Navegando por Autor "Sleiman, Zion Mohamad"
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Item Educar para desarmar: formação de servidores públicos e o desarmamento simbólico no atendimento à população LGBTQIA+(2026-01-21) Sleiman, Zion MohamadEste trabalho de conclusão de curso analisa uma formação realizada com servidores públicos do município de Foz do Iguaçu sobre atendimento à população LGBTQIA+, tomando essa experiência como campo empírico para compreender como preconceitos se estruturam, se reproduzem e podem ser transformados no contexto institucional. A pesquisa evidencia que o desarmamento simbólico, entendido como o processo de desconstrução de percepções normativas e violências naturalizadas, ocorre tanto pela transmissão de conhecimento quanto pelo encontro com corpos dissidentes que tensionam regimes hegemônicos de inteligibilidade. A metodologia adotada é de abordagem qualitativa, com caráter descritivo e analítico, baseada em observação participante durante as formações, aplicação de questionários de feedback, além da análise de relatos espontâneos e narrativas produzidas pelos participantes. A presença do facilitador, homem trans árabe muçulmano, constituiu dispositivo pedagógico central e elemento metodológico relevante, produzindo deslocamentos afetivos e cognitivos que potencializaram o aprendizado. Os dados coletados por meio de observações, questionários e narrativas dos participantes revelam que a formação gerou abertura, empatia, desejo de continuidade e reconhecimento da necessidade de atualização institucional. Ao mesmo tempo, expôs limites estruturais como ausência de protocolos, falta de padronização administrativa, fragilidades no uso do nome social e inexistência de diretrizes claras para o acolhimento de pessoas LGBTQIA+. A partir desses achados, o trabalho propõe a institucionalização de um programa permanente de formação baseado em metodologias humanizadas, materiais de apoio, revisão de fluxos internos, implementação de protocolos e criação de mecanismos contínuos de avaliação. Conclui-se que a formação não apenas transformou percepções individuais, mas também revelou caminhos estratégicos para qualificação da gestão pública, evidenciando que políticas inclusivas dependem tanto de mudanças subjetivas quanto de intervenções estruturais. O estudo reforça a importância da educação em direitos humanos como instrumento de fortalecimento ético do Estado e apresenta um modelo replicável de capacitação para outras administrações públicas do país.Item ENTRE MUNDOS E FRONTEIRAS: UMA AUTOETNOGRAFIA A PARTIR DE O SILÊNCIO DO ALBATROZ(2026-08-23) Sleiman, Zion Mohamad; OrientaçãoEsta dissertação apresenta uma análise autoetnográfica da experiência de um homem trans árabe que vivenciou deslocamentos físicos, simbólicos e identitários entre o Brasil e o Líbano, particularmente entre a cidade de Foz do Iguaçu (PR), na tríplice fronteira sul-americana, e diferentes territórios libaneses, como Aayteet (sul do Líbano), Beirute e Sur (Tiro). Parte-se do entendimento de que tais deslocamentos não se limitam ao plano geográfico, sendo atravessados por fronteiras culturais, religiosas, linguísticas, racializadas e de gênero que incidem na constituição da subjetividade, do corpo e das formas de pertencimento. O objetivo da pesquisa é analisar como essas múltiplas fronteiras influenciam processos de negociação identitária, resistência, perda e reinvenção ao longo da trajetória do autor, incluindo as rupturas territoriais e comunitárias associadas à transição de gênero. O principal corpus empírico consiste no diário pessoal O Silêncio do Albatroz, produzido desde a infância como prática de elaboração emocional e posteriormente como estratégia de sobrevivência psíquica e narrativa. O diário reúne memórias, fragmentos escritos, imagens e registros autobiográficos mobilizados nesta pesquisa como fonte documental e como dispositivo metodológico. A investigação fundamenta-se na autoetnografia crítica, inspirada nos trabalhos de Carolyn Ellis e Arthur P. Bochner, articulada a debates sobre fronteira e mestiçagem cultural em Gloria Anzaldúa, orientalismo em Edward Said, colonialidade de gênero em Maria Lugones e estudos sobre transgeneridade desenvolvidos por Berenice Bento. Os resultados evidenciam que processos de racialização de corpos árabes na América Latina produzem experiências de alteridade, suspeição e islamofobia, ao mesmo tempo em que revelam tensões entre religião e transgeneridade em contextos árabe-islâmicos. Contudo, tais experiências também evidenciam possibilidades de resistência, reinterpretação religiosa e reconstrução identitária. Conclui-se que a experiência de corpos trans árabes constitui uma forma situada de produção de conhecimento sobre fronteira, exílio, fé e pertencimento. Ao inscrever a experiência autobiográfica no campo acadêmico, a pesquisa contribui para ampliar o debate sobre transgeneridade em contextos árabe-islâmicos na América Latina e para tensionar narrativas hegemônicas sobre identidade, religião e diáspora. Palavras-chave: Autoetnografia; Transgeneridade; Arabidade; Racialização; Exílio.