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DECOLONIZAR A CIÊNCIA: CAMINHOS PARA A INCLUSÃO DOS SABERES INDÍGENAS NO CURRÍCULO DO ENSINO SUPERIOR
(2026-01-29) SOUZA, Daniel Custódio; Orientação
Neste artigo, investigamos como o currículo da educação superior pode se estruturar para atender às especificidades culturais e epistemológicas dos povos indígenas. A inclusão dos saberes indígenas no espaço acadêmico é um tema que destaca a importância de valorizar a diversidade cultural e epistemológica, na construção de uma educação que respeite e integre diferentes formas de conhecimento. A presença de estudantes indígenas nas universidades evidencia o encontro e, por vezes, o choque entre saberes tradicionais e acadêmicos, exigindo uma reflexão sobre os ajustes necessários nos currículos para que esses espaços se tornem verdadeiramente inclusivos e representativos. Nessa perspectiva, o indígena sai do lugar de objeto de estudo e passa a ocupar um lugar de maior protagonismo, trazendo seus saberes para dentro do espaço acadêmico.
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A urbanização e a expansão dos condomínios horizontais fechados em Foz do Iguaçu - PR
(2026-01-29) Fernandes Gonçalves da Silva, Davy
Este trabalho analisa o processo de urbanização e o crescimento dos condomínios horizontais fechados em Foz do Iguaçu, no Paraná. O estudo mostra como esse fenômeno reflete mudanças sociais, econômicas e espaciais na cidade. Em Foz do Iguaçu, o número de condomínios fechados cresceu a partir dos anos 2000, com a flexibilização das leis municipais e o aumento da procura por locais mais seguros para morar. Hoje, o município conta com 57 condomínios horizontais, somando cerca de três mil residências, segundo dados da Secretaria Municipal de Planejamento. O estudo mostra que esse crescimento tem impactos diretos na cidade, como o bloqueio de vias públicas, a diminuição de espaços de convivência e o aumento do uso de veículos particulares. Apesar de oferecerem vantagens, como segurança e infraestrutura, os condomínios também reforçam a separação social e a fragmentação urbana. Por fim, o trabalho defende que as políticas públicas de planejamento urbano precisam estabelecer limites para novas construções, proteger as áreas públicas e incentivar uma maior integração entre os espaços privados e coletivos. Assim, conclui-se que a urbanização de Foz do Iguaçu reflete as contradições do desenvolvimento urbano brasileiro: ao mesmo tempo em que promove o crescimento e a modernização, também cria barreiras físicas e sociais que dificultam a construção de uma cidade mais justa e igualitária. Resumen Este artículo analiza el proceso de urbanización y el crecimiento de las comunidades cerradas horizontales en Foz do Iguaçu, Paraná. El estudio muestra cómo este fenómeno refleja los cambios sociales, económicos y espaciales en la ciudad. En Foz do Iguaçu, el número de barrios cerrados ha crecido desde la década de 2000, con la relajación de las leyes municipales y el aumento de la demanda de lugares más seguros para vivir. Hoy, el municipio cuenta con 57 condominios horizontales, que suman unas tres mil residencias, según datos de la Secretaría de Planificación Municipal. El estudio muestra que este crecimiento tiene impactos directos en la ciudad, como el bloqueo de la vía pública, la reducción de espacios habitables y el aumento del uso del vehículo privado. A pesar de ofrecer ventajas, como seguridad e infraestructura, los condominios también refuerzan la separación social y la fragmentación urbana. Finalmente, el trabajo argumenta que las políticas públicas de planificación urbana deben establecer límites para las nuevas construcciones, proteger los espacios públicos y fomentar una mayor integración entre los espacios privados y colectivos. Así, se concluye que la urbanización de Foz do Iguaçu refleja las contradicciones del desarrollo urbano brasileño: al mismo tiempo que promueve el crecimiento y la modernización, también crea barreras físicas y sociales que dificultan la construcción de una ciudad más justa y igualitaria.
