Navegando por Autor "Matos, Gabriel Augusto da Silva"
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Item A proteção de refugiados LGBTQIA+ no regime internacional: uma análise crítica das políticas de proteção e inclusão(2026) Matos, Gabriel Augusto da SilvaO presente trabalho analisa a proteção internacional de refugiados LGBTQIA+ no regime internacional de refúgio, examinando criticamente a incorporação da perseguição baseada em orientação sexual e identidade de gênero (OSIG) aos mecanismos internacionais de proteção. O objetivo é compreender como essa forma de perseguição foi progressivamente reconhecida por Estados, organizações internacionais e sistemas regionais de direitos humanos em um regime originalmente estruturado sem contemplar tais fundamentos, bem como identificar os limites e desafios que persistem para sua efetivação. Trata-se de pesquisa qualitativa e de natureza descritiva, baseada em revisão bibliográfica crítica, análise documental e estudo de caso centrado no Brasil e em países selecionados da América Latina. O marco analítico articula a teoria dos regimes internacionais de Stephen Krasner, a concepção multidimensional de Estado de Guillermo O'Donnell, a reflexão de Hannah Arendt sobre o direito a ter direitos e contribuições da teoria queer, do pensamento decolonial, do conceito de homonacionalismo e da perspectiva interseccional. A análise parte da Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados de 1951 e do Protocolo de 1967, incorpora a ampliação regional promovida pela Declaração de Cartagena de 1984 e examina o papel do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR), dos sistemas global e interamericano de direitos humanos e de instrumentos como os Princípios de Yogyakarta na consolidação de parâmetros específicos de proteção. Os resultados demonstram que a perseguição por OSIG foi progressivamente reconhecida como fundamento legítimo para o reconhecimento da condição de refugiado, culminando na construção de mecanismos normativos e procedimentais especializados em âmbito internacional e nacional; no caso brasileiro, destacam-se a Lei nº 9.474/1997 e os procedimentos recentemente adotados para o reconhecimento de pessoas perseguidas por OSIG. A pesquisa evidencia, contudo, que tais avanços ocorreram predominantemente por meio da reinterpretação de normas e categorias já existentes, sobretudo da noção de pertencimento a determinado grupo social, sem alterar os princípios fundantes do regime internacional de refúgio. Conclui-se que a proteção de refugiados LGBTQIA+ representa um processo de expansão normativa dentro do regime, e não uma transformação estrutural deste, permanecendo condicionada à capacidade estatal de implementação, à vontade política e à atuação complementar de organizações internacionais e da sociedade civil diante das persistentes tensões entre soberania, direitos humanos e proteção internacional. Resumen El presente trabajo analiza la protección internacional de las personas refugiadas LGBTQIA+ en el régimen internacional de refugio, examinando críticamente la incorporación de la persecución basada en la orientación sexual y la identidad de género (OSIG) a los mecanismos internacionales de protección. El objetivo es comprender cómo esta forma de persecución fue reconocida progresivamente por los Estados, las organizaciones internacionales y los sistemas regionales de derechos humanos en un régimen originalmente estructurado sin contemplar tales fundamentos, así como identificar los límites y desafíos que persisten para su efectiva implementación. Se trata de una investigación cualitativa y de carácter descriptivo, basada en revisión bibliográfica crítica, análisis documental y estudio de caso centrado en Brasil y en países seleccionados de América Latina. El marco analítico articula la teoría de los regímenes internacionales de Stephen Krasner, la concepción multidimensional de Estado de Guillermo O'Donnell, la reflexión de Hannah Arendt sobre el derecho a tener derechos y aportes de la teoría queer, el pensamiento decolonial, el concepto de homonacionalismo y la perspectiva interseccional. El análisis parte de la Convención sobre el Estatuto de los Refugiados de 1951 y de su Protocolo de 1967, incorpora la ampliación regional promovida por la Declaración de Cartagena de 1984 y examina el papel desempeñado por el Alto Comisionado de las Naciones Unidas para los Refugiados (ACNUR), los sistemas global e interamericano de derechos humanos e instrumentos como los Principios de Yogyakarta en la consolidación de parámetros específicos de protección. Los resultados demuestran que la persecución por OSIG fue reconocida progresivamente como fundamento legítimo para el reconocimiento de la condición de refugiado, lo que condujo a la construcción de mecanismos normativos y procedimentales especializados en el ámbito internacional y nacional; en el caso brasileño, se destacan la Ley n.º 9.474/1997 y los procedimientos recientemente adoptados para el reconocimiento de personas perseguidas por OSIG. La investigación evidencia, sin embargo, que dichos avances se produjeron predominantemente mediante la reinterpretación de normas y categorías ya existentes, en particular la noción de pertenencia a determinado grupo social, sin alterar los principios fundantes del régimen internacional de refugio. Se concluye que la protección de las personas refugiadas LGBTQIA+ representa un proceso de expansión normativa dentro del régimen, y no una transformación estructural de este, y que permanece condicionada a la capacidad estatal de implementación, a la voluntad política y a la actuación complementaria de las organizaciones internacionales y de la sociedad civil ante las persistentes tensiones entre soberanía, derechos humanos y protección internacional.