PPGLC - Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada
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Navegando PPGLC - Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada por Autor "Batista Junior, Mario"
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Item Oralitura, diásporas africanas e espiritualidades subalternizadas: o mito sagrado de Orungã recontado por Jorge Amado em Mar Morto (1936)(2026-03-20) Batista Junior, MarioNa aurora do século XXI, a devoção aos Orixás – divindades cultuadas em tradições de matriz africana ou, mais especificamente, pertencentes à cultura iorubá – mobiliza séquitos fiéis em todos os continentes. A presente dissertação investiga, por meio da oralitura, as formas pelas quais esse sistema religioso, nascido entre os iorubás na África Ocidental, transforma-se num fenômeno espiritual global que se adapta localmente, marcando profundamente a experiência sagrada contemporânea. Das terras ancestrais na África até as diásporas nas Américas, passando por comunidades na Europa, Ásia e Oceania, o culto aos Orixás revela-se como uma das expressões religiosas mais dinâmicas e mais culturalmente fecundas da atualidade. O presente estudo busca prospectar distintas variantes de narrativas acústicas em torno do mito de Orungã, filho e consorte de Iemanjá, no tangente a eventuais constrições ideológicas de enredo e contextualizações de vezo cultural, especialmente no que se refere ao processo de subalternização de espiritualidades no âmbito das diásporas africanas e da colonialidade dos imaginários. Para tanto, partimos de uma ampla revisão bibliográfica sobre o fenômeno da oralitura, em sua articulação com a manifestação e a difusão de espiritualidades em escala transcontinental ou, com mais precisão terminológica, em espessura ecumênica, ou seja, no largo diapasão do espaço-tempo sobre a ecúmena terrestre, para tão logo chegarmos ao estudo da oralitura sagrada na esfera das espiritualidades latino-americanas sincréticas, de matriz africana e autóctone, sobretudo no plano de sua interseção conflitiva, sob o olhar vigilante e a intervenção sistêmica dos agentes e mantenedores da colonização europeia no continente. Com base nesse arcabouço teórico e contextual, passaremos à interpretação do mito ancestral de Orungã, cuja variante consagrada na cultura ocidental corresponde, no marco poético da oralitura grega clássica, à figura de Édipo, personagem mitológico de narrativas acústicas transposto para a obra escrita de autores como Homero e Sófocles, logo seguidos de Sêneca e uma miríade de passadores de palavras, muambeiros transfronteiriços de poéticas e oralituras ancestrais. Por fim, tratamos da releitura transcultural desse mito iorubá plurissecular pelas mãos de Jorge Amado (1912-2001), em Mar Morto (1936), na confluência conflitiva entre candomblé, umbanda, dogmas judeu-cristãos, intolerância religiosa e identidades afro-diaspóricas. Esse romance foi publicado poucos anos após a fundação da Umbanda, religião sincrética de devoção a orixás, ocorrida na cidade de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, por obra de Zélio Fernandino de Moraes (1891-1975). Para sua análise, partimos da hipótese de que esse romance se constrói como um tratado metapoético ficcionalizado sobre a oralitura, no contexto das diásporas africanas e da cultura brasileira. Metodologicamente, optamos por adotar, neste estudo, o conceito de hermenêutica, segundo o filólogo alemão Friedrich Schleiermacher, compreendida como o exercício interpretativo voltado à construção de sentidos a partir do diálogo entre texto, contexto e tradição. Assim, a hermenêutica é aqui empregada como instrumento epistemológico que possibilita compreender as camadas simbólicas, espirituais e culturais que atravessam a obra de Jorge Amado e o mito de Orungã, valorizando o entrelaçamento entre literatura, espiritualidade e ancestralidade africana. Resumen En la aurora del siglo XXI, la devoción a los Orixás –deidades veneradas en tradiciones de matriz africana o, más específicamente, en la cultura yoruba– moviliza a fieles seguidores en todos los continentes. La presente disertación investiga, por medio de la oralitura, las formas en que este sistema religioso, nacido entre los yorubas en África Occidental, se transforma en un fenómeno espiritual global que se adapta localmente, marcando la experiencia sagrada contemporánea. Desde las tierras ancestrales en África hasta las diásporas en las Américas, pasando por comunidades en Europa, Asia y Oceanía, el culto a los Orixás se revela como una de las expresiones religiosas más dinámicas y culturalmente fecundas de la actualidad. El presente estudio busca prospectar distintas variantes de narrativas acústicas en torno al mito de Orungán, hijo y consorte de Iemanjá, en lo que respecta a eventuales constricciones ideológicas de la trama, especialmente en lo que se refiere al proceso de subalternización de espiritualidades en el ámbito de las diásporas africanas y de la colonialidad de los imaginarios. Para ello, partimos de una amplia revisión bibliográfica sobre el fenómeno de la oralitura, en su articulación con la difusión de espiritualidades a escala transcontinental o, con más precisión terminológica, en espesor ecuménico, es decir, en el más amplio diapasón sobre la ecúmene terrestre, para luego llegar al estudio de la oralitura sagrada en la esfera de las espiritualidades latinoamericanas sincréticas, de matriz africana y autóctona, sobre todo en el plano de su intersección conflictiva, bajo la mirada vigilante y la intervención sistémica de los agentes y mantenedores de la colonización europea en el continente. Con base en este marco teórico y contextual, pasaremos a la interpretación del mito ancestral de Orungán, cuya variante consagrada en la cultura occidental corresponde, en el marco poético de la oralitura griega clásica, a la figura de Edipo, personaje mitológico de narrativas acústicas transpuesto a la obra escrita de autores como Homero y Sófocles, seguidos luego por Séneca y una miríada de pasadores de palabras, contrabandistas transfronterizos de poéticas y oralituras ancestrales. Finalmente, tratamos la relectura transcultural de este mito yoruba plurisecular por las manos de Jorge Amado (1912- 2001), en Mar Muerto (1936), en la confluencia conflictiva entre candomblé, umbanda, dogmas judeocristianos, intolerancia religiosa e identidades afrodiaspóricas. Esta novela fue publicada pocos años después de la fundación de la Umbanda, religión sincrética de devoción a los orixás, ocurrida en la ciudad de São Gonçalo, en Río de Janeiro, por obra de Zélio Fernandino de Moraes (1891-1975). Para su análisis, partimos de la hipótesis de que esta novela se construye como un tratado metapoético ficcionalizado sobre la oralitura, en el contexto de las diásporas africanas y de la cultura brasileña. Metodológicamente optamos por adoptar en este estudio el concepto de la hermenéutica, aqui entendida como el ejercicio interpretativo orientado a la construcción de sentidos a partir del diálogo entre texto, contexto y tradición, según Friedrich Schleiermacher. Así, la hermenéutica se emplea aquí como un instrumento epistemológico que posibilita comprender las capas simbólicas, espirituales y culturales que atraviesan la obra de Jorge Amado y el mito de Orungã, valorando el entrelazamiento entre literatura, espiritualidad y ancestralidad africana.