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Programa de residência multiprofissional em saúde da família (PRMSF): entre a lógica neoliberal e o cotidiano do SUS
(2026-01-29) Oliveira, Ana Augusta Penteado de
A presente investigação analisa o processo de formação de trabalhadoras/es em saúde no âmbito do Programa de Residência Multiprofissional em Saúde da Família (PRMSF) da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA) e de seu campo de prática (Atenção Primária à Saúde-Foz do Iguaçu), confrontando a proposta político-pedagógica do programa com a sua estruturação concreta. O objetivo geral consistiu em investigar a relação entre a lógica da uberização do trabalho, manifesta no cotidiano dos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS), e o papel do PRMSF como espaço potencial de resistência e/ou reprodução dessa racionalidade neoliberal. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, fundamentada na perspectiva sócio-histórica, na observação participante das vivências cotidianas no contexto da residência e no ensaio teórico-crítico, utilizando-se da autoetnografia, da análise de trechos da matriz curricular do programa, como da revisão bibliográfica e documental. O desenvolvimento apontou que a estrutura atual do programa - caracterizada por uma carga horária de 60 horas semanais e incoerência em alguns componentes pedagógicos - em grande medida opera no sentido oposto ao intuito político-pedagógico do projeto, em detrimento do desenvolvimento de uma formação crítica e emancipatória. Evidenciou-se também que essa configuração tende a precarizar a formação, na qual a/o residente é subsumida/o pela racionalidade neoliberal dominante, o que fragiliza o potencial de resistência e de produção de um 'trabalho vivo em ato'. Conclui-se que o PRMSF possui um potencial de resistência calcado em sua fundamentação teórica, expressa em partes de seu Projeto Pedagógico Curricular e nos princípios da APS e do SUS. Contudo, é imperativo que a perspectiva da Educação Popular em Saúde oriente, de forma mais contundente e transversal, tudo o que é desenvolvido pelos programas de residência em saúde, transformando a residência em um território de práxis capaz de resistir à lógica do capital e reafirmar o compromisso ético do SUS em defesa da vida. Resumen La presente investigación analiza el proceso de formación de trabajadores/as de la salud en el ámbito del Programa de Residencia Multiprofesional en Salud de la Familia (PRMSF-UNILA) y de su campo de práctica (Atención Primaria de Salud - Foz do Iguaçu), confrontando la propuesta político-pedagógica del programa con su estructuración concreta. El objetivo general consistió en investigar la relación entre la lógica de la uberización del trabajo, manifiesta en el cotidiano de los servicios del Sistema Único de Salud (SUS), y el papel del PRMSF como espacio potencial de resistencia y/o reproducción de esa racionalidad neoliberal. Metodológicamente, se trata de una investigación de enfoque cualitativo, fundamentada en la perspectiva socio-histórica, en la observación participante de las vivencias cotidianas en el contexto de la residencia y en el ensayo teórico-crítico, utilizándose de la autoetnografía, del análisis de fragmentos de la matriz curricular del programa, así como de la revisión bibliográfica y documental. El desarrollo señaló que la estructura actual del programa — caracterizada por una carga horaria de 60 horas semanales e incoherencia en algunos componentes pedagógicos — opera en gran medida en el sentido opuesto al propósito político-pedagógico del proyecto, en detrimento del desarrollo de una formación crítica y emancipadora. Se evidenció también que esta configuración tiende a precarizar la formación, en la cual la/el residente es subsumida/o por la racionalidad neoliberal dominante, lo que debilita el potencial de resistencia y de producción de un "trabajo vivo en acto". Se concluye que el PRMSF posee un potencial de resistencia basado en su fundamentación teórica, expresada en partes de su Proyecto Pedagógico Curricular, en los principios de la APS y del SUS. Sin embargo, es imperativo que la perspectiva de la Educación Popular en Salud oriente, de forma más contundente y transversal, todo lo desarrollado por los programas de residencia en salud, transformando la residencia en un territorio de praxis capaz de resistir a la lógica del capital y reafirmar el compromiso ético del SUS en defensa de la vida.
