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A corte e o corpo: femigenocídio e o(s) significado(s) de justiça na Guatemala e no México
(2026-06-09) Teixeira, Alessandra Renata de Melo
Esta dissertação investiga o femigenocídio na Guatemala e no México como tecnologia política de Estado inscrita na formação dos Estados latino-americanos, a partir da articulação entre colonialidade, racismo, patriarcado e capitalismo. Distanciando-se de leituras que tratam a violência contra mulheres indígenas como uma falha excepcional ou anomalia jurídica, a pesquisa a compreende como elemento estrutural de projetos nacionais fundados na racialização da vida e na produção sistemática da morte. Ancorada em um referencial comunitário e com contribuições decoloniais e marxistas, propõe-se uma análise centrada na economia política da morte, vinculando gênero, raça e classe como um amálgama indissociável. Para tanto, o trabalho estrutura-se em três eixos fundamentais. Inicialmente, constrói-se um marco teórico-metodológico que fundamenta o conceito de femigenocídio como categoria analítica capaz de apreender a dimensão coletiva, histórica e territorial da violência, evidenciando sua vinculação à racionalidade econômica da acumulação e a pactos de soberania masculina. Em seguida, reconstrói-se o processo de produção política do ser mulher indígena na Guatemala e no México, demonstrando como a formação desses Estados se deu por meio de séculos de espoliação territorial, violência institucional e gestão racializada da vida, o que permite refutar a tese de omissão estatal em favor da compreensão do Estado como agente ativo da maquinaria femigenocida. Por fim, o trabalho problematiza a atuação do sistema de justiça no enfrentamento dessas violências, analisando seus limites estruturais enquanto instância inserida na lógica estatal e na justiça liberal e suas potencialidades como espaço de disputa política. A hipótese central é de que, embora o sistema de justiça desempenhe papel relevante na nomeação da violência, opera frequentemente como mecanismo de modernização e freio aparente, traduzindo conflitos estruturais em violações de direitos individuais sem desmantelar a estrutura femigenocida. O estudo culmina no tensionamento dessa justiça internacional com as epistemologias dos feminismos comunitários, apontando para a defesa do corpo-território e a cura política como horizontes de uma justiça insurgente e não estatal.
Resumen
Esta disertación investiga el femigenocidio en Guatemala y México como una tecnología política de Estado inscrita en la formación de los Estados latinoamericanos, a partir de la articulación entre colonialidad, racismo, patriarcado y capitalismo. Distanciándose de lecturas que tratan la violencia contra las mujeres indígenas como una falla excepcional o una anomalía jurídica, la investigación la comprende como un elemento estructural de proyectos nacionales fundados en la racialización de la vida y en la producción sistemática de la muerte. Anclada en un marco comunitario y con aportes decoloniales y marxistas, se propone un análisis centrado en la economía política de la muerte, vinculando género, raza y clase como un amalgama indisociable. Para ello, el trabajo se estructura en tres ejes fundamentales. En primer lugar, se construye un marco teórico-metodológico que fundamenta el concepto de femigenocidio como categoría analítica capaz de aprehender la dimensión colectiva, histórica y territorial de la violencia, evidenciando su vinculación con la racionalidad económica de la acumulación y con pactos de soberanía masculina. En segundo lugar, se reconstruye el proceso de producción política del ser mujer indígena en Guatemala y México, demostrando cómo la formación de estos Estados se dio a través de siglos de despojo territorial, violencia institucional y gestión racializada de la vida, lo que permite refutar la tesis de la omisión estatal en favor de la comprensión del Estado como agente activo de la maquinaria femigenocida. Por último, el trabajo problematiza la actuación del sistema de justicia en el enfrentamiento de estas violencias, analizando sus límites estructurales como instancia inserta en la lógica estatal y en la justicia liberal, así como sus potencialidades como espacio de disputa política. La hipótesis central sostiene que, si bien el sistema de justicia desempeña un papel relevante en la nominación de la violencia, opera frecuentemente como un mecanismo de modernización y de contención aparente, traduciendo conflictos estructurales en violaciones de derechos individuales sin desmantelar la estructura femigenocida. El estudio culmina tensionando esta justicia internacional con las epistemologías de los feminismos comunitarios, señalando la defensa del cuerpo-territorio y la sanación política como horizontes de una justicia insurgente y no estatal.
