Rocha, Raiza Vinhal2026-04-112026-04-112026-04-13https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9768Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Estudos Latino-Americanos da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcialà obtenção do título de Mestra em Estudos Latino-Americanos.A dissertação a seguir investiga a noção de consciência relacional, propondo o sonho como uma das principais vias de acesso a uma dimensão ampliada da experiência que não se limita ao sujeito humano nem ao funcionamento cerebral individual. Partindo da crítica à “bifurcação da natureza”, formulada por Whitehead, o trabalho questiona a separação moderna entre mente e mundo, sujeito e objeto, matéria e experiência, apontando seus desdobramentos epistemológicos, políticos e ecológicos. A pesquisa articula contribuições da filosofia do processo, da ecopsicologia de Roszak, da teoria de Gaia de Lovelock, da cosmopolítica de Stengers e das cosmologias ameríndias para sustentar a hipótese de que a consciência emerge das relações e não de entidades isoladas. O pensamento de Wilfred Bion é mobilizado para compreender o sonhar como função contínua de transformação da experiência emocional, operante tanto na vigília quanto no sono, e extensível aos grupos e coletivos. A noção de “sonhar a experiência” é apresentada como condição para o pensamento, para a aprendizagem e para a saúde psíquica individual e coletiva. A partir do diálogo com Davi Kopenawa, Karen Shiratori e Hanna Limulja, o trabalho desloca o sonho do campo da interioridade psicológica para o de uma prática ontológica e epistemológica em que o sonhar constitui um acontecimento real, capaz de articular humanos, espíritos, animais e territórios. O conceito yanomami de mari tëhë (tempo do sonho) é explorado como um espaço-tempo relacional, não linear, no qual passado, presente e futuro se entrelaçam, permitindo a atualização contínua dos mitos e a manutenção da vida. Sustenta-se, finalmente, que sonhar pode ser compreendido como uma prática cosmopolítica fundamental, capaz de recompor os fios rompidos da experiência moderna e de reinscrever a existência humana no tecido vivo e sensível do planeta. Resumen La presente disertación investiga la noción de conciencia relacional, proponiendo el sueño como una de las principales vías de acceso a una dimensión ampliada de la experiencia que no se limita al sujeto humano ni al funcionamiento cerebral individual. A partir de la crítica a la “bifurcación de la naturaleza”, formulada por Whitehead, el trabajo cuestiona la separación moderna entre mente y mundo, sujeto y objeto, materia y experiencia, señalando sus desdoblamientos epistemológicos, políticos y ecológicos. La investigación articula aportes de la filosofía del proceso, de la ecopsicología de Roszak, de la teoría de Gaia de Lovelock, de la cosmopolítica de Stengers y de las cosmologías amerindias para sostener la hipótesis de que la conciencia emerge de las relaciones y no de entidades aisladas. El pensamiento de Wilfred Bion se moviliza para comprender el soñar como una función continua de transformación de la experiencia emocional, operante tanto en la vigilia como en el sueño, y extensible a los grupos y colectivos. La noción de “soñar la experiencia” se presenta como condición para el pensamiento, el aprendizaje y la salud psíquica individual y colectiva. A partir del diálogo con Davi Kopenawa, Karen Shiratori y Hanna Limulja, el trabajo desplaza el sueño del campo de la interioridad psicológica al de una práctica ontológica y epistemológica, en la que soñar constituye un acontecimiento real capaz de articular humanos, espíritus, animales y territorios. El concepto yanomami de mari tëhë (tiempo del sueño) se explora como un espacio-tiempo relacional, no lineal, en el que pasado, presente y futuro se entrelazan, permitiendo la actualización continua de los mitos y el mantenimiento de la vida. Finalmente, se sostiene que soñar puede comprenderse como una práctica cosmopolítica fundamental, capaz de recomponer los hilos rotos de la experiencia moderna y de reinscribir la existencia humana en el tejido vivo y sensible del planeta.ptopenAccessconsciênciasonhosinconscienteperspectivismoA consciência relacional e o sonho como tecido compartilhado de um mundo vivo