Branquitude e operações de paz: uma análise crítica da MONUSCO

dc.contributor.authorRohrbacker, Nicolas Vitor Ribeiro
dc.date.accessioned2026-07-10T04:00:02Z
dc.date.available2026-07-10T04:00:02Z
dc.date.issued2026-07-10
dc.descriptionDissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Relações Internacionais da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestra em Relações Internacionais.
dc.description.abstractEsta dissertação analisa de que maneira a branquitude, compreendida como estrutura normativa, epistêmica e política, influencia a formulação, a implementação e a avaliação das operações de paz das Nações Unidas, tomando como estudo de caso a Missão das Nações Unidas para a Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO). Partindo de uma abordagem qualitativa, crítica e decolonial, a pesquisa articula revisão bibliográfica e análise documental de resoluções do Conselho de Segurança, mandatos e relatórios institucionais, com o objetivo de examinar como categorias apresentadas como técnicas e universais, como proteção de civis, estabilização estatal e neutralidade, produzem efeitos políticos diferenciados. Argumenta-se que a MONUSCO não pode ser compreendida apenas a partir de critérios operacionais de sucesso ou fracasso, mas como parte de uma governança internacional da paz atravessada por hierarquias raciais historicamente constituídas. A análise mobiliza os estudos críticos da branquitude, articulada ao pensamento pós-colonial e à literatura crítica sobre peacekeeping. A partir desse arcabouço, demonstra-se que a proteção internacional opera de forma seletiva, reconhecendo determinadas formas de violência como politicamente relevantes, enquanto outras permanecem normalizadas como parte do contexto local. Propõe-se, assim, a branquitude como ferramenta analítica para a avaliação de operações de paz e políticas internacionais. A principal contribuição acadêmica da dissertação está em deslocar a categoria branquitude, pouco mobilizada nas Relações Internacionais, para o campo dos estudos sobre operações de paz, articulando o conceito da marcação racial branca com a literatura crítica sobre raça, colonialidade e intervencionismo. Assim, a pesquisa amplia o instrumental analítico da disciplina, oferece uma leitura crítica para o caso da MONUSCO e abre caminho para investigações futuras sobre o lugar do Brasil e de outros países do Sul Global em missões multilaterais, contribuindo para o aprofundamento dos debates sobre raça e política internacional. Socialmente, a pesquisa oferece subsídios críticos para repensar práticas de cooperação internacional, formação de tropas e políticas de paz, evidenciando como populações racializadas do Sul Global são tratadas pela governança internacional e abrindo caminho para reflexões sobre o lugar do Brasil nesse cenário.
dc.description.sponsorshipCoordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - CAPES
dc.identifier.urihttps://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9870
dc.rightsopenAccess
dc.subjectbranquitude
dc.subjectpaz
dc.subjectMONUSCO
dc.subjectraça
dc.titleBranquitude e operações de paz: uma análise crítica da MONUSCO
dcterms.abstractThis dissertation analyzes how whiteness, understood as a normative, epistemic, and political structure, shapes the formulation, implementation, and evaluation of United Nations peace operations, taking as a case study the United Nations Organization Stabilization Mission in the Democratic Republic of the Congo (MONUSCO). Drawing on a qualitative, critical, and decolonial approach, the research combines literature review and documentary analysis of Security Council resolutions, mandates, and institutional reports, aiming to examine how categories presented as technical and universal, such as protection of civilians, state stabilization, and neutrality, produce differentiated political effects. It is argued that MONUSCO cannot be understood solely through operational criteria of success or failure, but rather as part of an international governance of peace traversed by historically constituted racial hierarchies. The analysis draws on critical whiteness studies, articulated with postcolonial thought and the critical literature on peacekeeping. From this framework, it is demonstrated that international protection operates selectively, recognizing certain forms of violence as politically relevant, while others remain normalized as part of the local context. Whiteness is thus proposed as an analytical tool for evaluating peace operations and international policies. The main academic contribution of this dissertation lies in displacing the category of whiteness, scarcely mobilized within International Relations, into the field of peace operations studies, articulating the concept of white racial marking with the critical literature on race, coloniality, and interventionism. In doing so, the research broadens the analytical toolkit of the discipline, offers a critical reading of the MONUSCO case, and opens pathways for future investigations on the role of Brazil and other Global South countries in multilateral missions, contributing to deeper debates on race and international politics. Socially, the research provides critical insights for rethinking practices of international cooperation, troop training, and peace policies, highlighting how racialized populations of the Global South are treated by international governance and fostering reflections on Brazil's position within this scenario.

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