Santos, Ana Beatriz Santos dos2026-01-162026-01-162026-01-16https://dspace.unila.edu.br/handle/123456789/9598Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Instituto Latino Americano de Ciências da Vida e da Natureza da Universidade Federal da Integração Latino Americana, como requisito parcial à obtenção do título de licenciado em Química - Licenciatura.Este trabalho investigou os processos químicos envolvidos na produção tradicional das cuias indígenas, com ênfase no pigmento natural cumatê (Myrcia eximia DC.) e nas formas pelas quais os saberes ancestrais dialogam com os fundamentos da química contemporânea. O objetivo central consistiu em analisar como a prática artesanal transmitida de geração para geração nas comunidades indígenas incorpora princípios químicos relacionados à extração, transformação e fixação de pigmentos vegetais. Para atingir esse propósito, realizaram-se extrações do cumatê por dois métodos distintos: o método tradicional utilizado pelas artesãs Tapuia e o método laboratorial via sistema Soxhlet, permitindo comparar a preservação de compostos bioativos em cada abordagem. Adicionalmente, foram conduzidas análises antioxidantes (DPPH), e determinação de fenólicos totais e flavonoides, ensaios de atividade antimicrobiana e a simulação da reação do pigmento com vapores alcalinos, especialmente amônia e ureia, etapa responsável pelo escurecimento característico observado nas cuias tradicionais. Complementarmente, aplicaram-se análises por espectroscopia no UV-Vis e espectroscopia no infravermelho (FTIR), visando identificar grupos funcionais e possíveis modificações estruturais após a exposição do pigmento a diferentes bases. Os resultados indicaram que o método tradicional preserva maiores concentrações de compostos fenólicos e flavonoides em comparação ao Soxhlet, além de apresentar maior capacidade antioxidante. O ensaio antimicrobiano revelou atividade moderada do extrato frente a Staphylococcus aureus. A simulação laboratorial da “cura” demonstrou que apenas soluções contendo compostos nitrogenados (ureia e NH₄OH) promoveram o escurecimento do cumatê, evidenciando reações, posteriormente confirmadas pelas análises espectroscópicas. Tais achados demonstram que o saber indígena mobiliza princípios químicos complexos, construídos empiricamente por meio de observação, experimentação e transmissão oral. Conclui-se que o diálogo entre a química moderna e os conhecimentos tradicionais amplia a compreensão sobre materiais naturais, valoriza práticas culturais indígenas e contribui para o desenvolvimento de alternativas sustentáveis na produção de pigmentos. Resumen Este trabajo investigó los procesos químicos involucrados en la producción tradicional de las cuias indígenas, con énfasis en el pigmento natural cumatê (Myrcia eximia DC.) y en las formas en que los saberes ancestrales dialogan con los fundamentos de la química contemporánea. El objetivo central consistió en analizar cómo la práctica artesanal transmitida intergeneracionalmente en las comunidades indígenas incorpora principios químicos relacionados con la extracción, transformación y fijación de pigmentos vegetales. Para ello, se realizaron extracciones del cumatê mediante dos métodos distintos: el método tradicional empleado por las artesanas Tapuia y el método de laboratorio mediante sistema Soxhlet, lo que permitió comparar la preservación de compuestos bioactivos en cada enfoque. Además, se llevaron a cabo análisis antioxidantes (DPPH) y determinación de fenoles totales, flavonoides, ensayos de actividad antimicrobiana y la simulación de la reacción del pigmento con vapores alcalinos, especialmente amoníaco y la urea, etapa responsable del oscurecimiento característico observado en las cuias tradicionales. Complementariamente, se aplicaron análisis por espectroscopía UV-Vis y espectroscopía infrarroja (FTIR) con el fin de identificar grupos funcionales y posibles modificaciones estructurales tras la exposición del pigmento a diferentes bases. Los resultados indicaron que el método tradicional preserva mayores concentraciones de compuestos fenólicos y flavonoides en comparación con el Soxhlet, además de presentar mayor capacidad antioxidante. El ensayo antimicrobiano reveló actividad moderada del extracto frente a Staphylococcus aureus. La simulación de la “cura” en laboratorio demostró que solo las soluciones que contienen compuestos nitrogenados (urea y NH₄OH) promovieron el oscurecimiento del cumatê, evidenciando reacciones, posteriormente confirmadas por los análisis espectroscópicos. Estos hallazgos demuestran que el conocimiento indígena moviliza principios químicos complejos, construidos empíricamente mediante observación, experimentación y transmisión oral. Se concluye que el diálogo entre la química moderna y los conocimientos tradicionales amplía la comprensión sobre materiales naturales, valoriza las prácticas culturales indígenas y contribuye al desarrollo de alternativas sostenibles para la producción de pigmentos.viopenAccesscumatêsaberesquímicapigmentosEntre o saber ancestral do povo tapuia e a química: um estudo preliminar sobre o uso do cumatê (Myrcia eximia dc) no processo químico de pintura das cuias indígena