INFLUÊNCIA DO USO DO SOLO NA MORFOLOGIA DE GIRINOS DE DUAS ESPÉCIES DO GÊNERO Scinax (AMPHIBIA, ANURA, HYLIDAE) NO OESTE DO PARANÁ

Resumo

As mudanças no uso e ocupação do solo, incluindo a urbanização, alteram drasticamente os ecossistemas terrestres e aquáticos, modificando a paisagem e, consequentemente, a distribuição das espécies, além de exercer uma pressão seletiva sobre os indivíduos. Neste contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar se as mudanças no uso e ocupação do solo influenciam na forma e tamanho de duas espécies de anuros do gênero Scinax ao longo de um gradiente de urbanização na Mata Atlântica do sul do Brasil. Para isso, girinos de Scinax fuscovarius e S. squalirostris foram amostrados em áreas florestais, rurais e urbanas nos municípios de Foz do Iguaçu e Santa Terezinha de Itaipu. Foi usada a abordagem de morfometria geométrica para analisar comparativamente a morfologia. Verificamos que a cobertura do solo afetou o tamanho corporal em ambas as espécies (P = 0,0151). Foi observado um efeito significativo da cobertura do solo sobre a forma, tanto para S. fuscovarius (R² = 0,0321; P = 0,0221) quanto para S. squalirostris (R² = 0,0491; P = 0,0271). A maior parte da variação morfológica (>70%) foi retida nos dois primeiros eixos de ordenação para as duas espécies. A relação alométrica entre forma e tamanho, variou conforme a espécie e o tipo de uso de solo, foi positiva para S. fuscovarius apenas na área florestal (P = 0,0201), e negativa na área urbana (P = 0,013) e para S. squalirostris foi negativa nas áreas urbanas (P = 0,0265), as áreas rurais e florestais, sem relação alométrica. Verificamos que as mudanças na cobertura do solo influenciaram a morfologia das duas espécies, porém de formas distintas entre si, enquanto S. fuscovarius apresentou variações mais sutis com áreas rurais funcionando como intermediário gradual, S. squalirostris apresentou alterações morfológicas mais pronunciadas, especialmente na cauda no gradiente rural, sugerindo maior plasticidade às pressões seletivas impostas pelas antropização. Adicionalmente, áreas rurais atuaram como zona de interseção morfológica entre os extremos florestal e urbano para ambas espécies, sugerindo um gradiente contínuo de resposta à antropização. Nossos resultados reforçam que as alterações no uso e cobertura do solo exercem pressões seletivas sobre a morfologia das espécies de anuros, as quais se mostraram plásticas e adaptativas, contudo, reforça a necessidade de monitoramento das populações a longo prazo para avaliar possíveis impactos na aptidão.

Abstract

Descrição

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Ciências da Vida e Natureza da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Ciências Biológicas – Ecologia e Biodiversidade.

Palavras-chave

Mata Atlântica, Ecomorfologia, Morfometria Geométrica, Plasticidade Fenotípica, Paisagem Antropizada

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