Konig, Rafaela Iunovich2026-07-032026-07-032026-07-03https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9847Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação Relações Internacionais da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestra em Relações Internacionais.Segundo a definição de Klaus von Beyme (1988) e Mudde (2022), desde 1945 a sociedade internacional é orientada por movimentos de extrema direita, que se reproduzem e se reconfiguram periodicamente. A primeira experiência ocorreu entre 1945 e 1955, a partir dos efeitos do neofascismo; subsequentemente, entre 1955 e 1980, surgiu a segunda onda com o populismo de direita; no período de 1980 e 2000, a extrema direita alinhou-se à direita radical. Cas Mudde (2022) afirma que, com o início do século XXI, está em voga a quarta onda da extrema direita mundial, que possui características particulares de extrema relevância, como a emergência das redes sociais, a transnacionalização da cultura e a crise do neoliberalismo (Harvey, 2017; Brown, 2018). Diante desse cenário, tomando como referência a conjuntura da história política, econômica e social do Brasil, pretérita e recente, torna-se impossível dissociar a influência estadunidense do contexto doméstico brasileiro, considerada sua condição subimperialista (Marini, 1977; Luce, 2018). Para tanto, a pesquisa avalia o papel dos Estados Unidos na formação social brasileira (1945-2024). Busca-se, nesse sentido, avaliar os mecanismos ideológicos, comportamentais e culturais (Gramsci, 1999; Cox, 1991; Sá, 2024), que sustentam a intersecção da extrema direita brasileira e estadunidense, em um projeto que reitera a lógica capitalista fundada no modo de vida, cultural e de produção estadunidense, ainda que em tempos de incipiente transição hegemônica – notadamente pela ascensão da China. Como isso, torna-se possível observar as dimensões econômicas e extraeconômicas que estruturam as relações de poder entre esses dois países, e que culminaram, não à toa, na eleição de dois governantes que reúnem características e simbologias bastante semelhantes, Donald Trump, nos Estados Unidos, e Jair Bolsonaro, no Brasil, a partir da ascensão do neoconservadorismo e da direita radical populista (Lacerda, 2019). Ao final, valendo-se dos estudos de Rodrigo de Sá Netto (2024), Silvia Federici (2025) e Judith Butler (2024), a pesquisa examina conteúdos audiovisuais divulgados no TikTok por influenciadoras associadas ao universo tradwife (esposa tradicional), fenômeno originado nos Estados Unidos, bem como por perfis de igrejas que adotam estratégias comunicacionais contemporâneas, também importadas do contexto norte-americano, como novas agendas da extrema direita reinventada. Resumen Según la definición de Klaus von Beyme (1988) y Mudde (2022), desde 1945 la sociedad internacional ha estado marcada por movimientos de extrema derecha, que se reproducen y reconfiguran periódicamente. La primera experiencia se produjo entre 1945 y 1955, como consecuencia del neofascismo; posteriormente, entre 1955 y 1980, surgió la segunda ola con el populismo de derecha; y entre 1980 y 2000, la extrema derecha se alineó con la derecha radical. Cas Mudde (2022) afirma que, con el inicio del siglo XXI, la cuarta ola de la extrema derecha global está en auge, con características particulares de extrema relevancia, como el surgimiento de las redes sociales, la transnacionalización de la cultura y la crisis del neoliberalismo (Harvey, 2017; Brown, 2018). Ante este panorama, y considerando la historia política, económica y social de Brasil, tanto pasada como reciente, resulta imposible disociar la influencia estadounidense del contexto interno brasileño, dada su condición subimperialista (Marini, 1977; Luce, 2018). Por lo tanto, esta investigación evalúa el papel de Estados Unidos en la formación social de Brasil (1945-2024). En este sentido, busca analizar los mecanismos ideológicos, conductuales y culturales (Gramsci, 1999; Cox, 1991; Sá, 2024) que sustentan la intersección de la extrema derecha brasileña y estadounidense, en un proyecto que reitera la lógica capitalista basada en el estilo de vida, la cultura y la producción estadounidenses, incluso durante épocas de transición hegemónica incipiente, especialmente debido al auge de China. Esto permite observar las dimensiones económicas y extraeconómicas que estructuran las relaciones de poder entre estos dos países, y que culminaron, no por casualidad, en la elección de dos líderes con características y simbolismos bastante similares: Donald Trump en Estados Unidos y Jair Bolsonaro en Brasil, en el contexto del auge del neoconservadurismo y la derecha radical populista (Lacerda, 2019). Finalmente, a partir de los estudios de Rodrigo de Sá Netto (2024), Silvia Federici (2025) y Judith Butler (2024), la investigación analiza el contenido audiovisual difundido en TikTok por influencers asociados al universo de las "tradwife", un fenómeno originado en Estados Unidos, así como por perfiles eclesiásticos que adoptan estrategias de comunicación contemporáneas, también importadas del contexto norteamericano, como nuevas agendas de la ultraderecha reinventada.openAccesscapitalismoEra digitalDireita (Ciência política)radicalismoA quarta onda ultradireitista global: ascensão da extrema direita no Brasil e influência estadunidense em tempos de crise capitalista (2008-2026)