Encarceramento e fronteira: violações de direitos humanos no cárcere em Foz do Iguaçu
| dc.contributor.author | Santos, Karen Emanuelly Lutkmeier dos | |
| dc.date.accessioned | 2026-07-27T16:39:25Z | |
| dc.date.available | 2026-07-27T16:39:25Z | |
| dc.date.issued | 2026-07-27 | |
| dc.description.abstract | O presente trabalho tem como objetivo analisar o perfil da população carcerária em Foz do Iguaçu-PR. Busca-se investigar como a dinâmica de fronteira e a seletividade penal impactam grupos vulneráveis, mapeando as barreiras institucionais e biográficas que impedem o acesso a direitos básicos, especialmente por estrangeiros. Sob a ótica dos Direitos Humanos e da Criminologia Crítica, a pesquisa foca na interseccionalidade entre nacionalidade, raça e condição socioeconômica. Metodologicamente, o estudo é descritivo e analítico, utilizando levantamento bibliográfico, análise de dados estatísticos secundários do SISDEPEN e do Censo IBGE 2022, além da observação participante vivenciada durante Residência Técnica Jurídica no Complexo Social do município. Os resultados demonstram uma disparidade acentuada: Foz do Iguaçu concentra 48,4% dos presos estrangeiros do Paraná, majoritariamente paraguaios com traços fenotípicos marginalizados. A análise da tipificação penal revela que 66% das condenações referem-se a crimes patrimoniais ou de drogas, evidenciando uma "gestão da miséria" que penaliza o pequeno transportador ("mula"). Identificou-se, ainda, uma profunda invisibilidade institucional provocada pela lacuna de registros biográficos e socioeconômicos dos custodiados. Conclui-se que o sistema prisional na fronteira opera como um filtro seletivo que impõe uma dupla punição ao indivíduo latino-americano, pelo delito e pela origem. Para além da falha no combate às cúpulas do crime organizado, o diagnóstico aponta para a ineficácia das políticas proibicionistas e a urgência de fortalecer a assistência jurídica especializada, bem como a implementação de mecanismos de justiça alternativa e políticas públicas regionalizadas. Resumen El presente trabajo tiene como objetivo analizar el perfil de la población carcelaria en Foz do Iguaçu-PR. Se busca investigar cómo la dinámica de frontera y la selectividad penal impactan a los grupos vulnerables, mapeando las barreras institucionales y biográficas que impiden el acceso a derechos básicos, especialmente por parte de extranjeros. Bajo la óptica de los Derechos Humanos y de la Criminología Crítica, la investigación se centra en la interseccionalidad entre nacionalidad, raza y condición socioeconómica. Metodológicamente, el estudio es descriptivo y analítico, utilizando revisión bibliográfica, análisis de datos estadísticos secundarios del SISDEPEN y del Censo IBGE 2022, además de la observación participante vivenciada durante la Residencia Técnica Jurídica en el Complejo Social del municipio. Los resultados demuestran una marcada disparidad: Foz do Iguaçu concentra el 48,4% de los presos extranjeros del estado de Paraná, mayoritariamente paraguayos con rasgos fenotípicos marginalizados. El análisis de la tipificación penal revela que el 66% de las condenas se refieren a delitos contra el patrimonio o de drogas, evidenciando una "gestión de la miseria" que penaliza al pequeño transportador ("mula"). Se identificó, además, una profunda invisibilidad institucional provocada por la falta de registros biográficos y socioeconómicos de los custodiados. Se concluye que el sistema penitenciario en la frontera opera como un filtro selectivo que impone un doble castigo al individuo latinoamericano: por el delito y por su origen. Más allá de la falla en el combate a las cúpulas del crimen organizado, el diagnóstico apunta hacia la ineficacia de las políticas prohibicionistas y la urgencia de fortalecer la asistencia jurídica especializada, así como la implementación de mecanismos de justicia alternativa y políticas públicas regionalizadas. | |
| dc.identifier.uri | https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9925 | |
| dc.language.iso | vi | |
| dc.rights | openAccess | |
| dc.subject | prisão - Foz do Iguaçu (PR | |
| dc.subject | direitos humanos | |
| dc.subject | encarceramento | |
| dc.subject | seletividade penal | |
| dc.title | Encarceramento e fronteira: violações de direitos humanos no cárcere em Foz do Iguaçu | |
| dcterms.abstract | PR. It seeks to investigate how border dynamics and penal selectivity impact vulnerable groups, mapping the institutional and biographical barriers that prevent access to basic rights, especially for foreigners. From the perspective of Human Rights and Critical Criminology, the research focuses on the intersectionality between nationality, race, and socioeconomic status. Methodologically, the study is descriptive and analytical, utilizing a literature review, analysis of secondary statistical data from SISDEPEN and the 2022 IBGE Census, in addition to participant observation experienced during a Legal Technical Residency at the city's Social Complex. The results demonstrate a sharp disparity: Foz do Iguaçu accounts for 48.4% of foreign inmates in the state of Paraná, most of whom are Paraguayan nationals with marginalized phenotypic traits. The analysis of criminal classification reveals that 66% of convictions are related to property or drug crimes, evidencing a "management of misery" that penalizes the small-scale transporter ("mule"). Furthermore, a profound institutional invisibility was identified, caused by the lack of biographical and socioeconomic records of the inmates. It is concluded that the prison system at the border operates as a selective filter that imposes a double punishment on the Latin American individual: for both the offense and their origin. Beyond the failure to combat organized crime leadership, the diagnosis points to the ineffectiveness of prohibitionist policies and the urgent need to strengthen specialized legal assistance, as well as the implementation of alternative justice mechanisms and regionalized public policies. |
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