PPGHIS - Programa de Pós-Graduação em História
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Navegando PPGHIS - Programa de Pós-Graduação em História por Assunto "civilização"
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Item O crepúsculo: escravidão, raça e a construção da nação na Bahia da década de 1840(2026-06-15) Gomes, Barbara BalenaEsta dissertação analisa como o jornal O Crepúsculo, publicado em Salvador entre 1845 e 1847, abordou a escravidão, o tráfico atlântico e a população negra no interior de um projeto de modernidade e construção nacional. Produzido por médicos e letrados vinculados à Faculdade de Medicina da Bahia, o periódico articulava discursos científicos, morais e literários na formulação de um ideal de civilização orientado por referenciais europeus. A pesquisa parte do conjunto completo dos trinta números do jornal, privilegiando textos que mencionam direta ou indiretamente a população negra, o tráfico e a escravidão, bem como aqueles que mobilizam categorias como progresso, moralidade e civilização. O referencial teórico articula o conceito de representação, conforme elaborado por Roger Chartier (1990), à noção de modernidade como experiência histórica ambivalente, formulada por Marshall Berman (1986), e ao regime de historicidade proposto por Reinhart Koselleck (2006). A partir dessa triangulação, compreende-se o periódico como instância ativa na produção simbólica de hierarquias sociais e na reorganização das temporalidades. Argumenta-se que O Crepúsculo contribuiu para formular uma modernidade científica, na qual o futuro nacional era projetado a partir da autoridade de uma elite letrada, enquanto a população negra era posicionada em uma temporalidade associada ao atraso, à tutela ou à necessidade de reforma moral. Ao articular história da imprensa e história social, a pesquisa demonstra que o discurso modernizador se projeta no próprio título do periódico, O Crepúsculo, evocando uma experiência histórica marcada pela ideia de transição: o declínio de uma ordem social colonial e escravista e o anúncio incerto de um novo tempo associado aos ideais de modernidade, civilização e progresso. Resumen Esta disertación analiza cómo el periódico O Crepúsculo, publicado en Salvador entre 1845 y 1847, abordó la esclavitud, la trata atlántica y la población negra dentro de un proyecto de modernidad y construcción nacional. Producido por médicos y estudiosos vinculados a la Facultad de Medicina de Bahía, el periódico articuló discursos científicos, morales y literarios en la formulación de un ideal de civilización guiado por referencias europeas. La investigación se basa en el conjunto completo de treinta números del periódico, centrándose en textos que mencionan directa o indirectamente a la población negra, la trata y la esclavitud, así como aquellos que movilizan categorías como progreso, moral y civilización. El marco teórico articula el concepto de representación, elaborado por Roger Chartier (1990), con la noción de modernidad como una experiencia histórica ambivalente, formulada por Marshall Berman (1986), y el régimen de historicidad propuesto por Reinhart Koselleck (2006). A partir de esta triangulación, el periódico se entiende como una instancia activa en la producción simbólica de jerarquías sociales y la reorganización de temporalidades. Se sostiene que El Crepúsculo contribuyó a formular una modernidad científica, en la que el futuro nacional se proyectaba a partir de la autoridad de una élite alfabetizada, mientras que la población negra se posicionaba en una temporalidad asociada al atraso, la tutela o la necesidad de reforma moral. Al articular la historia de la prensa y la historia social, la investigación demuestra que el discurso modernizador se proyecta en el título del propio periódico, O Crepúsculo, evocando una experiencia histórica marcada por la idea de transición: la decadencia de un orden social colonial y esclavista y el anuncio incierto de un nuevo tiempo asociado a los ideales de modernidad, civilización y progreso.