A saúde única das Américas sob o enfoque socioeconômico e ambiental

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Data

2025

Autores

Sibim, Alessandra Cristiane

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Resumo

A Saúde Única (One Health, Uma Só Saúde) é uma abordagem interdisciplinar que visa integrar saúde humana, animal, vegetal e ambiental, reconhecendo suas interdependências para enfrentar desafios globais como pandemias zoonóticas. A emergência da COVID-19, ressaltou a importância dessa abordagem para entender como fatores ambientais, sociais, políticos e econômicos contribuem para crises globais de saúde. Embora amplamente reconhecida, a implementação prática dessa abordagem enfrenta limitações devido à ausência de metodologias padronizadas e ferramentas adequadas de avaliação adaptadas a contextos específicos. Neste trabalho, estudamos a Saúde Única das Américas, qualificando e quantificando as saúdes humana, animal e ambiental desta macrorregião sob índices integrados. Por meio de levantamento bibliográfico e de entrevistas com representantes de diferentes países, significamos a região de acordo com parâmetros socioeconômicos, demográficos e ambientais. Nosso primeiro capítulo desenvolveu e avaliou um Índice de Saúde Única (OHI) para os países sul-americanos, assim como sua interação com indicadores socioeconômicos. Encontramos associação positiva entre OHI e Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mas não com o Produto Interno Bruto (PIB). Embora países com estabilidade política, maiores investimentos em saúde e políticas progressistas apresentem maior OHI, a saúde ambiental não se correlacionou diretamente com melhores indicadores de saúde humana e animal. A contribuição positiva da Floresta Amazônica para a saúde ambiental, contrastou com sistemas precários de saúde humana locais. A ausência de indicadores robustos para saúde animal foi identificada como uma limitação às estratégias de Saúde Única na região. Nosso segundo capítulo avaliou as iniciativas de Saúde Única das Américas por meio da percepção da saúde com enfoque veterinário de representantes de instituições governamentais das Américas. Nossos resultados, explorando a resposta de um questionário por representantes de 17 países, revelaram que aspectos relacionados à segurança alimentar dos países são mais bem avaliados que a execução de políticas públicas relacionadas à saúde. As rotinas institucionais relacionadas aos programas de zoonoses ainda são uma lacuna na região. O estudo mostrou que a integração internacional e o acesso às diretrizes globais na área de saúde com enfoque animal, foram mais bem avaliados do que a articulação interna, sugerindo que as políticas públicas da saúde dos países carecem de avanços. Portanto, é evidente a necessidade de métodos eficazes e indicadores eficazes para avaliar a interdependência entre saúde humana, animal e ambiental, especialmente em contextos vulneráveis, como a América do Sul. A integração de indicadores socioeconômicos e ambientais com a saúde é imperativa para implementação de políticas públicas que considerem as especificidades regionais e locais. Embora os países com maior estabilidade política e investimentos em saúde apresentem melhores resultados de Saúde Única, ainda existem desafios quanto à saúde animal e à coordenação interna dos países entre os diferentes setores envolvidos. Nossos resultados reforçam a necessidade de uma abordagem internacionalmente coordenada e integrada, para enfrentar as questões de saúde na região.

Abstract

One Health is an interdisciplinary approach that aims to integrate human, animal, plants and environmental health, recognizing their interdependencies to address global challenges such as zoonotic pandemics. The emergence of COVID-19 highlighted the importance of this approach in understanding how environmental, social, politic and economic factors contribute to global health crises. Although widely recognized, the practical implementation of this approach faces limitations due to the lack of standardized methodologies and appropriate assessment tools adapted to specific contexts. In this study, we investigated One Health in the Americas, qualifying and quantifying human, animal, and environmental health in this macro-region using integrated indices. Through a literature review and interviews with representatives from different countries, we characterized the region according to socioeconomic, demographic, and environmental parameters. Our first chapter developed and evaluated a One Health Index (OHI) for South American countries, as well as its interaction with socioeconomic indicators. We found a positive association between OHI and the Human Development Index (HDI), but not with Gross Domestic Product (GDP). Although countries with political stability, greater investments in health, and progressive policies have higher OHIs, environmental health did not correlate directly with better human and animal health indicators. The positive contribution of the Amazon Rainforest to environmental health contrasted with precarious local human health systems. The absence of robust indicators for animal health was identified as a limitation to One Health strategies in the region. Our second chapter assessed One Health initiatives in the Americas through the perception of veterinary health by representatives of government institutions in the Americas. Our results, exploring the response of a questionnaire by representatives from 17 countries, revealed that aspects related to food safety are better evaluated than the execution of public health policies. Institutional routines related to zoonosis programs are still a gap in the region. The study showed that international integration and access to global guidelines in the area of animal health were better evaluated than internal articulation, suggesting that countries' public health policies lack progress. Therefore, there is a clear need for robust methods and effective indicators to assess the interdependence between human, animal, and environmental health, especially in vulnerable contexts such as South America. The integration of socioeconomic and environmental indicators with health is imperative for the implementation of public policies that consider regional and local specificities. Although countries with greater political stability and investments in health have better One Health outcomes, challenges persist, especially regarding animal health and internal coordination among the different sectors involved. Our results reinforce the need for a coordinately and internationally integrated approach to address health issues in the region.

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Palavras-chave

indicadores de saúde, Organização Mundial da Saúde, políticas públicas, segurança alimentar

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