Silva, Dayane Pereira da2026-07-092026-07-092026-07-09https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9868Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Literatura Comparada.Esta pesquisa investiga obras artísticas produzidas por mulheres internadas em instituições psiquiátricas no Brasil ao longo do século XX, com foco na produção artística de Aurora Cursino dos Santos, que desenvolveu diversas pinturas durante sua internação no Hospital Psiquiátrico do Juquery, e no diário literário que deu origem à obra Hospício é Deus – Diário I (1965), de Maura Lopes Cançado, escrito durante sua internação no Hospital Psiquiátrico Gustavo Riedel. A pesquisa parte da problemática de que o confinamento psiquiátrico funcionou como instrumento de controle social e moral, especialmente sobre os corpos femininos considerados ‘desviantes’ pelas normas – em especial as de gênero. Com base no referencial teórico composto por Michel Foucault (2010), Judith Butler (2023), Maria Clementina Pereira Cunha (1986, 1989, 1990), René-Lucien Rousseau (1980), Silvana Jeha e Joel Birman (2022), Phillipe Lejeune (2008) e Márcio Seligmann-Silva (2003), a pesquisa demonstra como a loucura foi utilizada para justificar diferentes formas de violência, exclusão e reclusão, evidenciando que nem todas as vidas importavam, pois aquelas que transgrediam as normas eram politicamente induzidas à precariedade. Além disso, observa-se como Aurora e Maura transformaram suas experiências em expressões de resistência e sobrevivência por meio da arte e da literatura, convertendo-as em testemunhos de vidas precárias, os quais são evidenciados pela literatura de testemunho, tanto no campo literário quanto nas artes plásticas. Resumen Esta investigación analiza obras artísticas producidas por mujeres internadas en instituciones psiquiátricas en Brasil a lo largo del siglo XX, centrándose en la producción artística de Aurora Cursino dos Santos, quien desarrolló varias pinturas durante su internamiento en el Hospital Psiquiátrico de Juquery, y en el diario literario que dio origen a la obra Hospício é Deus – Diario I (1965), de Maura Lopes Cançado, escrito durante su internamiento en el Hospital Psiquiátrico Gustavo Riedel. La investigación parte de la problemática de que el confinamiento psiquiátrico funcionó como instrumento de control social y moral, especialmente sobre los cuerpos femeninos considerados «desviados» por las normas, en particular las de género. Basándose en el marco teórico compuesto por Michel Foucault (2010), Judith Butler (2023), Maria Clementina Pereira Cunha (1986, 1989, 1990), René-Lucien Rousseau (1980), Silvana Jeha y Joel Birman (2022), Phillipe Lejeune (2008) y Márcio Seligmann-Silva (2003), la investigación demuestra cómo se utilizó la locura para justificar diferentes formas de violencia, exclusión y reclusión, poniendo de manifiesto que no todas las vidas importaban, ya que aquellas que transgredían las normas eran políticamente inducidas a la precariedad. Además, se observa cómo Aurora y Maura transformaron sus experiencias en expresiones de resistencia y supervivencia a través del arte y la literatura, convirtiéndolas en testimonios de vidas precarias, que se evidencian en la literatura testimonial, tanto en el campo literario como en las artes plásticas.openAccessloucuranormasgêneroSantos, Aurora Cursino dos, 1896-1959As pinturas de Aurora Cursino dos Santos e a obra Hospício é Deus – Diário I (1965) de Maura Lopes Cançado como testemunhos de vidas precárias