¿Es posible deshumanizar sin haber nunca humanizado?
(2026-06-09) Pereira, Diana Araujo
Ao tentar explicar a mentalidade dos povos indígenas do Brasil a um público francês, o antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro revisita uma imagem criada pelo padre jesuíta português Antonio Vieira no século XVII. Essa imagem concisa e de fácil compreensão, embora simplifique a explicação, não se furta à complexidade do tema. No artigo "Mármore e Murta: Sobre a Inconsistência da Alma Selvagem" (doravante, todas as traduções do português para o espanhol são do autor), Viveiros de Castro retorna aos primórdios da colonização e se inspira em uma carta na qual Vieira explica "a diferença entre as nações na doutrina da fé". Para ilustrar isso, ele compara a fixidez da estátua de mármore à instabilidade da estátua de murta (um arbusto maleável amplamente utilizado em jardins esculpidos). Nessa carta, Vieira destaca que a primeira custa muito, “mas, uma vez feita, não é preciso mexer nela: sempre conserva e mantém a mesma forma”, enquanto a estátua de murta “é mais fácil de moldar, devido à facilidade com que os ramos se dobram, mas é preciso estar sempre reformando e trabalhando nela, para que se conserve” (In: Viveiros de Castro, 2013, pp. 183-184).
Resumen
El antropólogo brasileño Eduardo Viveiros de Castro, al intentar explicarle al público francés la mentalidad de los pueblos originarios de Brasil, retoma una imagen creada por el padre jesuita portugués Antonio Vieira en el siglo XVII, muy concisa y de fácil comprensión que, a pesar de hacer la explicación más sencilla, no elude la complejidad de lo que se propone. En el artículo “El mármol y la murta: sobre la inconsistencia del alma salvaje” (en adelante, todas las traducciones del portugués al castellano son de la autora), Viveiros de Castro retorna a los inicios de la colonización y busca inspiración en una carta en la que Vieira explica “la diferencia que hay entre unas naciones y otras en la doctrina de la fe”, y para ello compara la fijeza de la estatua de mármol a la inestabilidad de la estatua de murta (arbusto maleable y muy utilizado en jardines esculpidos). En dicha carta, Vieira señala que la primera cuesta mucho “pero, después de hecha una vez, no es necesario que ya le pongan la mano: siempre conserva y sostiene la misma figura”, al paso que la estatua de murta “es más fácil de formar, por la facilidad con que se doblan las ramas, pero es necesario andar siempre reformando y trabajando en ella, para que se conserve” (In: Viveiros de Castro, 2013, pp. 183-184).
A integração do Parque Nacional do Iguaçu e Parque Nacional Iguazú e as contribuições das duas unidades de conservação para a divulgação científica e a educação ambiental
(2026-06-09) Pinheiro, Wemerson Augusto da Silva
A pesquisa analisa os processos de integração, divulgação científica e educação ambiental entre o Parque Nacional do Iguaçu (Brasil) e o Parque Nacional Iguazú (Argentina), considerando seus planos de manejo e as práticas desenvolvidas por gestores, pesquisadores e comunidades do entorno. A análise parte do marco legal e institucional de ambos os países, incluindo o enquadramento internacional da IUCN e a condição de Patrimônio Natural Mundial reconhecidapela UNESCO, para compreender como se articulam estratégias de conservação, pesquisa de longa duração, educação ambiental e cooperação transfronteiriça. Metodologicamente, o estudo combina revisão documental (planos de manejo e legislações específicas) e entrevistas semiestruturadas com servidores/as e pesquisadores/as vinculados/as às duas unidades, identificando desafios epotencialidades na gestão compartilhada. Os depoimentos evidenciam dilemas relacionados à burocracia para circulação de equipes e compartilhamento de dados, mostram a fragilidade dos vínculos institucionais entre pesquisa e gestão e destacam a necessidade de ampliar a comunicação científica com as comunidades locais. Ao mesmo tempo, apontam avanços significativos e experiências inovadoras em educação ambiental, tanto no Brasil quanto na Argentina. Este estudo, caracterizado como pesquisa de campo, demonstra que os parques, embora enfrentem pressões políticas, turísticas, territoriais e institucionais, funcionam como laboratórios privilegiados para práticas de ciência aberta, integração regional e formação de acervos digitais de memória socioambiental.
