Análise dos Efeitos da Sibutramina Sobre Padrão de Sono, Qualidade de Vida, Ansiedade, Sintomas Depressivos e Concentrações de Micronutrientes entre Pacientes Obesos

Resumo

A obesidade é considerada a pandemia do século XXI e um preocupante problema de saúde pública. É tida como uma doença crônica e está associada ao desenvolvimento de grande número de distúrbios endócrinos e metabólicos. Atualmente, tem crescido o númerode prescrições de inibidores do apetite, destacando-se a sibutramina. Com isso, tem se questionado o impacto desses fármacos no perfil nutricional de micronutrientes, na ansiedade, depressão e sono em pacientes obesos. Este estudo analisou o efeito da sibutramina sobre padrão de sono, qualidade de vida, ansiedade, sintomas depressivos, concentrações de micronutrientes e perfil lipídico entre pacientes obesos. Realizou-se estudo de série de casos no qual se comparou os dados obtidos anteriormente ao uso do fármaco (Tempo 0) e após o uso do mesmo (T 30, T 60 e T 90). Participaram do estudo, nove indivíduos obesos atendidos pelo Serviço Único de Saúde (SUS), por endocrinologista e clínico geral, com indicação para o uso da sibutramina. Foram investigados os seguintes micronutrientes: magnésio, zinco, selênio, ácido fólico, sódio, potássio, cálcio, fósforo, ferro, vitaminas A, D, B12 (cobalamina), B6 (piridoxina), B1 (tiamina), além de perfil lipídico. Os desfechos foram dados através dos seguintes instrumentos: escala de avaliação de depressão de Hamilton (HAM-D), escala de classificação de ansiedade de Hamilton (HAM A), inventário de Beck (IBD), questionário de qualidade de vida (SF36), índice de qualidade de sono de Pittsburgh (PSQI-BR) e questionário de frequência alimentar (QFA), juntamente com resultados observados nos exames laboratoriais. Entre os resultados, verificou-se que a terapia medicamentosa não influenciou significativamente nos níveis plasmáticos do perfil lipídico. No entanto, em relação ao intervalo entre P25 e P75 detectou-se maior retração para VLDL- colesterol de 71,4 % e o colesterol Não HDL apresentou maior média da diferença dos dois tempos com redução de 9,1 mg/dL no período. Dentre as vitaminas B1, B12 e ácido fólico, houve algum decréscimo em seus níveis no T90, porém, as vitaminas B12 e B6 sofreram impacto mais relevante com uso da medicação, com declínio de 48,3 pg/mL (p= 0,053) e de 11,5 mg/dL (p= 0,053), respectivamente, em T90. Para os minerais estudados; apenas zinco (p= 0,057) e ferro (p= 0,062) mostraram aumentos relevantes (11, 6 µg/dL, 20,7 µg/dL) em T90, ao contrário do sódio (p= 0,034) que teve uma redução de 2,0 mEq/mol. Alterações importantes foram vistas sobre a análise do consumo alimentar de alimentos processados e ultra processados. As mulheres que apresentaram traços de depressão, foi observado diferença significativa na frequência de consumo de alimentos processados em T90 (p= 0,026). Em relação ao padrão do sono, houve significância estatística somente na frequência do consumo de alimentos minimamente processados no período de T90 (p= 0,035), sendo maior entre aqueles com qualidade ruim do sono. Os aspectos funcionais vistos na escala SF36, não sofreram interferência com o consumo de alimentos industrializados.

Descrição

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduaçãoem Biociências, do Instituto Latino-Americano de Ciências da Vida e da Natureza, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciências, área de concentração Biociências.

Palavras-chave

obesidade; anorexígenos; micronutrientes; depressão; ansiedade

Citação