Navegando por Autor "Fernandes, Anderson da Silva"
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Item Castelos e cárceres de papel: A marginalidade da prática de capoeira nas páginas do Jornal do Commercio (1850-1890).(2025) Fernandes, Anderson da Silva; OrientaçãoO objetivo principal desta pesquisa é analisar como a prática da capoeira foi retratada nas publicações do Jornal do Commercio do Rio de Janeiro, um dos periódicos de maior circulação entre 1850 e 1890. As fontes foram obtidas na plataforma da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional, com ênfase em notícias que mencionam capoeira e capoeiragem. A problemática da pesquisa está diretamente relacionada a um aspecto paradoxal evidenciado nas representações discursivas da capoeira e de seus praticantes na imprensa periódica: por um lado, os jornais publicaram textos em que aparecem discursos morais sobre a prática de capoeira, considerados um “mal social”, contribuindo para a marginalização da prática e de seus compositores desde as primeiras décadas de instauração da imprensa oficial no Brasil; por outro lado, a marginalização da prática contribuía para os jornais, na medida em que alimentava as colunas criminais de suas páginas com descrições sobre os conflitos e ocorrências urbanas envolvendo os praticantes de capoeira e as forças da ordem, gerando medo e receio nas camadas médias e altas, principais leitoras e consumidoras de periódicos. Desse modo, a pesquisa busca, por meio de referenciais teórico-metodológicos de análise de impressos periódicos, investigar o modo como a prática de capoeira, desenvolvida e disseminada por africanos e afro-brasileiros, foi reprimida com perseguições e violências a seus adeptos de forma intensa, principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Além disso, e em diálogo com a história social, a pesquisa tem como objetivo refletir sobre as estratégias de enfrentamento da ordem, isto é, ao entender que mesmo que boa parte das publicações estejam carregadas de intencionalidades contra a propagação da capoeira - que tanto repúdio gerou nas elites e nas camadas mais privilegiadas - constam nestas fontes elementos importantes para se compreender melhor sobre a prática, como descrições de data, local, tipo de prisão, nomes, detalhes sobre as ocorrências, entre outros. Assim, parte do trabalho dedica-se a reconstruir a história da capoeira e da imprensa no Brasil na segunda metade do século XIX, enquanto outra se concentra em analisar a relação entre o Jornal do Commercio e a prática, destacando os discursos e informações que permitem observar como se consolidou, ao longo do século XIX, essa duradoura interação entre capoeira e imprensa.Item "Eu tava na Minha casa, sem Pensá, sem Imaginá": os Capoeiras entre a Marginalidade e a Guerra do Paraguai(2022) Fernandes, Anderson da Silva; Uhle, Ana RitaEste trabalho busca compreender a memória da presença afro-brasileira na Guerra do Paraguai, a partir do cruzamento de: fontes orais (canções de capoeira), historiografia relacionada ao tema, e fontes de jornais durante os anos 1860-1870 , e entender porque essas memórias persistem em aparecer no universo da capoeira. As memórias presentes nas canções e no ensino da capoeira, por vezes tratam-se de memórias que foram subalternizadas dentro da construção da memória oficial, e que em oposição a ela reivindicam seu espaço. Esse espaço reivindicado pelas memórias da capoeira, é o espaço das populações afro-brasileiras como ativas e participantes da História e das transformações sociais de seu tempo. Os capoeiras, homens negros, livres e escravizados, que foram marginalizados pelo sistema escravocrata dentro do século XIX, não se renderem a repressão imposta, e causaram terror nas elites, principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Pelas memórias das canções, e da oralidade da capoeira, e por outros vestígios do passado, recrutar os praticantes de capoeira para a guerra, possivelmente era uma forma de resolver dois problemas para a sociedade imperial do período: sendo o primeiro diminuir os conflitos gerados pelos capoeiras com as forças da ordem, que provocavam terror nas elites, e o segundo conseguir atender as demandas de contingente para os batalhões que seguiram para o maior conflito armado do nosso continente.