Retomada do futuro: representações de tecnologias no álbum visual nordeste futurista

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2026-01-29

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Resumo

A presente dissertação configura-se como uma análise audiovisual qualitativa baseada em revisão bibliográfica e análise textual e visual que investiga representações de tecnologia e território no álbum visual Nordeste Futurista (2022), da multiartista paraibana Luana Flores. O objeto de estudo compreende a narrativa audiovisual de 18 minutos que contradiz narrativas hegemônicas sobre o nordeste como território subdesenvolvido e incapaz de imaginar ciência e tecnologia, sendo analisado desde uma perspectiva latino-americana (Pérez, 2021). A investigação incorpora abordagem interdisciplinar abrangendo cinema e audiovisual, antropologia, estudos culturais, filosóficos, históricos e da moda, dialogando com pensadores indígenas e quilombolas. Para tal, se abre o diálogo com a noção de colonialidade do ver (Barriendos, 2019), questionando o regime visual hegemônico que representa corporalidades e espaços através de imaginários de escassez. As práticas tradicionais como a bebida indígena Mocororó, o Coco de Roda, a organização social quilombola ou o Cavalo Marinho são compreendidas a partir do conceito de cosmotécnica de Yuk Hui, que reivindica a pluralidade de cosmotécnicas em oposição à noção única de tecnologia, propondo sua compreensão enquanto exteriorização da memória para além dos limites do corpo, caracterizada por contextos territoriais e culturais específicos. O álbum visual, com suas características híbridas entre linguagem cinematográfica e videoclipe (Harrison, 2014), é analisado como documentário performático (Nichols, 2010) diante do registro da cultura nordestina nos territórios de João Pessoa, Quilombo do Gurugi e Ipiranga, Barra do Mamanguape e Vale do Sabugi, com a participação de artistas contemporâneas (Yakecan Potyguara, Vó Mera, Mestra Ana do Coco, Yasmin Formiga e Georgia Cardoso), lidas como guardiãs da cosmotécnica. A análise identifica o agenciamento e a subversão de estéticas da ficção científica como solarpunk (Simonaci, 2022) e o afrofuturismo (Martins, 2023) dentro da dimensão estética e narrativa da obra. Nordeste Futurista então permite a análise do gesto de exaltação do presente desde o território através de uma cartografia da fartura que desafia imaginários de escassez e subdesenvolvimento. Realiza-se análise detalhada dos elementos visuais e sonoros nas faixas musicais e seu discurso de soberania tecnológica, em diálogo com Antônio Bispo dos Santos (2023), Beatriz Nascimento (2021), Ailton Krenak (2019, 2020, 2022), compreendendo essas manifestações culturais como tecnologias contemporâneas que propõem alternativas ao processo colonial racista ainda vigente. Esta concepção é desenvolvida em diálogo com outros artistas latino-americanos, propondo serem parte de um movimento denominado Futuro Ancestral, em homenagem ao filósofo indígena Ailton Krenak, reivindicando caminhos alternativos ao desenvolvimento tecnológico hegemônico e sua consequente crise civilizatória e ambiental.

Abstract

This dissertation is configured as a qualitative audiovisual analysis based on a bibliographic review and textual and visual analysis that investigates representations of technology and territory in the visual album Nordeste Futurista (2022), by Paraíba multi-artist Luana Flores. The object of study comprises the 18-minute audiovisual narrative, which contradicts hegemonic narratives about the Northeast of Brazil as an underdeveloped territory incapable of imagining science and technology, and is analyzed from a Latin American perspective (Pérez, 2021). The investigation incorporates an interdisciplinary approach spanning cinema and audiovisual, anthropological, cultural, philosophical, historical, and fashion studies, engaging in dialogue with Indigenous and quilombola thinkers. To this end, a dialogue is opened with the notion of coloniality of seeing (Barriendos, 2019), questioning the hegemonic visual regime that represents corporealities and spaces through imaginaries of scarcity. Traditional practices—such as the Indigenous beverage Mocororó, the Coco de Roda dance, quilombola social organization, or the Cavalo Marinho folk performance—are understood through Yuk Hui's concept of cosmotechnics, which claims the plurality of cosmotechnics in opposition to a singular notion of technology, proposing its comprehension as an exteriorization of memory beyond the limits of the body, characterized by specific territorial and cultural contexts. The visual album, a hybrid of cinematographic language and music video (Harrison, 2014), is analyzed as a performative documentary (Nichols, 2010) within the context of the documentation of Northeastern culture in the territories of João Pessoa, Quilombo do Gurugi and Ipiranga, Barra do Mamanguape, and Vale do Sabugi, featuring contemporary artists (Yakecan Potyguara, Vó Mera, Mestra Ana do Coco, Yasmin Formiga, and Georgia Cardoso), read as guardians of cosmotechnics. The analysis identifies the agency and subversion of science fiction aesthetics such as solarpunk (Simonaci, 2022) and Afrofuturism (Martins, 2023) within the aesthetic and narrative dimension of the work, allowing for the analysis of the gesture of exalting the present from the territory through a cartography of abundance that challenges imaginaries of scarcity and underdevelopment. A detailed analysis is performed on the visual and sonic elements in the musical tracks and their discourse of technological sovereignty, in dialogue with Antônio Bispo dos Santos (2023), Beatriz Nascimento (2021), and Ailton Krenak (2019, 2020, 2022), understanding these cultural manifestations as contemporary technologies that propose alternatives to the racist colonial process still in effect. This conception is developed in dialogue with other Latin American artists, proposing them to be part of a movement called Ancestral Future (Futuro Ancestral), in homage to the Indigenous philosopher Ailton Krenak, claiming alternative paths to hegemonic technological development and its consequent civilizational and environmental crisis.

Descrição

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcialà obtenção do título de Mestra em Estudos Latino-Americanos.

Palavras-chave

nordeste brasileiro, desenvolvimento tecnológico, ficção científica, cultura nordestina

Citação

SORBILLE, Lara Victoria de Moraes. Retomada do futuro: representações de tecnologias no álbum visual Nordeste Futurista. 2025. 139 f. Dissertação (Mestrado em Estudos Latino-Americanos) – Universidade Federal da Integração Latino-Americana, Foz do Iguaçu, 2025.