Resumen
La investigación analiza los procesos de integración, divulgación científica y educación ambiental entre el Parque Nacional do Iguaçu (Brasil) y el Parque Nacional Iguazú (Argentina), considerando sus planes de manejo y las prácticas desarrolladas por gestores, investigadores y comunidades del entorno. El análisis parte del marco legal e institucional de ambos países, incluyendo el encuadre internacional de la IUCN y la condición de Patrimonio Natural Mundial reconocida por la UNESCO, con el fin de comprender cómo se articulan las estrategias de conservación, investigación de larga duración, educación ambiental y cooperación transfronteriza. Metodológicamente, el estudio combina la revisión documental de planes de manejo y legislaciones específicas con entrevistas semiestructuradas a funcionarios e investigadores vinculados a ambas unidades,identificando desafíos y potencialidades en la gestión compartida. Los testimonios evidencian dilemas relacionados con la burocracia para la circulación de equipos y el intercambio de datos, muestran la fragilidad de los vínculos institucionales entre investigación y gestión y destacan la necesidad de ampliar la comunicación científica con las comunidades locales. Al mismo tiempo, señalan avances significativos y experiencias innovadoras en educación ambiental, tanto en Brasil como en Argentina.Esteestudio, caracterizado como investigación de campo, de muestra que los parques, aunque enfrentan presiones políticas, turísticas, territoriales e institucionales, funcionan como laboratorios privilegiados para prácticas de ciencia abierta, integración regional y formación de acervos digitales de memoria socioambiental.
Brasil e Relações Internacionais a proposta de democratização do Conselho de Segurança da ONU
(2026-06-08) Carvalho, Ângelo Rodrigues de; Lucas Ribeiro Mesquita (orientador)
O Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU) é uma das mais poderosas organizações no sistema internacional, com responsabilidades cruciais em manter a paz e a segurança globais. Entretanto, sua estrutura, formada após a Segunda Guerra Mundial, tem sido criticada por refletir uma ordem mundial obsoleta, concentrando poder em um pequeno grupo de países. O Brasil, uma potência emergente no cenário internacional, tem sido um dos principais defensores da reforma do CSNU, com ênfase na sua democratização. Este artigo analisa a posição do Brasil quanto à reforma do Conselho de Segurança, destacando os principais argumentos brasileiros, o histórico da proposta e os desafios enfrentados. Além disso, discute-se como a democratização do Conselho poderia impactar as relações internacionais, especialmente em relação aos países em desenvolvimento.
