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Submissões Recentes
Morbimortalidade e Tendência por Acidentes de Transporte em Foz do Iguaçu-PR de 2010 a 2024.
(2026-09-28) LOPES, TAIS; Orientação; Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino Americano de Ciências da Vida e da Natureza da Universidade Federal da Integração Latino Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Médicina.
Introdução: Até o século XX, doenças infecciosas e a fome eram as principais
causas de morte. Com os avanços na saúde pública e na medicina, o perfil
epidemiológico mudou, e as Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT), como o
Diabetes Mellitus (DM) e a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), passaram a
predominar, representando desafios crescentes para o Sistema Único de Saúde
(SUS). Objetivo: Analisar o perfil epidemiológico e a tendência temporal das
internações e da morbimortalidade hospitalar por DM e HAS em Foz do Iguaçu-PR,
entre 2010 e 2024. Métodos: Estudo ecológico de série temporal, com dados do
Sistema de Informações Hospitalares (SIH/SUS) e do Sistema de Informação sobre
Mortalidade (SIM), obtidos no DATASUS. Foram avaliadas internações por DM
(CID-10 E10–E14) e HAS (CID-10 I10–I15), segundo sexo, faixa etária, raça/cor,
média de permanência e taxa de mortalidade. Resultados: No período analisado,
registraram-se 1.504 internações — 1.193 (79,3%) por DM e 311 (20,7%) por HAS.
A maioria dos pacientes era do sexo masculino, com 60 anos ou mais e
autodeclarados pardos. As internações por DM apresentaram tendência crescente
após 2018, enquanto as de HAS mostraram discreta redução. O tempo médio de
internação foi maior para DM (6–8 dias), assim como a mortalidade (pico de 9,09%
em 2018). Discussão e consideração final: O aumento das hospitalizações por
DM sugere falhas no controle clínico e na adesão ao tratamento, possivelmente
agravadas por fatores como envelhecimento populacional, urbanização e hábitos de
vida inadequados. Em contrapartida, a estabilidade das internações por HAS pode
indicar maior efetividade das ações da APS. O predomínio de idosos e pardos
evidencia a influência dos determinantes sociais da saúde e reforça a necessidade
de políticas voltadas à equidade. Conclui-se que o fortalecimento da APS, a
educação em saúde e a promoção de hábitos saudáveis são fundamentais para
reduzir complicações e óbitos evitáveis, assegurando melhor qualidade de vida à
população de Foz do Iguaçu.
Instâncias participativas de direitos humanos: estudo de caso da Secretaria de Direitos Humanos e Relações com a Comunidade de Foz do Iguaçu entre 2018 e 2024
(2026-09-28) Tânia Maria Fernandes Crespo; Orientação
A presente pesquisa busca descrever e situar as inovações institucionais de caráter participativo a partir da criação da Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Relações com a Comunidade (SMDH), em Foz do Iguaçu entre 2018 e 2024, período de existência da única secretaria municipal de direitos humanos exclusiva no estado do Paraná, até o momento da pesquisa. Para isso, apresenta-se inicialmente o histórico dos direitos humanos no Brasil e demais países da América Latina, assim como o contexto das instâncias inovadoras participativas na região. Para a realização da pesquisa foi utilizada a metodologia da pesquisa bibliográfica, descritiva e qualitativa. O principal instrumento utilizado foi a entrevista semiestruturada, de modo a (re)conhecer os avanços alcançados, bem como os desafios enfrentados, no âmbito da implementação das políticas públicas de promoção e proteção de direitos humanos, com foco especial nas questões dos direitos das pessoas negras, LGBTQIAPN+ e imigrantes, refugiadas e apátridas no período de existência da SMDH em Foz do Iguaçu. Ainda são incipientes as análises feitas para avaliar a efetividade de políticas públicas de direitos humanos em Foz do Iguaçu e no estado do Paraná. Contudo, os resultados evidenciam que, para além da gestão burocrática, as instâncias de participação atuam como espaços de agência política e visibilidade para grupos não hegemônicos nos espaços de poder. Essas instâncias conferem materialidade às pautas sociais e possibilitam a deliberação, fortalecendo o caminho, ainda longo, para a justiça social.
