OrientaçãoANDRE DA SILVA ELOY2026-10-202026-10-202026https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/10032Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Desenvolvimento da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestra em Políticas Públicas e Desenvolvimento.A população em situação de rua reúne trajetórias marcadas por desigualdades sociais, sanitárias e territoriais que dificultam o acesso continuado às políticas públicas. Em Foz do Iguaçu, a mobilidade própria de uma região de fronteira acrescenta exigências específicas ao planejamento do cuidado. O estudo analisou o perfil sociodemográfico e as evidências epidemiológicas disponíveis sobre a população em situação de rua do município e discutiu os desafios que esses achados colocam à implementação e qualificação do Consultório na Rua. Trata-se de pesquisa documental, exploratória e descritiva, com abordagem quanti-qualitativa, baseada em legislação, documentos governamentais, literatura científica, resultados do I Censo da População em Situação de Rua, relatórios municipais agregados e séries oficiais de vigilância. O Censo identificou 601 pessoas, das quais 83,12% eram homens, 67,66% se autodeclararam pretas ou pardas, 83,3% não nasceram no município e 76,63% manifestaram desejo de deixar a situação de rua. Em 2025, foram notificados 218 casos de tuberculose no município, 21 deles em pessoas em situação de rua. No mesmo ano, o Consultório na Rua realizou 235 testes rápidos: 64 para HIV, 58 para sífilis, 60 para hepatite B e 53 para hepatite C; 25 resultados foram reagentes, distribuídos entre sífilis (15), HIV (5), hepatite C (3) e hepatite B (2). A equipe também acompanhou a situação vacinal de 261 pessoas. Os resultados mostram que a combinação entre diagnóstico sociodemográfico e dados assistenciais agregados amplia a capacidade de reconhecer prioridades, mas a fragmentação das bases limita análises longitudinais e a mensuração de desfechos. Socialmente, o estudo oferece uma base local para qualificar busca ativa, vacinação, testagem, seguimento terapêutico e articulação intersetorial, sem atribuir aos dados um alcance que eles não possuem. Conclui-se que a consolidação do Consultório na Rua em Foz do Iguaçu depende da continuidade do cuidado, da integração entre serviços, da qualidade da informação e da articulação com políticas de proteção social em um território marcado por elevada mobilidade. Palavras-chave: População em situação de rua. Consultório na Rua. Perfil sociodemográfico. Epidemiologia descritiva. Políticas públicas.openAccessPOPULAÇÃO EM SITUAÇÃO DE RUA EM FOZ DO IGUAÇU-PR: PERFIL SOCIODEMOGRÁFICO, EVIDÊNCIAS EPIDEMIOLÓGICAS E DESAFIOS PARA A IMPLEMENTAÇÃO DO CONSULTÓRIO NA RUA