Silva, Gabriela Batista da2026-07-312026-07-312026-07-31https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9949Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino-Americano de Tecnologia, Infraestrutura e Território da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Bacharel em Arquitetura e Urbanismo.Este trabalho analisa a relação entre memória, território e direito à moradia a partir da trajetória da Horta do Seu Zé e da Dona Laíde, localizada em Foz do Iguaçu, Paraná, atualmente reconhecida como Comunidade Quilombola Horta do Seu Zé e da Dona Laíde. A pesquisa parte da compreensão de que o território para comunidades tradicionais ultrapassa sua dimensão física, constituindo-se como espaço de construção das memórias, da identidade, dos vínculos familiares, das práticas culturais, da produção de alimentos e da reprodução da vida. O objetivo consiste em demonstrar como os processos de remoção forçada representam violações de direitos humanos e comprometem a permanência desses modos de vida, evidenciando a importância da preservação das territorialidades quilombolas. Como metodologia, foram adotadas revisão bibliográfica, pesquisa documental, trabalho de campo, entrevistas com a Família Santos e levantamento histórico sobre a formação da comunidade e os conflitos fundiários vivenciados ao longo de sua trajetória. A pesquisa reconstrói a história da família desde sua chegada no Quilombo Apepu até a constituição da horta urbana, destacando sua contribuição para a produção agroecológica, a recuperação ambiental, a educação popular e a segurança alimentar na cidade de Foz do Iguaçu, bem como as mobilizações sociais, acadêmicas e institucionais em defesa da permanência da comunidade diante das ameaças de despejo. Este trabalho reafirma a importância de arquitetos e arquitetas urbanistas aprenderem a ler as memórias inscritas nas paisagens populares, compreendendo-as como territórios vivos, tecidos pelas mãos, pelos corpos e pelas histórias de quem as habita. Como exercício sensível, aproxima-se da construção da paisagem quilombola e dos processos de aquilombamento da Comunidade Horta do Zé e da Laíde, localizada na região norte de Foz do Iguaçu. Por meio da história oral e de trabalhos de campo de caráter etnográfico, desvela uma paisagem autoconstruída a partir de práticas tradicionais, onde cada caminho aberto, cada horta cultivada e cada morada erguida guardam vestígios de memórias, afetos e resistências. Como resultado, evidencia-se que a memória coletiva constitui elemento fundamental para o reconhecimento e a proteção dos direitos territoriais das comunidades tradicionais, reafirmando o papel da arquitetura e do urbanismo como instrumentos de promoção da justiça social, valorização do patrimônio cultural e fortalecimento das lutas pelo direito ao território. Sem pretender esgotar essa experiência, o trabalho convida o leitor a desacelerar o olhar e a reconhecer a complexidade que habita o cotidiano aparentemente simples. Revela uma paisagem que não é apenas cenário, mas um organismo vivo, continuamente moldado pelas relações entre pessoas, terra e memória. É na persistência desses gestos cotidianos que se constrói a morada e se afirma a resistência de uma comunidade que faz da paisagem um modo de existir.openAccessmemória coletivacomunidades quilombolasterritóriopaisagem popularMoradas da memória - o caso da horta do seu Zé e da dona Laíde em Foz do Iguaçu/PR