Sostenibilidad política y generacional de políticas y sistemas de cuidados
(Suprema: Revista de Estudos Constitucionais, 2026-09-25) Ferro, Silvia Lilian
Analisam-se fatores que contribuem para explicar a recente expansão de políticas e sistemas integrais de cuidados, nacionais e subnacionais, na América Latina. O artigo examina desafios para a sustentabilidade política e geracional decorrentes das transições demográfica e religiosa que atravessam a região, e busca contribuir para a compreensão das condições necessárias à consolidação dessas políticas no médio e longo prazo. Também são identificados potenciais benefícios de sistemas públicos de cuidados adequadamente organizados para a qualidade de vida das gerações presentes e futuras. O desenho metodológico é misto e combina análise descritivo-comparativa de casos nacionais: Argentina, Brasil, Colômbia, Paraguai e Uruguai, com técnicas de escaneo de horizonte voltadas à exploração de cenários futuros. Os resultados evidenciam a relevância de marcos normativos e do apoio político-técnico de organismos internacionais, embora tais fatores sejam insuficientes diante da ascensão de fundamentalismos religiosos que rejeitam transformações nos papéis tradicionais de gênero vinculados ao cuidado. Também se destacam os impactos decorrentes das mudanças nas estruturas familiares e na composição etária da população sobre a oferta e demanda de cuidados.
Resumen
Se analizan factores que contribuyen a explicar la reciente expansión de políticas y sistemas integrales de cuidados, nacionales y subnacionales, en América Latina. El artículo examina desafíos para su sostenibilidad política y generacional derivados de las transiciones demográfica y religiosa que atraviesa la región, buscando contribuir a la comprensión de las condiciones necesarias para la consolidación de estas políticas en el mediano y largo plazo. Asimismo, se identifican potenciales beneficios de sistemas públicos de cuidados adecuadamente organizados para la calidad de vida de generaciones presentes y futuras. El diseño metodológico es mixto y combina análisis descriptivo-comparativo de casos nacionales: Argentina, Brasil, Colombia, Paraguay y Uruguay, con técnicas de escaneo de horizonte orientadas a explorar escenarios futuros. Los resultados evidencian la relevancia de contar con marcos normativos y apoyo político-técnico de organismos internacionales, aunque tales factores resultarían insuficientes frente al ascenso de fundamentalismos religiosos que rechazan transformaciones en los roles tradicionales de género vinculados al cuidado. También se destacan impactos derivados de cambios en las estructuras familiares y en la composición etaria de la población sobre la oferta y demanda de cuidados.
Entre três estados e um problema público: governança colaborativa e políticas de violência doméstica na tríplice fronteira Foz–CDE–Puerto Iguazú
(2026-09-24) Brod, Ana Gabriela Manica
Esta dissertação analisa as políticas públicas voltadas ao enfrentamento da violência doméstica contra as mulheres na região da Tríplice Fronteira, abrangendo os municípios de Foz do Iguaçu (Brasil), Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina). O problema central da pesquisa é compreender como essas políticas públicas foram formuladas, implementadas e operacionalizadas neste contexto transfronteiriço, com base no framework de governança colaborativa proposto por Amsler (2016), organizado nos estágios montante, intermediário e jusante. A violência doméstica é abordada como um problema público estrutural persistente e uma violação dos direitos humanos. A complexidade geográfica e institucional desta área de fronteira acentua o desafio de oferecer respostas integradas, especialmente diante da coexistência de três ordenamentos jurídicos distintos e da fragmentação das redes de proteção. A metodologia consiste em um estudo de multicasos, complementado por revisão bibliográfica e análise documental. A coleta de dados focou no mapeamento e na sistematização dos dispositivos normativos e institucionais nos três municípios. Os resultados revelaram um panorama normativo diversificado e assimétrico. A análise comparada dos arranjos institucionais e das práticas de governança evidenciou maior densidade normativa municipal em Foz do Iguaçu, maior centralização nacional em Ciudad del Este e maior dependência da estrutura provincial em Puerto Iguazú. Constatou-se, ainda, que a ausência de fluxos formais transfronteiriços limita a continuidade do atendimento e dificulta a construção de uma governança integrada. Assim, o trabalho identificou lacunas e potencialidades para o fortalecimento da cooperação transfronteiriça no enfrentamento à violência doméstica contra mulheres.