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Retomada do futuro: representações de tecnologias no álbum visual nordeste futurista
(2026-01-29) Sorbille, Lara Victoria de Moraes
A presente dissertação configura-se como uma análise audiovisual qualitativa baseada em revisão bibliográfica e análise textual e visual que investiga representações de tecnologia e território no álbum visual Nordeste Futurista (2022), da multiartista paraibana Luana Flores. O objeto de estudo compreende a narrativa audiovisual de 18 minutos que contradiz narrativas hegemônicas sobre o nordeste como território subdesenvolvido e incapaz de imaginar ciência e tecnologia, sendo analisado desde uma perspectiva latino-americana (Pérez, 2021). A investigação incorpora abordagem interdisciplinar abrangendo cinema e audiovisual, antropologia, estudos culturais, filosóficos, históricos e da moda, dialogando com pensadores indígenas e quilombolas. Para tal, se abre o diálogo com a noção de colonialidade do ver (Barriendos, 2019), questionando o regime visual hegemônico que representa corporalidades e espaços através de imaginários de escassez. As práticas tradicionais como a bebida indígena Mocororó, o Coco de Roda, a organização social quilombola ou o Cavalo Marinho são compreendidas a partir do conceito de cosmotécnica de Yuk Hui, que reivindica a pluralidade de cosmotécnicas em oposição à noção única de tecnologia, propondo sua compreensão enquanto exteriorização da memória para além dos limites do corpo, caracterizada por contextos territoriais e culturais específicos. O álbum visual, com suas características híbridas entre linguagem cinematográfica e videoclipe (Harrison, 2014), é analisado como documentário performático (Nichols, 2010) diante do registro da cultura nordestina nos territórios de João Pessoa, Quilombo do Gurugi e Ipiranga, Barra do Mamanguape e Vale do Sabugi, com a participação de artistas contemporâneas (Yakecan Potyguara, Vó Mera, Mestra Ana do Coco, Yasmin Formiga e Georgia Cardoso), lidas como guardiãs da cosmotécnica. A análise identifica o agenciamento e a subversão de estéticas da ficção científica como solarpunk (Simonaci, 2022) e o afrofuturismo (Martins, 2023) dentro da dimensão estética e narrativa da obra. Nordeste Futurista então permite a análise do gesto de exaltação do presente desde o território através de uma cartografia da fartura que desafia imaginários de escassez e subdesenvolvimento. Realiza-se análise detalhada dos elementos visuais e sonoros nas faixas musicais e seu discurso de soberania tecnológica, em diálogo com Antônio Bispo dos Santos (2023), Beatriz Nascimento (2021), Ailton Krenak (2019, 2020, 2022), compreendendo essas manifestações culturais como tecnologias contemporâneas que propõem alternativas ao processo colonial racista ainda vigente. Esta concepção é desenvolvida em diálogo com outros artistas latino-americanos, propondo serem parte de um movimento denominado Futuro Ancestral, em homenagem ao filósofo indígena Ailton Krenak, reivindicando caminhos alternativos ao desenvolvimento tecnológico hegemônico e sua consequente crise civilizatória e ambiental.
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Migração e juventude em Foz do Iguaçu: reflexões a partir de uma investigação bibliográfica
(2026-01-28) Canola, Naine Soares
Por meio de pesquisa bibliográfica, este trabalho tem como objetivo analisar a juventude migrante na cidade de Foz do Iguaçu, no Paraná. A pesquisa parte de dados que apontam o aumento da migração internacional da região de tríplice fronteira, caracterizada por intensos fluxos de pessoas, especialmente provenientes de países latino-americanos, e discute como pensar a juventude e educação de jovens migrantes nesse contexto. A abordagem bibliográfica, fundamentada em autores da sociologia, psicologia e estudos migratórios, busca identificar, de forma teórica, os principais impactos da migração na vida desses jovens e como esse processo afeta suas trajetórias sociais, educacionais e culturais. O estudo considera a juventude como uma construção social e enfatiza a importância de políticas públicas intersetoriais que promovam acolhida, acesso à educação e suporte adequado a essa população. A análise da literatura revela lacunas na formulação de políticas específicas para juventude migrante, reforçando a relevância do debate sobre suas condições de vida em um contexto de vulnerabilidade como o de Foz do Iguaçu. Resumen Por medio de una investigación bibliográfica, este trabajo tiene como objetivo analizar la juventud migrante en la ciudad de Foz do Iguazú, en el estado de Paraná. La investigación parte de datos que señalan el aumento de la migración internacional en la región de la triple frontera, caracterizada por intensos flujos de personas, especialmente provenientes de países latinoamericanos, y discute cómo pensar la juventud y la educación de jóvenes migrantes en este contexto. El enfoque bibliográfico, fundamentado en autores de la sociología, la psicología y los estudios migratorios, busca identificar, de forma teórica, los principales impactos de la migración en la vida de estos jóvenes y cómo este proceso afecta sus trayectorias sociales, educativas y culturales. El estudio considera la juventud como una construcción social y enfatiza la importancia de políticas públicas intersectoriales que promuevan la acogida, el acceso a la educación y un apoyo adecuado a esta población. El análisis de la literatura revela lagunas en la formulación de políticas específicas para la juventud migrante, reforzando la relevancia del debate sobre sus condiciones de vida en un contexto de vulnerabilidad como el de Foz do Iguazú.