A crítica como rastro de filmes perdidos: o caso de Barro Humano (1929) e Favela dos Meus Amores (1935)

dc.contributor.authorMontipó Lopes, Heitor
dc.date.accessioned2026-03-17T23:20:37Z
dc.date.available2026-03-17T23:20:37Z
dc.date.issued2026-03-17
dc.descriptionDissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcialà obtenção do título de Mestra em Estudos Latino-Americanos.
dc.description.abstractEsta dissertação investiga a crítica cinematográfica brasileira como um dispositivo de preservação simbólica da memória de filmes perdidos, analisando de que modo o discurso crítico atua na manutenção da existência imagética, histórica e cultural de obras cujas cópias fílmicas não sobreviveram. O estudo parte da constatação de que uma parcela significativa da produção do cinema brasileiro das primeiras décadas do século XX foi irremediavelmente perdida em função de incêndios, deteriorações e da ausência de políticas sistemáticas de preservação, o que impõe desafios à compreensão de sua história e de seus processos identitários. Diante desse cenário, a pesquisa toma como objetos de análise os filmes Barro Humano (1929), de Adhemar Gonzaga, e Favela dos Meus Amores (1935), de Humberto Mauro, duas obras centrais para a cinematografia nacional que sobreviveram apenas por meio de vestígios documentais e registros textuais. A pesquisa parte do pressuposto de que, na ausência das imagens, a crítica cinematográfica opera como um espaço alternativo de visualização, capaz de produzir imagens textuais, sentidos simbólicos e narrativas interpretativas que se integram à memória cultural do cinema brasileiro. Metodologicamente, o trabalho adota uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, centrada na análise interpretativa dos discursos críticos, articulando contribuições da teoria da crítica cinematográfica, da história cultural e dos estudos da memória. O corpus da pesquisa é composto por críticas, artigos e textos publicados entre o final da década de 1920 e meados da década de 1930 em jornais e revistas como Cinearte, Scena Muda, Jornal do Brasil, Diário Carioca e O Cruzeiro, reunidos principalmente a partir do acervo digital da Biblioteca Nacional. A análise examina as estratégias discursivas, descritivas e interpretativas mobilizadas pelos críticos, observando como esses textos constroem imagens simbólicas, organizam narrativas históricas e atribuem valores culturais às obras analisadas. Como resultados, a pesquisa demonstra que a crítica não apenas registra a recepção contemporânea dos filmes, mas atua ativamente na consolidação de seus legados culturais, funcionando como agente de mediação entre obra, memória e identidade. No caso de Barro Humano, a crítica projeta a imagem do filme como símbolo da modernização urbana e da industrialização do cinema brasileiro, associando-o a um ideal de progresso e profissionalização. Em Favela dos Meus Amores, os textos críticos contribuem para a fixação de uma identidade vinculada ao popular, à cultura urbana carioca e à construção de uma brasilidade cinematográfica. Conclui-se que a crítica cinematográfica desempenha um papel fundamental na preservação da memória cultural de filmes perdidos, não apenas como testemunho histórico, mas como prática ativa de produção simbólica e identitária no cinema brasileiro. Resumen Esta disertación investiga la crítica cinematográfica brasileña como un dispositivo de preservación simbólica de la memoria de películas perdidas, analizando de qué modo el discurso crítico actúa en el mantenimiento de la existencia imagética, histórica y cultural de obras cuyas copias fílmicas no sobrevivieron. El estudio parte de la constatación de que una parte significativa de la producción del cine brasileño de las primeras décadas del siglo XX se perdió de forma irremediable como consecuencia de incendios, procesos de deterioro y de la ausencia de políticas sistemáticas de preservación, lo que impone desafíos a la comprensión de su historia y de sus procesos identitarios. Frente a este escenario, la investigación toma como objetos de análisis las películas Barro Humano (1929), de Adhemar Gonzaga, y Favela dos Meus Amores (1935), de Humberto Mauro, dos obras centrales de la cinematografía nacional que sobrevivieron únicamente a través de vestigios documentales y registros textuales. La investigación parte del supuesto de que, en ausencia de las imágenes, la crítica cinematográfica opera como un espacio alternativo de visualización, capaz de producir imágenes textuales, sentidos simbólicos y narrativas interpretativas que se integran a la memoria cultural del cine brasileño. Metodológicamente, el trabajo adopta un enfoque cualitativo e interdisciplinario, centrado en el análisis interpretativo de los discursos críticos, articulando aportes de la teoría de la crítica cinematográfica, de la historia cultural y de los estudios de la memoria. El corpus de la investigación está compuesto por críticas, artículos y textos publicados entre finales de la década de 1920 y mediados de la década de 1930 en periódicos y revistas como Cinearte, Scena Muda, Jornal do Brasil, Diário Carioca y O Cruzeiro, reunidos principalmente a partir del acervo digital de la Biblioteca Nacional. El análisis examina las estrategias discursivas, descriptivas e interpretativas movilizadas por los críticos, observando cómo estos textos construyen imágenes simbólicas, organizan narrativas históricas y atribuyen valores culturales a las obras analizadas. Como resultados, la investigación demuestra que la crítica no solo registra la recepción contemporánea de las películas, sino que actúa activamente en la consolidación de sus legados culturales, funcionando como un agente de mediación entre obra, memoria e identidad. En el caso de Barro Humano, la crítica proyecta la imagen de la película como símbolo de la modernización urbana y de la industrialización del cine brasileño, asociándose a un ideal de progreso y profesionalización. En Favela dos Meus Amores, los textos críticos contribuyen a la fijación de una identidad vinculada a lo popular, a la cultura urbana carioca y a la construcción de una brasilidad cinematográfica. Se concluye que la crítica cinematográfica desempeña un papel fundamental en la preservación de la memoria cultural de películas perdidas, no solo como testimonio histórico, sino como una práctica activa de producción simbólica e identitaria en el cine brasileño.
dc.identifier.urihttps://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9732
dc.rightsopenAccess
dc.subjectcrítica cinematográfica
dc.subjectmemória cultural
dc.subjectcinema brasileiro
dc.subjectidentidade nacional
dc.titleA crítica como rastro de filmes perdidos: o caso de Barro Humano (1929) e Favela dos Meus Amores (1935)

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