Sabores e práticas alimentares na migração: entre memórias, territórios e identidades
(2026-06-03) Gomes, Mariana Oliveira de
Esta dissertação investiga as práticas alimentares de migrantes latino-americanas e caribenhas em Foz do Iguaçu, explorando como a alimentação atua como espaço de memória, resistência cultural e processos de identidade. A pesquisa surge a partir da intersecção entre minha experiência migratória e as trajetórias de pessoas provenientes de diferentes regiões da América Latina e do Caribe, reconhecendo a comida como elo entre passado e presente, territórios de origem e territórios habitados, e entre o eu e o outro. O estudo foi realizado por meio de entrevistas semiestruturadas com cinco participantes – oriundas da região norte do brasil, do Paraguai, da Bolívia e do Haití, conduzidas em ambientes simbólicos de convivência, como cozinhas e mesas de refeições, que favoreceram a expressão livre de memórias afetivas e sensoriais. A abordagem metodológica combina perspectiva qualitativa e o método indiciário de Carlo Ginzburg, atentando para pequenos sinais, materialidades discretas e tramas afetivas presentes nas experiências alimentares migrantes. A Teoria das Comarcas de Ángel Rama orienta a análise dos territórios simbólicos e das dimensões culturais que moldam as práticas alimentares e os sentidos atribuídos a elas. Os objetivos específicos da pesquisa foram: descrever o percurso metodológico e a escolha das participantes; investigar como alimentação, memórias, cheiros e sabores se reorganizam na migração e expressam identidade, pertencimento e vínculos com o território; e apresentar os alimentos transportados nas migrações, suas trajetórias, memórias e vínculos afetivos e culturais. Os resultados revelam que pratos tradicionais – como a sopa de maní, o Legim, o Vori-vori, a Maniçoba e o Açaí – funcionam como pontos de ancoragem entre memória, identidade e território, fortalecendo vínculos afetivos, familiares e comunitários. A alimentação emergiu como instrumento de resistência cultural, ressignificação identitária e criação de novas territorialidades, permitindo às participantes negociar rupturas e continuidades em suas trajetórias migratórias. Além disso, práticas coletivas, como preparação e compartilhamento de refeições, demonstram o papel da comida na construção de pertencimento e na manutenção de conexões interculturais, especialmente no contexto da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA), que atua como espaço integrador de experiências migrantes e como território simbólico de mediação cultural. A dissertação contribui para a compreensão das interseções entre migração, alimentação e identidade, evidenciando que a comida não apenas preserva memórias do passado, mas também atua na adaptação a novos territórios e na afirmação de identidades em transformação.
Resumen
Esta disertación investiga las prácticas alimentarias de migrantes latinoamericanas y caribeñas en Foz do Iguaçu, explorando cómo la alimentación actúa como espacio de memoria, resistencia cultural y procesos de identidad. La investigación surge de la intersección entre mi propia experiencia migratoria y las trayectorias de personas provenientes de diferentes regiones de América Latina y el Caribe, reconociendo la comida como vínculo entre pasado y presente, territorios de origen y territorios habitados, y entre el otro y yo. El estudio se realizó a partir de entrevistas semiestructuradas con cinco participantes migrantes (de la región norte de Brasil, de Paraguay, Bolivia y Haití), conducidas en espacios simbólicos de convivencia, como cocinas y mesas de comedor, que favorecieron la libre expresión de recuerdos afectivos y sensoriales. El enfoque metodológico combina perspectiva cualitativa y el método indiciario de Carlo Ginzburg, prestando atención a pequeños signos, materialidades discretas y tramas afectivas presentes en las experiencias alimentarias de los migrantes. La Teoría de las Comarcas de Ángel Rama orienta el análisis de los territorios simbólicos y de las dimensiones culturales que configuran las prácticas alimentarias y los significados atribuidos a ellas. Los objetivos específicos de la investigación fueron: describir el recorrido metodológico y la selección de las participantes; investigar cómo la alimentación, los recuerdos, los olores y los sabores se reorganizan en la migración y expresan identidad, pertenencia y vínculos con el territorio; y presentar los alimentos transportados en las migraciones, sus trayectorias, memorias y vínculos afectivos y culturales. Los resultados muestran que platos tradicionales – como la sopa de maní, el Legim, el Vori-vori, la Maniçoba y el Açaí – funcionan como puntos de anclaje entre memoria, identidad y territorio, fortaleciendo vínculos afectivos, familiares y comunitarios. La alimentación emerge como instrumento de resistencia cultural, resignificación identitaria y creación de nuevas territorialidades, permitiendo a las participantes negociar rupturas y continuidades en sus trayectorias migratorias. Además, prácticas colectivas como la preparación y el compartir de las comidas demuestran el papel de la comida en la construcción de pertenencia y en el mantenimiento de conexiones interculturales, especialmente en el contexto de la Universidad Federal de la Integración Latinoamericana (UNILA), que actúa como espacio integrador de experiencias migrantes y como territorio simbólico de mediación cultural. La tesis contribuye a la comprensión de las intersecciones entre migración, alimentación e identidad, evidenciando que la comida no solo preserva memorias del pasado, sino que también facilita la adaptación a nuevos territorios y la afirmación de identidades en transformación.