Colonialismo disciplinar e infância indígena: a dupla invisibilidade das crianças avá-guaraní nas relações internacionais e a escola como fronteira em Foz do Iguaçu
| dc.contributor.author | Ramírez Cabral, Laura Luján | |
| dc.date.accessioned | 2026-07-09T17:28:15Z | |
| dc.date.available | 2026-07-09T17:28:15Z | |
| dc.date.issued | 2026-07-09 | |
| dc.description | Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Economia, Sociedade e Política da Universidade Federal da Integração Latino- Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais e Integração. | |
| dc.description.abstract | Esta investigação analisa a escola municipal pesquisada de Foz do Iguaçu como espaço de fronteira entre o mundo indígena Avá-Guaraní e o mundo não-indígena, argumentando que a ausência de políticas municipais de educação escolar indígena produz e aprofunda a invisibilidade das crianças Avá-Guaraní como sujeitos de direitos nas Relações Internacionais. A hipótese central é a de que essa dupla invisibilidade, da criança e do indígena, não é uma ausência temática acidental, mas o produto de pressupostos ontoepistemológicos constitutivos da disciplina que se traduzem, com precisão documentável, no descumprimento sistemático de obrigações internacionais no nível municipal. A investigação ancora-se em pesquisa de campo realizada entre abril e junho de 2024 no âmbito do Programa de Educação Tutorial da UNILA, por meio de observação participante do cotidiano escolar, entrevistas semiestruturadas, análise de produções visuais das crianças e acesso a uma planilha de matrícula que registra a identidade indígena e o idioma Guaraní de alunos sem que esse registro acione qualquer obrigação pedagógica. O trabalho organiza-se em três capítulos. O primeiro demonstra que as Relações Internacionais produziram dois silêncios estruturantes, a exclusão das crianças como sujeitos políticos e a marginalização dos povos indígenas como atores do sistema internacional, que se articulam para produzir uma dupla invisibilidade com correspondência institucional precisa. O segundo reconstrói o quadro normativo federal da educação escolar indígena no Brasil e documenta seu sistemático descumprimento pelo município de Foz do Iguaçu, analisando a planilha de matrícula como evidência do mecanismo central desse hiato: o sistema registra a diferença e não age sobre ela. O terceiro analisa o que esse hiato produz no cotidiano concreto da escola: a fronteira linguística que converte o Guaraní em língua do recreio, a fronteira alimentar revelada pelo desenho de uma criança de sete anos que representou a escola com uma única figura humana, a tia da cozinha, e as práticas de persistência cultural pelas quais as crianças afirmam identidade nos interstícios que o sistema não controla. A investigação demonstra que a invisibilidade teórica nas Relações Internacionais e a invisibilidade política no município são manifestações do mesmo fenômeno, sustentadas pelos mesmos pressupostos ontoepistemológicos, e que a escola municipal pesquisada é, simultaneamente, objeto empírico e evidência teórica dessa articulação. Resumen Esta investigación analiza la escuela municipal investigada de Foz do Iguaçu como espacio de frontera entre el mundo indígena Avá-Guaraní y el mundo no indígena, argumentando que la ausencia de políticas municipales de educación escolar indígena produce y profundiza la invisibilidad de los niños y niñas Avá-Guaraní como sujetos de derechos en las Relaciones Internacionales. La hipótesis central es que esa doble invisibilidad, de la infancia y de lo indígena, no es una ausencia temática accidental, sino el producto de presupuestos ontoepistemológicos constitutivos de la disciplina que se traducen, con precisión documentable, en el incumplimiento sistemático de obligaciones internacionales en el nivel municipal. La investigación se ancla en trabajo de campo realizado entre abril y junio de 2024 en el ámbito del Programa de Educación Tutorial de la UNILA, mediante observación participante del cotidiano escolar, entrevistas semiestructuradas, análisis de producciones visuales de los niños y niñas y acceso a una planilla de matrícula que registra la identidad indígena y el idioma Guaraní de los alumnos sin que ese registro active ninguna obligación pedagógica. El trabajo se organiza en tres capítulos. El primero demuestra que las Relaciones Internacionales produjeron dos silencios estructurantes, la exclusión de los niños y niñas como