Usaquin, Angélica Moreno2026-10-272026-10-272026-10-27https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/10036Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Políticas Públicas e Desenvolvimento da Universidade Federal da Integração Latino-Americana, como requisito parcial à obtenção do título de Mestra em Políticas Públicas e Desenvolvimento.A presente dissertação analisa as articulações entre as políticas de segurança pública e o sistema prisional no estado do Paraná, com foco no processo de criminalização e encarceramento feminino. Buscamos responder de que maneira as políticas de segurança pública e o sistema prisional no Paraná articulam-se ao processo de criminalização e encarceramento feminino e como refletem as desigualdades estruturais que caracterizam o Estado penal. A pesquisa parte da compreensão de que a consolidação do Estado penal no Brasil vincula-se a processos históricos de criminalização da pobreza, de racialização e de exclusão social, intensificados pela “guerra às drogas”. Argumentamos que o superencarceramento feminino no Paraná resulta da seletividade penal que incide desproporcionalmente sobre mulheres pobres e racializadas, cujas vidas são criminalizadas pela articulação estrutural entre racismo, patriarcado e capitalismo, consolidando um Estado penal que prioriza a repressão em detrimento da garantia de direitos. A metodologia adota uma abordagem qualitativa, exploratória e descritiva, fundamenta-se em pesquisa documental e bibliográfica para construir o referencial teórico-conceitual a partir de autores como Wacquant, Davis, Hirsch e Sinhoretto. Examinamos o marco legal institucional e recorremos à análise de dados secundários do SISDEPEN/SENAPPEN referentes ao período de 2016.2 a 2025.1 para dimensionar o encarceramento. Como base empírica complementar, realiza-se uma análise documental de relatórios de vistorias produzidos pela Defensoria Pública do Estado do Paraná (DPPR) entre 2020 e 2026, abrangendo onze unidades prisionais femininas. O percurso analítico, fundamentado na perspectiva interseccional, organiza-se em três eixos: a discussão sobre as bases teóricas entre Estado, capitalismo e punição; a investigação do marco institucional da segurança pública paranaense; e o aprofundamento empírico do encarceramento de mulheres negras e periféricas. Constatamos que o desequilíbrio orçamentário do setor privilegia o aparato policial e a expansão de vagas, em detrimento de soluções alternativas. Concluímos, assim, que o cárcere reafirma seu papel de mecanismo de controle social ao aprofundar as desigualdades. Por fim, pretendemos contribuir para o debate crítico, a partir dos feminismos abolicionistas, sobre os limites do modelo punitivo e sobre a necessidade de políticas comprometidas com a justiça social e a dignidade humana. Resumen La presente disertación analiza las articulaciones entre las políticas de seguridad pública y el sistema penitenciario en el estado de Paraná, con un enfoque en el proceso de criminalización y encarcelamiento de las mujeres. Buscamos responder de qué manera las políticas de seguridad pública y el sistema penitenciario en Paraná se articulan con el proceso de criminalización y encarcelamiento de las mujeres y cómo reflejan las desigualdades estructurales que caracterizan al Estado penal. La investigación parte de la comprensión de que la consolidación del Estado penal en Brasil está vinculada a procesos históricos de criminalización de la pobreza, de racialización y de exclusión social, intensificados por la «guerra contra las drogas». Argumentamos que el super encarcelamiento femenino en Paraná es resultado de la selectividad penal que recae de manera desproporcionada sobre las mujeres pobres y racializadas, cuyas vidas son criminalizadas por la articulación estructural entre racismo, patriarcado y capitalismo, consolidando un Estado penal que prioriza la represión en detrimento de la garantía de los derechos. La metodología adopta un enfoque cualitativo, exploratorio y descriptivo, y se basa en la investigación documental y bibliográfica para construir el marco teórico-conceptual a partir de autores como Wacquant, Davis, Hirsch y Sinhoretto. Examinamos el marco legal institucional y recurrimos al análisis de datos secundarios del SISDEPEN/SENAPPEN correspondientes al período comprendido entre el segundo semestre de 2016 y el primer semestre de 2025 para cuantificar el encarcelamiento. Como base empírica complementaria, se lleva a cabo un análisis documental de los informes de inspección elaborados por la Defensoría Pública del Estado de Paraná (DPPR) entre 2020 y 2026, que abarca once centros penitenciarios para mujeres. El enfoque analítico, basado en la perspectiva interseccional, se organiza en tres ejes: el análisis de los fundamentos teóricos entre el Estado, el capitalismo y el castigo; la investigación del marco institucional de la seguridad pública en Paraná; y el análisis empírico del encarcelamiento de las mujeres negras y de las periferias. Constatamos que el desequilibrio presupuestario del sector privilegia el aparato policial y la expansión de las plazas, en detrimento de soluciones alternativas. Concluimos, así, que la cárcel reafirma su papel de mecanismo de control social al profundizar las desigualdades. Por último, pretendemos contribuir al debate crítico, a partir de los feminismos abolicionistas, sobre los límites del modelo punitivo y sobre la necesidad de políticas comprometidas con la justicia social y la dignidad humana.openAccesssegurança públicaprisão - encarceramento femininomovimentos sociais - feminismos abolicionistasParanáO estado penal e a segurança pública no Paraná: o superencarceramento feminino como estratégia de dominação