NARCOTRAFICANDO AMAZÔNIA/SANTOS: ANÁLISE GEOPOLÍTICA DE UMA ROTA INTERNACIONAL EMERGENTE
Nenhuma Miniatura disponível
Data
2026-08-13
Autores
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Resumo
Esta dissertação analisa os fatores que consolidam o Brasil como uma rota estratégica emergente para o narcotráfico internacional, com foco na exportação de cocaína para a Europa. O estudo se guia pela hipótese de que a ascensão econômica brasileira e o fortalecimento do mercado global de commodities nos anos 2000 criaram, involuntariamente, a infraestrutura logística necessária para a expansão de organizações criminosas transnacionais. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e utiliza o referencial teórico da Geopolítica Crítica e da Geopolítica das Drogas. A partir da revisão bibliográfica, análise de documentos governamentais e de relatórios como do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), o objetivo principal consiste em analisar os fatores que favorecem essa consolidação. Como objetivos específicos, o trabalho contextualiza a ascensão do Brasil no circuito da droga sob perspectivas históricas e socioeconômicas, identifica a importância estratégica da região amazônica e analisa o circuito interno a partir de Tabatinga (AM), com foco na territorialização e institucionalização informal do Primeiro Comando da Capital (PCC). Por fim, a pesquisa avalia a centralidade do Porto de Santos (SP), suas estruturas de segurança e as conexões internacionais que definem o destino final da droga. Os resultados demonstram que o PCC opera como uma instituição informal de governança, utilizando uma lógica empresarial para gerir fluxos ilícitos que parasitam o comércio lícito de exportação. Revela ainda que a ausência seletiva do Estado em regiões específicas como a Amazônia e periferias urbanas, facilita a construção de territórios-rede controlados pelo crime organizado. Além disso, a pesquisa evidencia que o Porto de Santos atua como o epicentro da internacionalização da facção, por sua capacidade de alcance ao global, mas principalmente pela proximidade com o maior centro financeiro do país, a cidade de São Paulo. Portanto, o estado de São Paulo destaca-se como o maior mercado consumidor de cocaína, o centro da lavagem de dinheiro do crime organizado e o principal polo exportador de drogas do país. O que se entende é que o narcotráfico no Brasil não constitui um poder paralelo, mas um fenômeno intrínseco às estruturas estatais e financeiras do país. O PCC evoluiu para um ator geopolítico não soberano e territorializador, com projeção global, estabelecendo parcerias com máfias europeias e expandindo sua influência para o exterior.
Abstract
Descrição
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Integração Contemporânea da América Latina da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Integração Latino-Americana.
Palavras-chave
Narcotráfico, Geopolítica Critica, Crime Organizado.