A transnacionalidade indígena Warao: entre a vulnerabilidade dos direitos humanos e a reconstrução do nem-viver

Resumo

O deslocamento do povo indígena Warao, originário do Delta do Orinoco, demanda ser compreendido para além da hegemonia da narrativa de vulnerabilidade, constituindo, antes, uma trajetória de transnacionalidade historicamente forjada por processos estruturais de desterritorialização e subalternização. Longe de caracterizar um nomadismo inerente, essa mobilidade configura uma resposta estratégica e resiliente frente ao impacto cumulativo de intervenções estatais que fragmentaram sua soberania territorial e seus modos de vida ancestrais. A presente pesquisa analisa a forma como tal transnacionalidade se estabelece como um exercício potente de resistência e reexistência, permitindo ao coletivo Warao reconfigurar suas dinâmicas comunitárias, reafirmar sua identidade étnica e transformar sua cosmovisão diante da crise, ao passo que transcende as fronteiras impostas pelos Estados nacionais. Metodologicamente, emprega-se uma abordagem qualitativa, alicerçada na revisão bibliográfica e na análise documental, com o objetivo de questionar as respostas institucionais que, ao invisibilizarem a natureza diaspórica desse fluxo migratório, confinam os Warao a categorias estáticas de tutela e assistencialismo, desconsiderando sua especificidade étnica e seus direitos fundamentais. Os resultados evidenciam que a migração Warao constitui uma experiência marcada por profunda agência política, a qual desafia os modelos vigentes de gestão estatal. Tais modelos, ao priorizarem categorias reducionistas, como a de “estrangeiro”, em detrimento da condição de migrante portador de direitos específicos, perpetuam ciclos sistêmicos de exclusão, discriminação e desproteção. Conclui-se que o reconhecimento da mobilidade Warao demanda a superação de abordagens que circunscrevem sua experiência à mera subsistência, exigindo a implementação de políticas públicas integrais com enfoque intercultural, que validem suas estruturas tradicionais e garantam condições dignas de permanência, alinhadas à sua vivência do Bem-Viver no contexto transnacional sul-americano. Resumen El desplazamiento del pueblo indígena Warao, originario del Delta del Orinoco, debe ser comprendido más allá de la hegemonía de la narrativa de vulnerabilidad, constituyendo, antes bien, una trayectoria de transnacionalidad históricamente forjada por procesos estructurales de desterritorialización y subalternización. Lejos de caracterizar un nomadismo inherente, esta movilidad configura una respuesta estratégica y resiliente frente al impacto acumulativo de intervenciones estatales que fragmentaron su soberanía territorial y sus modos de vida ancestrales. La presente investigación analiza la forma en que dicha transnacionalidad se establece como un potente ejercicio de resistencia y reexistencia, permitiendo al colectivo Warao reconfigurar sus dinámicas comunitarias, reafirmar su identidad étnica y transformar su cosmovisión frente a la crisis, al tiempo que trasciende las fronteras impuestas por los Estados nacionales. Metodológicamente, se emplea un enfoque cualitativo, sustentado en la revisión bibliográfica y el análisis documental, con el objetivo de cuestionar las respuestas institucionales que, al invisibilizar la naturaleza diaspórica de este flujo migratorio, confinan a los Warao a categorías estáticas de tutela y asistencialismo, desconsiderando su especificidad étnica y sus derechos fundamentales. Los resultados evidencian que la migración Warao constituye una experiencia marcada por una profunda agencia política, la cual desafía los modelos vigentes de gestión estatal. Tales modelos, al priorizar categorías reduccionistas, como la de “extranjero”, en detrimento de la condición de migrante portador de derechos específicos, perpetúan ciclos sistémicos de exclusión, discriminación y desprotección.Se concluye que el reconocimiento de la movilidad Warao exige superar enfoques que circunscriben su experiencia a la mera subsistencia, requiriendo la implementación de políticas públicas integrales con enfoque intercultural, que validen sus estructuras tradicionales y garanticen condiciones dignas de permanencia, alineadas con su vivencia del Buen Vivir en el contexto transnacional sudamericano.

Abstract

The displacement of the Warao Indigenous people, originally from the Orinoco Delta, must be understood beyond the hegemonic narrative of vulnerability, constituting instead a trajectory of transnationality historically shaped by structural processes of deterritorialization and subalternization. Far from representing an inherent nomadism, this mobility constitutes a strategic and resilient response to the cumulative impact of state interventions that fragmented their territorial sovereignty and ancestral ways of life. This research analyzes how such transnationality is established as a powerful exercise of resistance and re-existence, enabling the Warao collective to reconfigure its community dynamics, reaffirm its ethnic identity, and transform its worldview in the face of crisis while transcending the borders imposed by nation-states. Methodologically, a qualitative approach is employed, based on a literature review and documentary analysis, with the objective of questioning institutional responses that, by rendering invisible the diasporic nature of this migratory flow, confine the Warao to static categories of guardianship and welfare assistance, disregarding their ethnic specificity and fundamental rights. The findings reveal that Warao migration constitutes an experience marked by profound political agency, which challenges prevailing models of state management. Such models, by prioritizing reductionist categories such as that of “foreigner” over the condition of migrants endowed with specific rights, perpetuate systemic cycles of exclusion, discrimination, and lack of protection. It is concluded that recognizing Warao mobility requires overcoming approaches that reduce their experience to mere subsistence, demanding the implementation of comprehensive public policies with an intercultural perspective that validate their traditional structures and guarantee dignified conditions of permanence, aligned with their experience of Buen Vivir (Good Living) within the South American transnational context.

Descrição

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Economia, Sociedade e Política da Universidade Federal da Integração Latino- Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais e Integração.

Palavras-chave

povo Warao, transnacionalidade, direitos humanos, bem-viver

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