O rei da vela “iluminando” a memória política brasileira através do teatro oficina
(2026-09-22) Silva, Edilaine Ferreira da
O presente trabalho busca investigar a peça O Rei da Vela (1933), de Oswald de Andrade, como instrumento de crítica social e como meio de reconstrução da memória política nacional. A pesquisa se concentra nas encenações realizadas pelo Teatro Oficina, sob direção de José Celso Martinez Corrêa, em 1967 e 2017. A presente pesquisa parte do pressuposto de que o teatro como prática social, pode desempenhar um papel central como elemento de resistência cultural e na produção de novas formas de consciência histórica, sobretudo, em contextos de repressão e silenciamento institucional. Adotando uma abordagem qualitativa e interdisciplinar, a pesquisa se fundamenta nos campos da Literatura Comparada, História Cultural e Estética Teatral. Para isso, articula teoria e crítica com base em autores como Roberto Schwarz (2000), Sábato Magaldi (1997), Décio de Almeida Prado (1977), Kátia Paranhos (2012), entre outros(as). Ao analisar o texto dramatúrgico oswaldiano, percebemos sua radicalidade formal e sua abordagem corrosiva das estruturas de poder que sustentam o capitalismo no Brasil. A peça desconstrói os valores da elite nacional por meio de uma linguagem grotesca, irônica e fragmentária, articulada pelos princípios da Antropofagia. A encenação de 1967, em plena Ditadura Militar, transformou o palco em arena de confronto político e simbólico, ao passo que sua remontagem, em 2017, reafirmou a atualidade da crítica oswaldiana em contexto de incertezas democráticas e de recrudescimento conservador. A metáfora da “jaula”, construída cenicamente pelo grupo de Teatro Oficina, representava não apenas os limites impostos pela censura, mas também a opressão histórica e sistêmica imposta sobre o povo brasileiro. O trabalho especula que O Rei da Vela, tanto em sua escrita original, quanto nas encenações dirigidas por Corrêa, constitui-se como obra de denúncia e de insubordinação simbólica, capaz de iluminar as permanências estruturais da desigualdade e da submissão cultural no Brasil. Ao mesmo tempo, evidencia a potência do teatro como território de enfrentamento e produção de memória crítica. Em um cenário marcado por apagamentos da memória e disputas de narrativa sobre o passado, revisitar essa peça torna-se um ato necessário de afirmação da arte como espaço de liberdade, justiça e reconstrução da consciência histórica.
Resumen
El presente trabajo busca investigar la obra El Rey de la Vela (1933), de Oswald de Andrade, como instrumento de crítica social y como medio de reconstrucción de la memoria política nacional. La investigación se centra en las puestas en escena realizadas por el Teatro Oficina, bajo la dirección de José Celso Martinez Corrêa, en 1967 y 2017. Parte del supuesto de que el teatro, como práctica social, puede desempeñar un papel central como elemento de resistencia cultural y en la producción de nuevas formas de conciencia histórica, sobre todo en contextos de represión y silenciamiento institucional. Adoptando un enfoque cualitativo e interdisciplinario, la investigación se fundamenta en los campos de la Literatura Comparada, la Historia Cultural y la Estética Teatral. Para ello, articula teoría y crítica con base en autores como Roberto Schwarz (2000), Sábato Magaldi (1997), Décio de Almeida Prado (1977), Kátia Paranhos (2012), entre otros(as). Al analizar el texto dramatúrgico oswaldiano, percibimos su radicalidad formal y su abordaje corrosivo de las estructuras de poder que sostienen el capitalismo en Brasil. La obra deconstruye los valores de la élite nacional mediante un lenguaje grotesco, irónico y fragmentario, articulado por los principios de la Antropofagia. La puesta en escena de 1967, en plena Dictadura Militar, transformó el escenario en una arena de confrontación política y simbólica, mientras que su remontaje en 2017 reafirmó la actualidad de la crítica oswaldiana en un contexto de incertidumbres democráticas y de recrudecimiento conservador. La metáfora de la “jaula”, construida escénicamente por el grupo Teatro Oficina, representaba no solo los límites impuestos por la censura, sino también la opresión histórica y sistémica ejercida sobre el pueblo brasileño. El trabajo plantea que El Rey de la Vela, tanto en su escritura original como en las puestas en escena dirigidas por Corrêa, se constituye como una obra de denuncia y de insubordinación simbólica, capaz de iluminar las permanencias estructurales de la desigualdad y de la subordinación cultural en Brasil. Al mismo tiempo, evidencia la potencia del teatro como territorio de confrontación y de producción de memoria crítica. En un escenario marcado por el borramiento de la memoria y las disputas narrativas sobre el pasado, revisitar esta obra se vuelve un acto necesario de afirmación del arte como espacio de libertad, justicia y reconstrucción de la conciencia histórica.