ancoragem entre memória, identidade e território, fortalecendo vínculos afetivos, familiares e comunitários. A alimentação emergiu como instrumento de resistência cultural, ressignificação identitária e criação de novas territorialidades, permitindo às participantes negociar rupturas e continuidades em suas trajetórias migratórias. Além disso, práticas coletivas, como preparação e compartilhamento de refeições, demonstram o papel da comida na construção de pertencimento e na manutenção de conexões interculturais, especialmente no contexto da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), que atua como espaço integrador de experiências migrantes e como território simbólico de mediação cultural. A dissertação contribui para a compreensão das interseções entre migração, alimentação e identidade, evidenciando que a comida não apenas preserva memórias do passado, mas também atua na adaptação a novos territórios e na afirmação de identidades em transformação.

Abstract

Descrição

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcialà obtenção do título de Mestra em Estudos Latino-Americanos.

Palavras-chave

alimentação, mediação cultural, comarcas culturais, unila.

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