Estudo da estabilidade dos fitocannabinóides THC e CBD da Cannabis sativa L. em diferentes óleos vegetais
Data
2026-07-15
Autores
Blanco Castañeda, Jeisson Brandway
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Editor
Resumo
Diante da crescente popularização da cannabis medicinal no tratamento de doenças psicológicas, neurodegenerativas e outras condições, bem como de suas propriedades antiinflamatórias e analgésicas, efeitos atribuídos principalmente à ação sinérgica dos fitocannabinóides na modulação de respostas inflamatórias e dolorosas, o estudo das diferentes formulações de produtos medicinais canábicos tem se tornado um campo de investigação de elevada relevância, com o objetivo de assegurar a eficácia e a segurança dos fitofármacos ao longo do tratamento. Nesse contexto, a formulação oral de cannabinóides dissolvidos em excipientes à base de óleos vegetais destaca-se como a principal via terapêutica utilizada. No entanto, a suscetibilidade de cannabinóides como o THC e o CBD a processos degradativos induzidos por fatores ambientais é amplamente documentada, ao passo que estudos de estabilidade de produtos canábicos formulados em matrizes oleosas são escassos. Com base no exposto, o presente trabalho propôs realizar um estudo de estabilidade de diversos fitofármacos formulados em diferentes excipientes oleosos de origem vegetal, avaliando o efeito de propriedades intrínsecas (como o tipo de excipiente, o uso de aditivos e a presença dos cannabinóides) bem como o impacto das condições de armazenamento (temperatura e luz) na degradação dos cannabinóides ao longo de 180 dias. A concentração dos cannabinóides foi monitorada quinzenalmente utilizando o método analítico de cromatografia líquida HPLC-DAD, previamente validado. Os resultados obtidos indicam que o óleo de milho, seguido pelo óleo de oliva extravirgem, constituem os melhores excipientes entre os estudados, promovendo maior estabilidade tanto para o THC quanto para o CBD. Em contrapartida, os triglicerídeos de cadeia média (TCM) apresentaram o pior desempenho, atingindo porcentagens de degradação total de até 99%. A luz foi a variável mais influente na degradação, independentemente da amostra analisada, promovendo as maiores taxas de degradação e as maiores perdas, tanto de THC quanto de CBD. A temperatura, por sua vez, exibiu comportamento menos uniforme em comparação à luz, observando-se, de modo geral, maior degradação do THC a 20 °C. A adição de antioxidantes não se mostrou tão eficaz quanto o esperado. Em relação à vitamina E, as taxas de degradação foram entre 2% e 11% menores para o CBD, e entre 3% e 22% menores para o THC, em comparação com as amostras sem o antioxidante. No óleo de gergelim, foram observadas porcentagens de degradação menores, de até 10%, nas amostras contendo BHA. Embora a adição de antioxidantes se mostre promissora, são necessários estudos adicionais para sua melhor caracterização e otimização.
Abstract
Given the growing popularity of medicinal cannabis in the treatment of psychological, neurodegenerative, and other conditions, as well as its anti-inflammatory and analgesic properties effects mainly attributed to the synergistic action of phytocannabinoids in modulating inflammatory and pain responses the study of different formulations of cannabisbased medicinal products has become a highly relevant field of research, aimed at ensuring the efficacy and safety of phytopharmaceuticals throughout treatment. In this context, the oral formulation of cannabinoids dissolved in vegetable oil-based excipients stands out as the main therapeutic route currently used. However, the susceptibility of cannabinoids such as THC and CBD to degradation processes induced by environmental factors is widely documented, whereas stability studies of cannabis products formulated in oily matrices are scarce. Based on the above, the present study aimed to conduct a stability assessment of several phytopharmaceuticals formulated with different vegetable oil-based excipients, evaluating the effect of intrinsic properties (such as the type of excipient, use of additives, and presence of cannabinoids) as well as the impact of storage conditions (temperature and light) on cannabinoid degradation over a 180-day period. Cannabinoid concentrations were monitored every 15 days using a previously validated HPLC-DAD liquid chromatography analytical method. The results obtained indicate that corn oil, followed by extra virgin olive oil, are the best excipients among those studied, promoting greater stability for both THC and CBD. In contrast, MCT oil showed the worst performance, reaching total degradation percentages of up to 99%. Light was identified as the most influential variable in the degradation process, regardless of the sample analyzed, promoting the highest degradation rates and the greatest losses of both THC and CBD. Temperature, in turn, exhibited less uniform behavior compared to light, with generally greater THC degradation observed at 20 °C. The addition of antioxidants did not prove as effective as expected. Regarding vitamin E, degradation rates were 2% to 11% lower for CBD and 3% to 22% lower for THC compared to samples without the antioxidant. In sesame oil, lower degradation percentages, up to 10%, were observed in samples containing BHA. Although the addition of antioxidants appears promising, further studies are needed for better characterization and optimization.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Tecnologia, Infraestrutura e Território da Universidade Federal da Integração Latino- Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Engenharia Química.
Palavras-chave
antioxidantes, maconha - uso terapêutico, doenças - tratamento, cannabis medicinal