Análise Ecoepidemiológico da Leishmaniose Visceral Canina no Município de Foz do Iguaçu entre 2018 e 2019

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2022

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Resumo

As leishmanioses são consideradas doenças parasitárias zoonóticas e cosmopolitas, em processo de expansão em diversos continentes. A alta adaptabilidade do agente etiológico a um amplo espectro de hospedeiros mamíferos é observada na forma mais agressiva da doença, a leishmaniose visceral (LV) ou Calazar, causada pelo protozoário Leishmania infantum, e transmitida a seus hospedeiros vertebrados pelo flebotomíneo Lutzomia longipalpis. Com características ecoepidemiológicas singulares, embora possa se apresentar insidiosa em parte importante do seu curso natural, a LV é responsável por altas taxas de letalidade quando não tratada. A cidade de Foz do Iguaçu, fronteiriça com Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazu (Argentina) apresenta um intenso fluxo de pessoas e animais, o que pode facilitar a circulação de diferentes espécies e cepas de Leishmania. Nos últimos anos, a casuística de LV vem aumentando de forma preocupante na população canina da cidade e o primeiro caso humano autóctone foi confirmado no ano de 2015. Atualmente, o Centro de Controle de Zoonozes (CCZ) e os laboratórios de referência estaduais utilizam testes rápidos e sorológicos de ELISA (Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) para diagnosticar a enfermidade em cães do município e da região, procedimento indicado pelo Ministério da Saúde. Entretanto, número importante de casos, incluindo-se muitos subclínicos, necessita de confirmação por técnicas que apresentem maior sensibilidade e especificidade diagnósticas. Neste estudo foram averiguados os resultados através da análise de concordância por meio do Coeficiente de Cohen Kappa entre o teste rápido com a confirmação pelo teste de ELISA em relação ao teste molecular via PCR (polymerase chain reaction) em tempo real utilizando amostra de sangue total obtido pela demanda espontânea do CCZ, realizando-se um levantamento socioambiental dos tutores dos animais e correlacionando o com a situação epidemiológica desta enfermidade canina. O estudo também elaborou mapa de adequabilidade ambiental baseados nas condições climáticas e avaliou potencial área de ocorrência da zoonose. Através do modelo estatístico verificou-se que não houve concordância entre o teste molecular com os testes sorológicos resultando em um valor k=0,1675. Outro ponto analisado refletiu que a permanência do animal em área externa aumenta o risco em mais de cinco vezes de contraírem a doença. Em relação a adequabilidade ambiental, concluiu-se que a cidade apresenta um elevado potencial de ocorrência da leishmaniose visceral canina. O presente estudo visou contribuir com análises ecoepidemiológicas da região e auxiliar no melhor conhecimento sobre as características moleculares do parasita da LV circulante na Tríplice Fronteira, buscando incrementar e validar as opções diagnósticas disponíveis na região.

Descrição

Dissertação de mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduaçãoem Biociências, do Instituto Latino-Americano de Ciências da Vida e da Natureza, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Ciências, área de concentração Biociências.

Palavras-chave

leishmaniose visceral, diagnóstico molecular, ecoepidemiologia

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