As atitudes e crenças linguísticas de estudantes nordestinos residentes em Foz do Iguaçu
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Data
2026-01-19
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Resumo
O presente estudo explora o preconceito linguístico em torno de falares nordestinos na cidade de Foz do Iguaçu-PR, com um enfoque central no contexto da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA). O trabalho surgiu da necessidade de compreender como as crenças e atitudes linguísticas se manifestam no dia a dia e de que forma elas podem reforçar a xenofobia regional e impactar a construção da identidade dos migrantes que vêm do Nordeste para realizar um curso universitário. Para isso, a metodologia adotada foi qualitativa, baseada em entrevistas semiestruturadas com sete estudantes universitários nordestinos de diferentes estados (Paraíba, Bahia, Piauí, Pernambuco, Maranhão), que estão residindo na cidade iguaçuense. A análise dos dados foi guiada pelos pressupostos da sociolinguística, fundamentada em autores como Bagno (2015), Calvet (2002) e Labov (2008), que traçam a variação linguística como um processo natural e não como erro e pelos estudos sobre crenças e atitudes, em autores como Moreno Fernández (2009), Aguilera (2008) e Barcelos (2001). Os resultados revelam um cenário onde as variedades nordestinas são frequentemente estigmatizadas, descritas como "engraçado" ou "preguiçoso", gerando situações de constrangimento, como piadas recorrentes e imitações, inclusive por parte de docentes universitários. Identificou-se que os acadêmicos migrantes mais recentes tendem a adotar a autocensura em ambientes formais, de maior monitoração e policiamento da fala, enquanto os mais antigos demonstram uma resistência maior, utilizando o próprio ‘sotaque’ como um símbolo ativo de identidade e orgulho. A conclusão aponta que essa glotofobia não é um fenômeno isolado, mas sim uma manifestação de exclusão simbólica, que reflete desigualdades históricas na região, bem como no restante do país. A pesquisa sugere, como encaminhamento prático, a urgência de políticas institucionais que valorizem a diversidade linguística regional, como a inclusão de literatura nordestina nas ementas e a promoção de oficinas culturais, garantindo que o direito de migrar não implique o apagamento da identidade de origem.
Resumen
El presente estudio explora el prejuicio lingüístico en torno a las hablas nordestinas en la ciudad de Foz do Iguaçu, con un enfoque central en el contexto de la Universidad Federal de la Integración Latinoamericana (UNILA). El trabajo surgió de la necesidad de comprender cómo las creencias y actitudes lingüísticas se manifiestan en el día a día y de qué forma pueden reforzar la xenofobia regional e impactar la construcción de la identidad de los migrantes que provienen del Nordeste para realizar un curso universitario. Para ello, la metodología adoptada fue cualitativa, basada en entrevistas semiestructuradas con siete estudiantes universitarios nordestinos de diferentes Estados (Paraíba, Bahía, Piauí, Pernambuco, Maranhão), que residen actualmente en la ciudad de Foz do Iguaçu. El análisis de los datos fue guiado por los presupuestos de la sociolingüística, fundamentada en autores como Bagno (2015), Calvet (2002) y Labov (2008), que conciben la variación lingüística como un proceso natural y no como un error, y por los estudios sobre creencias y actitudes, en autores como Moreno Fernández (2009), Aguilera (2008) e Barcelos (2001). Los resultados revelan un escenario donde las variedades nordestinas son frecuentemente estigmatizadas, descritas como "graciosas" o "perezosas", generando situaciones de incomodidad, como bromas recurrentes e imitaciones, incluso por parte de docentes universitarios. Se identificó que los académicos migrantes más recientes tienden a adoptar la autocensura en ambientes formales, de mayor monitoreo y vigilancia del habla, mientras que los más antiguos demuestran una mayor resistencia, utilizando su propio 'acento' como un símbolo activo de identidad y orgullo. La conclusión señala que esta glotofobia no es un fenómeno aislado, sino una manifestación de exclusión simbólica, que refleja desigualdades históricas en la región, así como en el resto del país. La investigación sugiere, como directriz práctica, la urgencia de políticas institucionales que valoren la diversidad lingüística regional, como la inclusión de literatura nordestina en los planes de estudio y la promoción de talleres culturales, garantizando que el derecho a migrar no implique en el silenciamiento de la identidad de origen.
Abstract
The present study explores linguistic prejudice regarding Northeastern Brazilian dialects in the city of Foz do Iguaçu-PR, with a central focus on the context of the Federal University of Latin American Integration (UNILA). The work arose from the need to understand how linguistic beliefs and attitudes manifest in daily life and how they can reinforce regional xenophobia and impact the identity construction of migrants who move from the Northeast to pursue university degrees. To this end, a qualitative methodology was adopted, based on semi-structured interviews with seven Northeastern university students from different states (Paraíba, Bahia, Piauí, Pernambuco, Maranhão) residing in the city of Foz do Iguaçu. Data analysis was guided by the tenets of sociolinguistics, grounded in authors such as Bagno (2015), Calvet (2002), and Labov (2008), who frame linguistic variation as a natural process rather than an error, as well as studies on beliefs and attitudes by authors such as Moreno Fernández (2009), Aguilera (2008), and Barcelos (2001). The results reveal a scenario where Northeastern varieties are frequently stigmatized, described as "funny" or "lazy," leading to embarrassing situations such as recurring jokes and imitations, including those perpetrated by university faculty. It was identified that more recent migrant students tend to adopt self-censorship in formal environments, where speech monitoring and policing are higher, while more long-standing residents demonstrate greater resistance, using their own 'accent' as an active symbol of identity and pride. The conclusion points out that this glottophobia is not an isolated phenomenon, but rather a manifestation of symbolic exclusion that reflects historical inequalities in the region, as well as in the rest of the country. As a practical recommendation, the research suggests the urgency of institutional policies that value regional linguistic diversity, such as the inclusion of Northeastern literature in syllabi and the promotion of cultural workshops, ensuring that the right to migrate does not imply the erasure of one's identity of origin.
Descrição
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Arte, Cultura e História da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Licenciado em Letras – Espanhol e Português como Línguas Estrangeiras.
Palavras-chave
crenças, preconceito, sociolinguística, acadêmicos nordestinos