ENTRE A TRADIÇÃO E A EXCLUSÃO: UMA ANÁLISE QUALITATIVA SOBRE A AUSÊNCIA DE ARTICULAÇÃO ENTRE RAÇA E GÊNERO NA POLÍTICA EXTERNA BRASILEIRA.
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Data
2026-07-06
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Resumo
Este trabalho analisa criticamente como as dimensões de raça e gênero foram incorporadas na política externa brasileira, com foco na atuação e na articulação entre o Ministério das Relações Exteriores (MRE), o Ministério da Igualdade Racial (MIR) e o Ministério das Mulheres (MMulheres). A pesquisa sustenta que a fragilidade da incorporação interseccional nessas agendas resulta, em grande medida, de práticas, rotinas e repertórios institucionais que naturalizam a branquitude e o androcentrismo como padrões de legitimidade na diplomacia brasileira, e que a desarticulação entre os órgãos responsáveis por essas pautas constitui uma expressão institucional desse problema estrutural. Para responder a esse problema, a pesquisa adota abordagem qualitativa e crítica, combinando revisão bibliográfica das contribuições do racismo estrutural, dos feminismos nas Relações Internacionais e da interseccionalidade em chave decolonial com análise documental de discursos oficiais, programas institucionais e instrumentos normativos produzidos pelos três ministérios. Portanto, a dimensão empírica concentra-se na atuação dessas instituições em três arenas multilaterais: o Fórum Permanente sobre Pessoas Afrodescendentes da Organização das Nações Unidas (ONU), o G20 e o BRICS, tomando a mulher negra como sujeito analítico central, por ser ela quem evidencia com maior nitidez os limites das abordagens de eixo único. Os resultados indicam que, embora a política externa brasileira tenha avançado no reconhecimento discursivo e institucional das pautas de igualdade racial e de gênero, esse avanço ocorre de forma seletiva, parcial e fragmentada, produzindo mais visibilidade simbólica do que redistribuição efetiva de poder. Com isso, a articulação entre o MRE, o MIR e o MMulheres mostraram-se limitada, predominando iniciativas setoriais e parcerias pontuais em vez de mecanismos permanentes de coordenação orientados por uma lógica interseccional. A pesquisa conclui que a interseccionalidade opera, na política externa contemporânea, mais como um horizonte normativo do que como princípio organizador das práticas institucionais, e que a consolidação de uma política externa verdadeiramente interseccional depende tanto da ampliação do reconhecimento discursivo quanto da transformação das estruturas que ainda organizam a tomada de decisão estatal a partir de hierarquias racializadas e patriarcais.
Abstract
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Economia, Sociedade e Política da Universidade Federal da Integração Latino- Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais e Integração.
Palavras-chave
Política Externa Brasileira, Racismo Estrutural, Gênero, Interseccionalidade