Análise Espacial e Epidemiológica dos Casos de Leishmaniose Visceral Canina e Humana em Foz do Iguaçu, entre os Anos de 2015 e 2020

Resumo

O estado do Paraná era considerado indene para a Leishmaniose Visceral (LV) até 2012. A partir daquele ano, esforços foram destinados a identificar o vetor e o reservatório doméstico desta zoonose no estado. O primeiro registro do flebotomíneo Lutzomyia longipalpis (vetor), ocorreu em 2012, no município de Foz do Iguaçu, na região de fronteira com a Argentina e o Paraguai. Em 2013, foi notificado o primeiro caso canino da doença, e, em 2015, o primeiro caso humano. Comprovada a endemia, o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), órgão da Secretaria Municipal de Saúde, iniciou as ações para executar o Programa de Vigilância e Controle da LV, do Ministério da Saúde. Entre os anos de 2015 e 2020, 12.205 amostras de cães foram analisadas para o diagnóstico da doença. Foi encontrada uma prevalência de 37,94% (4.630 amostras): o ano com maior prevalência foi 2016, com 46,25%, e o ano com a menor prevalência, 2020, com 25,98%. Os casos humanos foram avaliados no mesmo período e a incidência acumulada foi de 1,39 casos/100 mil habitantes, sendo a maior incidência em homens, na faixa etária de 15 a 69 anos, com taxa de letalidade de 31,8%. Foram analisados possíveis fatores de risco para os cães, e os resultados obtidos foram: se a requisição do exame foi realizada pelo CCZ foi um fator protetor significativo, com menor prevalência (37,5%) do que os cães oriundos de clínicas particulares (OR de 0,89, valor de p = 0,016). Os machos apresentaram-se significantemente mais infectados do que as fêmeas, com 41,1% e 35,7% de positividade, respectivamente (OR = 1,24, p < 0,0001). Os cães de companhia e os sem raça definida (SRD) foram significativamente menos acometidos que os outros grupos testados (OR = 0,44, p < 0,001; OR = 0,79, p = 0,012, respectivamente). A cor escura da pelagem dos cães foi um fator de risco significativo com relação às outras categorias de cores, com 41,2% de positividade (OR = 1,21, p = 0,002). Os tamanhos de pelagem curto e mediano foram significantemente considerados fatores de risco, com 41,3% e 31,3% de positividade (OR = 2,01, p < 0,001; OR = 1,39, p = 0,001, respectivamente). Já os cães de pelo longo tiveram apenas 22,7% de positividade. Nas análises univariadas, os cães gigantes, grandes e médios foram significantemente mais acometidos que os de pequeno porte (OR = 1,50, p = 0,003; OR = 1,46, p < 0,001; OR = 1,66, p < 0,001, respectivamente). Os cães até quatro anos de idade foram significantemente menos acometidos que os das outras faixas etárias (OR = 0,30, p < 0,001; OR = 0,73, p < 0,001, respectivamente). Houve coincidência de casos humanos e caninos na distribuição espacial; porém, de acordo com a literatura, seria esperada maior incidência em humanos, devido à alta prevalência encontrada em cães. Portanto, novos estudos devem ser realizados para entender a dinâmica da doença no município.

Descrição

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduaçãoem Biociências, do Instituto Latino-Americano de Ciências da Vida e da Natureza, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciências, área de concentração Biociências.

Palavras-chave

fatores de risco, zoonose, leishmaniose visceral, epidemiologia

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