Navegando por Autor "Luiza Ritz Bertocco"
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Item A materialidade como energia vital: corpos de axé e vento para o Candomblé Yorubá e para os Mayas Cruzo'ob(UNILA, 2025-12-28) Luiza Ritz Bertocco; OrientaçãoA presente dissertação investiga o conceito de corpo nas cosmovisões do candomblé yorubá no Brasil (Ara) e da religiosidade Cruzo’ob maya no México (Winkilil), compreendendo-o como entidade relacional que articula dimensões materiais (barro, carne, ossos, fibras, ferro, etc.) e imateriais (axé no candomblé e ventos entre os mayas). Mais do que receptáculos biológicos, esses corpos são entendidos como centros de energia vital, capazes de transformação ao longo da vida e em diálogo constante com outros seres. A pesquisa explora como certos objetos podem ter estados temporários de vida ou morte, onde curandeiros podem identificar e ‘acordar’ estes corpos por meio de rituais, que se dá ‘amarrando’, renovando ou removendo ventos nestes receptáculos. Essa energia vital é dinâmica e se transforma pela interação constante entre seres humanos, divindades e elementos da natureza. Para analisar essas conexões e comunicações entre diferentes planos existenciais, recorro ao conceito de “sentipensar” de Fals Borda, desenvolvido por Patrício Guerrero, para compreender como cabeça e coração se configuram como centros energéticos complementares e cruciais para o equilíbrio e a saúde, em contraposição à primazia da razão-cabeça na epistemologia ocidental. O estudo desenvolve-se através de um trânsito investigativo entre Brasil e México, fundamentado na pesquisa de campo no estado de Quintana Roo (Chetumal e Felipe Carrillo Puerto), bem como no levantamento, análise bibliográfica e interlocuções rituais no contexto brasileiro. A análise baseia-se no conceito de actantes da Teoria Ator-Rede de Bruno Latour (2012) e examina como diferentes corpos podem atuar como condutores energéticos em rituais e na cotidianidade, desde que recebam manutenção adequada e estejam alinhados com as qualidades de certas divindades. Essas conexões entre humanos e não-humanos são viáveis graças aos ‘centros anímicos’ no corpo humano, que - assim como o universo maya representado pelo quincunce - incluem quatro lateralidades e um ponto central (umbigo), viabilizam a circulação de energias e a conexão entre planos existenciais. Os resultados evidenciam a importância das interações entre diferentes dimensões dos corpos e dos territórios na constituição da saúde integral.