sujetos políticos y la marginalización de los pueblos indígenas como actores del sistema internacional, que se articulan para producir una doble invisibilidad con correspondencia institucional precisa. El segundo reconstruye el marco normativo federal de la educación escolar indígena en Brasil y documenta su sistemático incumplimiento por el municipio de Foz do Iguaçu, analizando la planilla de matrícula como evidencia del mecanismo central de esa brecha: el sistema registra la diferencia y no actúa sobre ella. El tercero analiza lo que esa brecha produce en el cotidiano concreto de la escuela: la frontera lingüística que convierte el Guaraní en lengua del recreo, la frontera alimentaria revelada por el dibujo de una niña de siete años que representó la escuela con una única figura humana, la tía de la cocina, y las prácticas de persistencia cultural mediante las cuales los niños y niñas afirman identidad en los intersticios que el sistema no controla. La investigación demuestra que la invisibilidad teórica en las Relaciones Internacionales y la invisibilidad política en el municipio son manifestaciones del mismo fenómeno, sostenidas por los mismos presupuestos ontoepistemológicos, y que la escuela municipal investigada es, simultáneamente, objeto empírico y evidencia teórica de esa articulación. | |
| dc.identifier.uri | https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9867 | |
| dc.language.iso | vi | |
| dc.rights | openAccess | |
| dc.subject | crianças indígenas | |
| dc.subject | Avá-Guaraní | |
| dc.subject | Foz do Iguaçu (PR) | |
| dc.subject | educação escolar | |
| dc.title | Colonialismo disciplinar e infância indígena: a dupla invisibilidade das crianças avá-guaraní nas relações internacionais e a escola como fronteira em Foz do Iguaçu | |
| dcterms.abstract | This investigation analyzes the researched municipal school in Foz do Iguaçu as a border space between the indigenous Avá-Guaraní world and the non-indigenous world, arguing that the absence of municipal indigenous school education policies produces and deepens the invisibility of Avá-Guaraní children as rights-bearing subjects in International Relations. The central hypothesis is that this double invisibility, of childhood and of indigeneity, is not an accidental thematic absence, but the product of ontoepistemic presuppositions constitutive of the discipline that translate, with documentable precision, into the systematic non-compliance with international obligations at the municipal level. The research is grounded in fieldwork conducted between April and June 2024 within UNILA's Tutorial Education Program, through participant observation of school daily life, semistructured interviews, analysis of children's visual productions, and access to an enrollment spreadsheet that registers the indigenous identity and Guaraní language of students without that registration triggering any pedagogical obligation. The work is organized in three chapters. The first demonstrates that International Relations produced two structural silences, the exclusion of children as political subjects and the marginalization of indigenous peoples as actors in the international system, which articulate to produce a double invisibility with precise institutional correspondence. The second reconstructs the federal normative framework for indigenous school education in Brazil and documents its systematic non-compliance by the municipality of Foz do Iguaçu, analyzing the enrollment spreadsheet as evidence of the central mechanism of this gap: the system registers difference and does not act upon it. The third analyzes what this gap produces in the concrete daily life of the school: the linguistic border that converts Guaraní into the language of the playground, the alimentary border revealed by the drawing of a seven-year-old child who represented the school with a single human figure, the kitchen worker, and the practices of cultural persistence through which children affirm identity in the interstices the system does not control. The investigation demonstrates that theoretical invisibility in International Relations and political invisibility at the municipal level are manifestations of the same phenomenon, sustained by the same ontoepistemic presuppositions, and that the researched municipal school is simultaneously an empirical object and theoretical evidence of this articulation. |
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